Em 2016, quando o Fashion Bubbles publicou pela primeira vez esta matéria, a modelagem oversized estava deixando de ser apenas uma linguagem de nichos urbanos para ocupar definitivamente as passarelas, o street style e o guarda-roupa masculino.
Balenciaga exagerava ombros e proporções na alfaiataria. Issey Miyake trabalhava calças amplas e volumes de inspiração oriental. Sacai transformava sobreposições e peças largas em linguagem contemporânea.
Dez anos depois, fica claro que não estávamos diante de uma tendência passageira. Afinal, o oversized se tornou uma das principais linguagens de silhueta da moda contemporânea. Está nas camisetas de streetwear, nos moletons, nas jaquetas, na alfaiataria, nas calças, nas coleções de luxo, na moda fitness e nas ruas.
Mas há uma diferença fundamental que ainda gera confusão: roupa oversized não é simplesmente roupa grande. Acima de tudo, uma boa modelagem oversized é construída. Existe intenção no ombro, na largura do tórax, no comprimento, na manga, na cava, no volume e até na escolha do tecido.
É justamente essa engenharia invisível que determina se uma peça vai parecer contemporânea — ou apenas dois números maior. Neste guia, o Fashion Bubbles explica o que é modelagem oversized, quais são suas características, como escolher o tamanho certo, como montar looks equilibrados e quais marcas brasileiras vale conhecer!
Publicado originalmente em 2016 e amplamente atualizado em 2026.
O que é modelagem oversized?
Oversized significa, literalmente, “superdimensionado”. Na moda, no entanto, o conceito é mais sofisticado.
Modelagem oversized é uma construção de roupa deliberadamente mais ampla que a modelagem regular, na qual determinadas proporções são aumentadas de maneira controlada para criar volume, conforto e uma silhueta visualmente intencional.
O segredo está na palavra proporção. Se todas as medidas de uma camiseta regular forem simplesmente aumentadas, o resultado nem sempre será oversized. Muitas vezes será apenas: uma camiseta grande.
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Ou seja, oversized não é comprar dois tamanhos maiores
Esse talvez seja o maior mito sobre o oversized. Imagine uma pessoa que veste camiseta regular tamanho M. Se ela simplesmente comprar uma peça GG, haverá aumento de:
- largura;
- comprimento;
- cava;
- ombro;
- gola;
- manga.
O problema é que todos esses pontos foram originalmente graduados para um corpo maior. Então, a gola pode ficar excessivamente aberta. A cava pode cair demais. O comprimento pode ultrapassar o ponto visual desejável. A manga pode parecer comprida em vez de ampla. O ombro pode ficar deslocado sem intenção.
Já uma camiseta oversized tamanho M é projetada para uma pessoa que veste M, mas com proporções deliberadamente ampliadas. Essa diferença é fundamental.
Quais são as principais características da modelagem oversized?
Embora cada marca desenvolva sua própria interpretação, alguns elementos aparecem com frequência:
- Ombros deslocados: a costura pode ficar além da linha natural dos ombros.
- Mangas amplas: podem ser mais compridas e largas do que em uma peça convencional.
- Corpo mais largo: existe maior folga entre o tecido e o corpo.
- Comprimento alongado: principalmente em camisetas, moletons, camisas e casacos.
- Volumes propositalmente maiores: a peça cria uma silhueta diferente da modelagem tradicional.
- Maior liberdade de movimento: o excesso de tecido também pode proporcionar sensação de conforto.
- Proporções estudadas: o volume é distribuído de forma intencional para que a roupa mantenha equilíbrio.
Uma camiseta oversized, portanto, não precisa ser enorme em todas as dimensões. Ela pode ter corpo muito amplo e comprimento moderado, por exemplo, ou ombros maiores combinados a uma barra mais curta. É justamente essa construção que diferencia o oversized de uma roupa simplesmente “folgada”.
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Oversized, relaxed, loose, baggy e boxy são a mesma coisa?
