No último sábado (2), o cantor Nattan fez um show em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife. Durante a apresentação na Festa de Agosto, o artista ofereceu R$ 1 mil para que um homem beijasse uma mulher com nanismo no palco. Como resultado, recebeu a acusação de que teria agido com capacitismo.
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O que aconteceu com Nattan?
O episódio ocorreu enquanto Nattan cantava “Pense em mim”, sucesso da dupla Leandro & Leonardo, momento em que costuma chamar fãs para o palco. Nas imagens divulgadas pela equipe do cantor, ele aparece tentando convencer um homem a beijar a mulher, mas o rapaz recusa. Em seguida, Nattan levanta a moça no colo, a lança para cima e a posiciona sobre um caixote.
Logo depois, o cantor pergunta a outro homem, que estava nos bastidores, se ele aceitaria beijá-la. Diante de nova recusa, ele convida um cinegrafista da transmissão do evento, que estava na plateia. “Ele pode até perder o emprego, mas os mil reais ele não perde”, brinca Nattan.
O cinegrafista, identificado como Marcos Ferreira, sobe ao palco e, durante a música, beija a mulher enquanto Nattan ri, segurando a câmera. Ao final, Marcos carrega a moça nos braços para fora do palco.
O vídeo foi publicado no Instagram do cantor com a legenda: “BEBÊ REBORN saliente da gota 😂”. Marcos também compartilhou o registro em suas redes sociais e comentou: “Quando o beijo vale mil e ainda vem com risada e bolso cheio… Aí sim é trabalho com gosto”. Veja o vídeo:
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Atitude de Nattan pode render denúncia de capacitismo
Em nota de repúdio, a Associação Nanismo Brasil (Annabra) condenou o episódio, afirmando que isso “demonstra o quanto o capacitismo e a objetificação da pessoa com nanismo ainda são tolerados socialmente, mesmo em espaços de grande visibilidade”.
Além disso, a Annabra caracteriza a atitude do cantor como criminosa. “Capacitismo é crime no Brasil. O Artigo 88 da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) estabelece que praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência é crime, com pena de 1 a 3 anos de reclusão e multa”, diz a nota.
Por fim, a associação prometeu denunciar o artista ao Ministério Público: “Fazemos um apelo à sociedade, à mídia e aos artistas: que usem seus espaços e talentos para promover respeito, inclusão e consciência, não para retroalimentar preconceitos históricos”.
A assessoria de imprensa de Nattan e a prefeitura de São Lourenço da Mata, organizadora do evento, ainda não se pronunciaram sobre o ocorrido.