História dos Desfiles de Moda – Instrumento para criar o desejo na sociedade

Como surgiram os desfiles? Foram criados por alguém? Descubra a história por traz de umas das mais poderosas ferramentas da moda: o desfile!

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História dos Desfiles – Seja no palco ou on-line, os desfiles de moda atuais são maiores do que nunca – e transmitidos para o público de milhões. Contudo, suas raízes vão das grandes festas, até ambientes intimistas e luxuosos. Confira!

Veja também o que são tendências e como capturá-las.

Como surgiram os desfiles de moda?

A história dos desfiles de moda remonta à década de 1860 (metade do século XIX), quando o pioneiro designer de moda inglês Charles Frederick Worth usou modelos ao vivo em vez de manequins para apresentar suas criações em Paris.

Foto original de Frederick Worth, pai dos desfiles de moda - História dos Desfiles de Moda
Charles Frederick Worth criador dos atuais desfiles de moda.

A origem e história dos desfiles: comércio e socialização

Neste período, nos primórdios da moda parisiense, não só o estilista Charles Worth (no final do século XIX) buscava novas formas de mostrae suas roupas. Temos ainda  Paul Poiret (no início do século XX) que também brincava com a possibilidade de apresentar suas roupas em ação.

Ao mesmo tempo, Lady Duff-Gordon (projetando sob o apelido Lucile) estava fazendo o mesmo em Londres. Poiret – conhecido por seus designs opulentos e fluidos – decidiu então, combinar comércio e socialização, lançando uma série de bailes luxuosos em que os participantes eram convidados a se vestir da melhor maneira possível.

The Thousand and Second Night

Imagem de dançarina e convidados na festa The Thousand and Second Night - História dos Desfiles de Moda
Fonte: Aimee Crocker

Na época, uma das mais notáveis ​​foi a festa The Thousand and Second Night, em 1911, onde Poiret apresentou vestidos com abajures e calças de harém.

Parte do plano de Poiret na Festa das Mil e Segundas Noites de 24 de junho de 1911, sem o conhecimento das 300 pessoas que ele convidou, era justamente realizar um desfile de moda de suas roupas de luxo com convidados servindo de modelo.

Um plano para fazer os convidados usarem suas novas criações

Seus convites especificavam que eles deveriam vestir roupas de estilo persa e que, se recusassem e aparecessem em outros trajes, teriam que sair imediatamente ou trocar de roupa por modelos que ele havia projetado. Eles acharam que era uma ideia divertida.

Assim, Poiret encheu seu closet com opções para convidados com os novos vestidos de abajur e calças de harém que ele havia projetado recentemente. Já o estilista, interpretando o papel de um sultão reinante, presenteou cada hóspede com uma garrafa de sua nova criação de fragrâncias, “Nuit Persane”.

Perfume dado aos convidados na festa the thousand and second de Poiret
Poiret’s Nuit Persane (1911) and Parfume de Rosine (1912) – Fonte: Aimee Crocker.

 

História dos Desfiles no Século XX

Já no início do século XX, com a indústria de moda ocupando seu espaço no mercado na Europa e nos Estados Unidos, os criadores de moda passaram a exibir desfiles para um público selecionado. A popularização dos desfiles aumenta à medida que aumenta o prestígio dos costureiros.

Anos 20 e 30

Nas décadas de 1920 e 1930, Paris havia se tornado uma estufa de talentos: da facilidade discreta de Coco Chanel aos experimentos surreais de Elsa Schiaparelli, incluindo os plissados de Madeleine Vionnet.

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Os desfiles tornaram-se então menos uma grande festa, transformando-se desta forma, em eventos muito menores e mais individualizados: cada casa de moda apresentava suas coleções em uma série de modelos, em eventos exclusivamente para clientes. Nasce assim o desfile como conhecemos atualmente.

Para Braga (2006) o cinema nos anos 30 teve ainda, o compromisso de criar novos sonhos e grandes atrizes, muitas vezes consideradas manequins por exercerem também essa função.

Anos 40 – Regulamentação dos desfiles


Depois da Segunda Guerra Mundial, os desfiles de moda de Paris seriam mais regulamentados. Em 1945, o Chambre Syndicale de la Haute Couture estipulou que todas as casas de alta costura deveriam apresentar sazonalmente pelo menos 35 peças noturnas e diurnas. As peças de vestuário estavam disponíveis apenas como feitas sob medida, com um longo processo de pedido e montagem.

Paris estava nervosa com a crescente influência da indústria da moda de Nova York, onde a guerra incentivou o apoio de estilistas norte-americanos na sua primeira Semana da Imprensa em 1943. Mas a capital francesa tinha uma arma secreta: Christian Dior.