Não. Embora cada marca use esses termos de maneiras diferentes, podemos entender assim:
| Modelagem | Característica predominante |
|---|---|
| Regular | acompanha as proporções convencionais do corpo |
| Relaxed | ligeiramente mais folgada |
| Loose | maior folga geral |
| Oversized | volume propositalmente ampliado |
| Baggy | bastante amplo e solto, sobretudo em calças e streetwear |
| Boxy | largura acentuada com comprimento relativamente contido |
| Drop shoulder | ombro deliberadamente deslocado para baixo |
Então, uma peça pode ser, ao mesmo tempo: oversized + drop shoulder + boxy. Aliás, é comum encontrarmos camisetas contemporâneas exatamente com essa combinação.
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Como fazer modelagem oversized?
Para quem trabalha com moda, entender como fazer modelagem oversized é diferente de simplesmente aumentar as medidas de uma peça convencional. Afinal, o resultado precisa ser amplo de maneira intencional, mantendo proporção, caimento e conforto.
Não existe uma fórmula universal para criar uma peça oversized. Cada marca pode desenvolver sua própria tabela de medidas e construir uma assinatura de shape. Ainda assim, alguns princípios de modelagem ajudam a chegar ao efeito desejado.
Crie um bloco específico para o oversized
Um dos principais cuidados é não simplesmente graduar um molde regular para tamanhos maiores. O ideal é partir de uma base convencional e desenvolver um bloco específico para a modelagem oversized.
Nesse processo, o modelista precisa analisar a relação entre diferentes medidas, como:
- largura do corpo;
- comprimento;
- ombros;
- mangas;
- cava;
- proporção entre tórax e quadril.
A indústria de streetwear costuma trabalhar com aumentos deliberados de largura corporal, extensão dos ombros e ajustes de comprimento, em vez de apenas aumentar a numeração de um molde tradicional.
Quanto aumentar na modelagem oversized?
Não existe uma medida obrigatória. O acréscimo depende do tipo de silhueta que a marca pretende criar e deve ser validado por meio de protótipos e provas de roupa.
Como referência experimental, algumas construções de camisetas oversized utilizam aproximadamente 7,5 a 15 cm ou mais de aumento na largura corporal total em relação a uma modelagem regular. Entretanto, esses valores não devem ser tratados como regra: servem apenas como ponto de partida para desenvolvimento.
É possível pensar, por exemplo, em três níveis de oversized:
- Leve: cria uma silhueta discretamente mais ampla, sem transformar radicalmente a proporção da peça.
- Médio: apresenta uma diferença evidente em relação à modelagem tradicional e é bastante comum no streetwear contemporâneo.
- Extremo: aposta em volumes muito maiores e pode aparecer em propostas experimentais, coleções autorais e linguagens de passarela.
Em todos os casos, o protótipo é fundamental para verificar se o volume está realmente criando o efeito desejado.
O ombro também precisa ser redesenhado
O chamado drop shoulder, ou ombro deslocado, é uma característica frequente da modelagem oversized. Assim, a linha do ombro ultrapassa a posição anatômica tradicional.
Mas simplesmente deslocar o ombro não é suficiente. Quanto maior esse deslocamento, maior será seu impacto na queda da manga, na altura visual da cava, no comprimento aparente do braço e no volume lateral da peça.
Por isso, a construção precisa considerar conjuntamente: ombro + cava + cabeça da manga + comprimento da manga. Essa relação é fundamental para que a peça pareça propositalmente oversized, e não simplesmente grande demais.
Cuidado para não aumentar demais a cava
Um erro comum ao desenvolver uma modelagem oversized é aumentar bastante a largura do tórax e simplesmente baixar a cava. Como resultado, o tecido pode se acumular na região da axila, haver excesso de dobras e desconforto durante o movimento.
Uma cava ampla precisa conversar com a construção da manga. O objetivo é criar espaço para o corpo sem perder o desenho da peça.
A manga é decisiva para o resultado
Em muitas camisetas oversized contemporâneas, a manga também recebe atenção especial. Ela pode apresentar:
- maior largura;
- cabeça de manga mais baixa;
- construção mais reta;
- comprimento ampliado.
Uma manga ampla reforça a arquitetura da silhueta e ajuda a criar a sensação de volume. Por outro lado, uma manga muito estreita combinada com um corpo extremamente largo pode gerar uma proporção estranha e fazer com que a peça pareça mal dimensionada.
Oversized ou boxy? A relação entre largura e comprimento
A proporção entre largura e comprimento também é determinante para definir a aparência final. Imagine duas camisetas com praticamente a mesma largura:
- Modelo A: é muito larga e também bastante comprida. O resultado tende a ser uma silhueta oversized alongada.
- Modelo B: é muito larga, mas relativamente curta. O efeito se aproxima do chamado boxy oversized, com uma aparência mais quadrada e contemporânea.
A diferença pode parecer pequena na ficha técnica, mas transforma completamente a percepção da roupa.
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O tecido também faz parte da modelagem oversized
A escolha do tecido é outro fator importante. Quanto maior o volume de uma peça, mais relevante se torna a relação entre a construção do molde e o comportamento da matéria-prima.
Uma malha muito leve tende a acompanhar mais o corpo, criar movimento e formar dobras. Enquanto isso, uma malha de maior gramatura e mais estruturada tende a manter maior distância da silhueta e sustentar melhor determinadas formas.
Por isso, camisetas oversized de streetwear frequentemente utilizam malhas mais encorpadas. Mas isso não significa que quanto mais pesado o tecido, melhor será o oversized. O tecido precisa estar de acordo com a intenção estética da peça.
Uma modelagem muito ampla em uma malha fluida pode criar uma proposta mais leve e despojada. A mesma modelagem em uma malha firme pode produzir uma silhueta mais rígida e arquitetônica.
A gramatura influencia o resultado
Como referência geral — e não como uma classificação normativa de tecidos — é possível pensar em diferentes faixas de gramatura:
- 120 a 160 g/m²: malhas mais leves, que tendem a apresentar maior movimento e adaptação ao corpo.
- 160 a 200 g/m²: faixa intermediária que pode equilibrar estrutura e conforto, dependendo da fibra e da construção.
- 200 a 260 g/m²: malhas mais encorpadas, que costumam proporcionar aparência mais estruturada e são frequentes em propostas premium e de streetwear.
- Acima de 260 g/m²: materiais potencialmente mais densos e rígidos, capazes de criar uma estética bastante arquitetônica, dependendo da composição e da construção da malha.
É importante lembrar que gramatura não determina sozinha a qualidade ou o caimento de um tecido. Fibra, tipo de fio, construção da malha, compactação, beneficiamento e acabamento também interferem no resultado.
O segredo é fazer tecido e modelagem trabalharem juntos
No desenvolvimento de uma peça oversized, molde e matéria-prima precisam ter a mesma intenção. Uma camiseta extremamente ampla confeccionada em uma malha muito fluida terá uma aparência completamente diferente de outra com o mesmo molde produzida em uma malha firme e encorpada.
Nenhuma das duas propostas é necessariamente melhor. Elas simplesmente comunicam coisas diferentes: fluidez ou estrutura.
Então, fazer uma boa modelagem oversized envolve muito mais do que adicionar centímetros ao molde. É preciso compreender proporção, volume, movimento, matéria-prima e construção, testando a peça em protótipos para que encontre o equilíbrio entre amplitude, conforto e identidade visual.
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A história do oversized é muito mais antiga que o streetwear
Embora hoje associemos imediatamente o oversized ao hip-hop e ao streetwear, o diálogo da moda com volume é muito anterior. Roupas amplas existem há séculos — como quimonos, túnicas e caftãs —, mas o oversized como linguagem de moda moderna, especialmente no Ocidente, foi se formando ao longo do século XX e ganhou força em diferentes movimentos culturais.
Os anos 1980 e a ampliação do corpo
Na década de 1980, o volume assumiu forte relação com poder. O chamado power dressing ampliou ombros através de ombreiras e alfaiataria estruturada.
No mesmo período, designers japoneses como Rei Kawakubo, Yohji Yamamoto e Issey Miyake questionavam de maneira muito mais radical a relação tradicional entre roupa e anatomia.
Suas peças criavam espaço entre tecido e corpo. Assim, o corpo deixava de ser simplesmente revelado e passava a habitar a roupa.