Fotógrafos e o The New Look define tendências de desfiles de moda em Paris

Em 1947, a primeira coleção da Dior – Corolle, que contou com a presença de um grande número de editoras de moda e foi autorizada a ser fotografada – ajudou a redefinir a agenda sartorial com silhuetas exageradas. Afastando o pragmatismo quadrado da guerra, o New Look da Dior era todo volumoso, saias, cinturas pequenas e feminilidade deliberada.

Nos próximos anos, a Dior ajudaria a ditar as novas linhas e formas das roupas femininas, restabelecendo o humor de Paris ao lado de contemporâneos, como Hubert de Givenchy, Pierre Balmain e Jacques Fath.

Anos 50 – As cópias e a exclusividade

Com a ansiedade alta sobre os desenhos que geralmente eram copiados, os desfiles passaram a estar entre  os assuntos mais guardados. Neste período, totalmente diferente do mundo de câmeras de hoje, os fotógrafos não eram estritamente permitidos!

Os desfiles da alta-costura eram fechadíssimos, muitas vezes exclusivos para clientes especiais. Com a concorrência entre os costureiros, é adotado por cada um deles um estilo de manequim. E em 1950 surge a divisão entre “manequins de desfile” e “modelos fotográficas”, cada uma priorizando um aspecto.

Anos 60

Na década de 1960, outro nome – aquele que cortara seus dentes na casa da Dior – surgia: Yves Saint Laurent. Lançando uma linha de prêt-à-porter em 1966, incluindo seu muito adorado terno de smoking, Saint Laurent sinalizou outra mudança de humor, onde o foco estava firmemente concentrado na cultura jovem (refletido nas coleções da era espacial de Pierre Cardin e André Courrèges, este último incentivando seus modelos a se moverem naturalmente, conforme as roupas). Pronto-a-vestir era o caminho a seguir.

Anos de 80

Em 1980, os desfiles chegam não só com o glamour da época, mas com certa liberdade nas passarelas. Vários estilos estão em evidência e os desfiles são chamados de “shows”, cada vez mais inovadores e muitas vezes chamados de grandes espetáculos. Criadores como Jean-Paul Gaultier, Viviene Westwood, Christian Lacroix, Giorgio Armani entre outros fazem verdadeiros acontecimentos, espetáculos disputadíssimos entre profissionais da moda, personalidades e consumidores.

Anos de 90

Em 1990, Linda Evangelista, Claudia Schiffer, Naomi Campbell, Cindy Crawford e outras, tornaram-se ícones de moda da época. E no mesmo período, o estilista francês Thierry Mugler, para comemoração de 20 anos da marca e o lançamento do Angel, faz no teatro parisiense “Ópera Comique” o mais caro desfile que já houve em toda a história da moda, na qual inúmeras top-models e personalidades se mesclavam na passarela. Foram gastos 20 milhões de dólares para esse único desfile. Para concluir o espetáculo de moda, um show com Charles Brown.

Em 10 de julho de 1996, Yves Saint Laurent e os modelos de sua coleção outono – inverno 97 foram apresentados no Fashion Live (www.fashionlive.com – site hoje já fora do ar). Saint Laurent causou polêmica permitindo pela primeira vez, a transmissão de um desfile em tempo real. Pouco depois, o austríaco Helmut Lang optou por realizar seu desfile exclusivamente via internet e cancelou a passarela tradicional. Outro sucesso foi o desfile de John Galliano para Dior na estação ferroviária de Austerlitz, em 1998.

Anos 2000 – História dos Desfiles no Século XI

Para Braga (2006), a partir de então, o ritual dos desfiles se transforma, passa de chás beneficentes de senhoras ricas e concursos de misses, para shows super profissionais que pretendiam valorizar, agradar e surpreender o público participante.

Os desfiles podem ser comerciais, com peças de roupas usáveis, ou podem ser conceituais com criações inusitadas que representa o significado da coleção e o estilo do criador. A passarela de um desfile é muito mais do que apenas o espaço por onde caminham as modelos – assim como a luz e a trilha sonora, ela serve para expor ao público o clima e o ambiente imaginado pelo estilista para apresentar sua coleção. Assim como as roupas, uma imagem que deve ser bem elaborada e impactante. Alguns criadores optam por uma passarela simples, pretas ou brancas, mas há quem prefira cenários que reforcem a imagem proposta para a coleção.

Leia pesquisa completa no blog Cosmopolita da Nanda Coelho que desenvolveu essa pesquisa para seu TCC.

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