Yohji, Rei Kawakubo e a liberdade da silhueta
A entrada dos criadores japoneses no circuito parisiense dos anos 1980 com toda a certeza foi fundamental para ampliar a compreensão ocidental de beleza e proporção.
A roupa poderia ser: assimétrica, larga, desconstruída, escura, ampla, aparentemente incompleta. Em vez de celebrar apenas o corpo moldado pela roupa, a moda podia construir um corpo novo.
Hip hop: quando ocupar espaço virou linguagem
Nos anos 1980 e principalmente nos 1990, a cultura hip hop transformou roupas largas em um dos códigos visuais mais poderosos da cultura urbana.
Calças baggy, jaquetas amplas, camisetas largas, moletons e tênis robustos. Acima de tudo, a silhueta ganhava tamanho. E tamanho também é linguagem.
A moda masculina dos anos 1990 foi profundamente influenciada pelo hip-hop, pelo grunge e pela crescente informalização do vestuário. Camisas de flanela oversized, sportswear amplo, hoodies e calças largas se tornaram parte central do imaginário da década.
Grunge: o oversized como recusa
No hip-hop o volume podia significar presença, enquanto no grunge ganhou outra leitura. Kurt Cobain tornou emblemática uma estética de cardigãs grandes, camisas de flanela largas, camisetas, jeans e sobreposições. Era quase uma antimoda.
O interessante é que aquilo que parecia uma recusa da preocupação estética rapidamente virou estética. Esse é um dos paradoxos favoritos da moda: quando muita gente decide não parecer fashion, a moda acaba percebendo.
Anos 2010: luxo e streetwear se encontram
Durante os anos 2010, as fronteiras entre luxo e streetwear começaram a se dissolver. Tênis entraram definitivamente nas coleções das grifes. Moletons viraram objetos de desejo. Camisetas cresceram. Casacos aumentaram.
Assim, a silhueta masculina se afastou da obsessão pelo slim fit que dominara parte dos anos anteriores.
E chegamos a 2016
Foi exatamente nesse momento que o Fashion Bubbles publicou a primeira versão desta matéria. Na primavera-verão 2017 da Balenciaga, ombros exagerados ampliavam a tradicional alfaiataria masculina.
Issey Miyake trabalhava calças largas e túnicas. Sacai explorava sobreposição e volume. Nas ruas, moletons, camisetas, quimonos, jaquetas e camadas amplas já haviam se tornado linguagem de uma nova geração.
Naquele momento chamávamos a modelagem oversized de tendência, mas hoje é mais correto chamá-lo de uma das silhuetas fundamentais da moda contemporânea.
Oversized na década de 2020
A modelagem se diversificou e hoje convivem o oversized streetwear, minimalista, de luxo, esportivo, genderless, vintage, alfaiataria oversized e boxy fit.
Isso explica sua longevidade. Afinal, não existe mais “um oversized”, e sim uma família de proporções.
Oversized e moda sem gênero
Com toda a certeza, uma das razões pelas quais a modelagem ganhou tanta força é sua capacidade de reduzir a centralidade das divisões corporais tradicionais entre masculino e feminino.
Quanto maior o espaço entre tecido e anatomia, menos a roupa precisa reproduzir: busto, cintura, quadril, ombros como marcadores de gênero. Por isso, o oversized se tornou uma ferramenta recorrente em propostas genderless e agênero.
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Como usar oversized masculino sem parecer que errou o tamanho?
A primeira regra é simples: deixe claro que existe intenção. Isso pode acontecer de várias maneiras:
1. Look todo over
Sim, é possível usar volume dos pés à cabeça. A chave é trabalhar as proporções. Uma calça muito ampla pode ser combinada a uma camiseta oversized mais curta ou estruturada, enquanto um casaco enorme pode funcionar com uma calça igualmente ampla se o conjunto tiver intenção visual.
O segredo não é necessariamente “diminuir” uma das peças, mas criar uma relação equilibrada entre os volumes.
2. Modelagem oversized em cima + proporção mais limpa embaixo
No entanto, se você preferir um contraste maior entre as peças, pode combinar uma camiseta bem ampla com um shorts curtinho. Aqui, por exemplo, o look monocromático trouxe mais uma informação de moda.
3. Camiseta oversized + jeans
O jeans é um parceiro natural da estética oversized. Para um look mais urbano, combine camiseta ampla com jeans baggy ou wide leg. Se a intenção for criar mais contraste, aposte em uma calça reta ou skinny.
4. Sobreposição de camisa oversized
Uma camisa ampla pode funcionar muito bem aberta sobre regata, por exemplo. O contraste entre a parte de cima volumosa e uma peça mais ajustada ou curta ajuda a deixar o visual mais leve.
Pessoas baixas podem usar oversized?
Sim, pois altura não determina se alguém pode ou não usar uma modelagem. O que muda é a estratégia de proporção. Para quem deseja preservar visualmente o comprimento das pernas, pode funcionar melhor:
- camiseta menos longa;
- modelagem boxy;
- cintura mais alta;
- monocromia;
- calçados visualmente integrados à calça.
A pergunta correta não é: “Posso usar oversized?”. Mas sim: “Que tipo de oversized cria o efeito que desejo?”.
Oversized emagrece?
Roupa não “emagrece” um corpo, mas modelagem altera percepção visual. O oversized reduz a leitura direta do contorno corporal. Como resultado, isso pode gerar sensação de:
- volume;
- proteção;
- verticalidade;
- ocultação;
- presença.
O resultado depende de comprimento, tecido, contraste, cor e combinação.
10 marcas brasileiras para conhecer quando o assunto é modelagem oversized
A cena brasileira de streetwear cresceu bastante e hoje reúne desde marcas autorais e independentes até nomes mais consolidados.
- Prison: com uma proposta de streetwear premium, é especialista em peças com ombro estendido, corpo amplo e comprimento alongado. Uma escolha especialmente interessante para quem gosta de camiseta oversized com referências esportivas;
- Piet: trabalha com camisetas, moletons, jaquetas, calças e outras peças que exploram volumes e referências da cultura urbana;
- SHUI: combina referências orientais, estética futurista, utilitarismo e streetwear brasileiro;
- Carnan: sua estética conversa com a cultura urbana e assim oferece uma alternativa para quem quer incorporar a silhueta ampla ao guarda-roupa casual;
- Approve: se consolidou no streetwear brasileiro e é uma boa opção para quem quer incorporar a modelagem oversized ao cotidiano por meio de peças casuais e fáceis de combinar;
- THESAINT: conhecida por explorar volumes amplos, é mais ousada, sendo indicada para quem quer usar o oversized como elemento central da produção;
- PACE: integra a cena contemporânea de streetwear brasileiro, sendo assim uma referência para quem procura uma leitura mais casual da tendência;
- HIST: unindo streetwear e alfaiataria desconstruída, a marca investe em matérias-primas alternativas e reforça uma produção nacional e transparente;
- dengo club: traz para sua identidade visual elementos do cartoon e traços marcantes que dialogam com a cultura underground;
- Desgosto: a criatividade faz parte do DNA da marca, que começou produzindo camisetas oversized e hoje expandiu sua linha com design exclusivo.
A moda simbólica do oversized: por que queremos ocupar mais espaço?
Toda roupa possui uma dimensão prática, ao mesmo tempo em que possui uma dimensão simbólica. E talvez poucas modelagens revelem isso tão claramente quanto o oversized. Quando aumentamos nossa silhueta, aumentamos nossa presença visual. Assim, o corpo passa a ocupar mais território.
Oversized como proteção
Existe algo de casulo numa peça grande, pois ela cria espaço entre pele e mundo. Não revela imediatamente todos os contornos. Pode funcionar simbolicamente como abrigo, proteção, distância, intimidade.
Em períodos de insegurança cultural, roupas que envolvem o corpo frequentemente ganham novas leituras.
Oversized como poder
Um ombro maior muda a arquitetura de um corpo. Uma jaqueta ampla ocupa espaço. Um paletó oversized transforma escala.
Não por acaso, diferentes momentos históricos associaram ampliação da silhueta a poder. O corpo parece maior. E aquilo que é maior é mais difícil de ignorar.
Oversized como recusa
Existe ainda uma terceira mensagem: a recusa de oferecer o corpo imediatamente ao olhar. Enquanto a roupa extremamente ajustada reproduz suas linhas, o oversized cria uma forma intermediária.
Você vê a roupa antes do corpo. Isso pode representar liberdade da obrigação de exibir, definir ou sexualizar continuamente a anatomia.
Oversized como pertencimento
No streetwear, roupa também identifica tribo. Hip-hop, skate, rap, moda urbana, sneaker culture, academia. Em cada contexto o oversized ganhou códigos próprios. Então, vestir uma silhueta pode funcionar como reconhecer e ser reconhecido por uma comunidade.
Oversized como conforto — físico e psicológico
Depois de décadas nas quais grande parte da moda valorizou roupas extremamente ajustadas, o crescimento das silhuetas amplas também pode ser entendido como uma busca por liberdade corporal.
Existe espaço, movimento, ar. O corpo não precisa estar constantemente “corrigido” pela roupa. Talvez seja por isso que o oversized conseguiu atravessar tantas tendências.
O oversized vai sair de moda?
Provavelmente veremos mudanças de proporção. A moda é cíclica e, por isso, silhuetas estreitas voltam. Volumes diminuem, para logo depois aumentar novamente.
Mas dificilmente o oversized desaparecerá como linguagem. Ele já deixou de ser apenas uma tendência para se tornar uma das ferramentas permanentes de construção de silhueta da moda. Assim como existem slim, reto, evasê, cinturado e boxy, também existe oversized.
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Conclusão
Quando esta matéria nasceu, em 2016, o Fashion Bubbles observava a modelagem oversized chegando com força ao guarda-roupa masculino. Uma década depois, podemos enxergá-la com outra perspectiva.
O oversized não ganhou espaço apenas porque é confortável. Ele ganhou espaço porque responde a algumas das questões mais profundas da moda contemporânea:
- Quanto espaço queremos ocupar?
- Quanto do corpo queremos revelar?
- Como queremos que ele seja percebido?
- Que relação queremos estabelecer entre roupa e anatomia?
Talvez seja justamente por isso que uma boa peça oversized nunca parece simplesmente grande. Quando proporção, material e construção estão corretos, o excesso deixa de parecer erro. Vira desenho, linguagem e presença.
Abaixo, relembre a matéria original e as referências.
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O oversized, que já está rolando há algumas temporadas, agora parece ter tomado de vez as ruas e reflete também na moda masculina. De bermudas à casacos, a principal característica dessas peças é a modelagem ampla, que dá a impressão de estar usando uma roupa alguns números maior que o seu.
Além do conforto, o visual traz um ar moderno para os looks, que carregam inúmeras referências ao street style e ganham espaço até mesmo dentro da tradicional alfaiataria.
Modelagem oversized – Nas passarelas
Na primavera-verão 2017 da Balenciaga, o destaque foram as peças de alfaiataria com ombros alongados, fazendo uso das tão temidas ombreiras. Os paletós também ganharam linhas mais compridas, chegando até os joelhos. Issey Miyake, conhecido por manter o equilíbrio entre a tradição e a inovação, apostou em calças oversized de cintura alta e camiseta que ganham a proporção alongada das túnicas, usadas sozinhas ou abertas e sobrepostas aos looks. Com uma proposta mais moderna e agênera, a Sacai fez um uso excelente de peças oversized sobrepostas, de jaquetas à macacões, mostrando que a tendência atende à todos os gostos e estilos.
Modelagem oversized – Nas ruas
A tendência caiu no gosto masculino e logo dominou o street style. Para começar, a principal dica na hora de montar o look é combinar várias camadas de peças oversized sobrepostas. Camisas e camisetas funcionam bem juntas (principalmente para o verão brasileiro) e o ideal é deixar pelo menos alguns botões abertos para que tudo fique bem folgado no corpo. Para o inverno, moletons e jaquetas volumosas também são combinações certeiras e, quanto mais ampla for a peça, mais camadas você poder criar por baixo dela.
Nessa pegada, os Kimonos masculinos vem ganhando destaque e caindo no gosto e nos looks de blogueiros e fashionistas.