Prezados amigos e amigas internautas, será que conhecemos, de fato, esse homem a quem chamamos simplesmente de Lula?
Conhecemos sua história: o menino pernambucano, filho de uma família pobre, que atravessou o Brasil com a mãe e os irmãos em busca de uma vida melhor. O jovem que se tornou torneiro mecânico, trabalhou nas fábricas de São Paulo, perdeu um dedo em um acidente de trabalho e, muitos anos depois, chegou à Presidência da República.
Mas não é apenas sobre essa trajetória que desejo conversar com vocês.
Quero chamar a atenção para algo que considero ainda mais importante: a capacidade de compreender as transformações do mundo e de preparar a sociedade para um futuro que, na verdade, já começou.
O futuro já está entre nós
Vocês já pararam para pensar na quantidade de profissões que estão sendo transformadas ou desaparecendo?
Lembram-se das máquinas de escrever? Durante décadas, dominar a datilografia era uma habilidade profissional valorizada. Depois chegaram os computadores, e aquelas máquinas, antes indispensáveis, tornaram-se peças de museu.
As calculadoras também perderam muito de seu espaço para os celulares, que hoje realizam operações inimagináveis algumas décadas atrás.
E agora estamos diante de uma transformação ainda maior: a inteligência artificial e a robótica.
Já existem cirurgias realizadas com auxílio de robôs, controlados por médicos. A tecnologia evolui rapidamente, ampliando a precisão dos procedimentos e transformando o trabalho dos profissionais.
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O que isso significa?
Significa que tarefas antes realizadas exclusivamente por pessoas estão sendo automatizadas. Algumas profissões desaparecerão, outras serão profundamente modificadas e novas atividades surgirão.
E o que acontecerá com aqueles que não tiverem oportunidade de se preparar para essas mudanças?
É aqui que encontro uma das razões da minha admiração por Lula.
Vejo nele um governante que compreendeu a importância de ampliar o acesso à educação para que o trabalhador e seus filhos tenham melhores condições de enfrentar as transformações econômicas e tecnológicas.
E, para explicar por que penso assim, quero contar um pouco da história da nossa própria terra.
Barreiras: uma história de luta pela educação
Durante muito tempo, estudar era um privilégio reservado a poucos.
Aqui no Oeste da Bahia, os jovens que desejavam continuar os estudos precisavam enfrentar enormes dificuldades. Para cursar uma universidade, frequentemente era necessário mudar-se para Salvador ou para outra cidade distante.
E quantas famílias tinham recursos para manter um filho estudando longe de casa?
Pouquíssimas.
Mas nossa região sempre teve pessoas que compreenderam a força transformadora da educação.
Uma delas foi o professor José Seabra de Lemos, fundador do Colégio Padre Vieira.
Sua própria trajetória foi marcada pelo esforço para estudar. Contando com apoio para continuar sua formação fora de Barreiras, tornou-se professor e advogado. Mais tarde, incentivado por moradores da cidade, retornou para participar de uma iniciativa que mudaria a história da educação regional.
Outra figura fundamental foi o padre Luiz Manuel Vieira, português que chegou a Barreiras em 1918.
O padre Vieira não se preocupava apenas com a vida religiosa. Compreendia também a importância da educação para o desenvolvimento da sociedade.
Foi ele quem liderou a construção da Igreja de São João Batista, inaugurada em 1925, e cuja presença permanece tão significativa na paisagem de nossa cidade.
Também contribuiu para criar as condições que permitiriam o nascimento do Colégio Padre Vieira.
Em 1949, o professor Seabra iniciou o curso ginasial em antigos edifícios que haviam pertencido ao aprendizado agrícola.
Posteriormente, o governador Antônio Balbino de Carvalho Filho, nosso conterrâneo, teve papel fundamental na ampliação do acesso ao ensino público, promovendo a incorporação do colégio à rede estadual e a construção de novas instalações.
Essas histórias mostram que a educação nunca chegou por acaso ao interior do Brasil. Ela foi conquistada pelo esforço de pessoas que acreditavam no futuro.
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Da luta por um ginásio à conquista de uma universidade
Durante décadas, lutamos para que o Oeste da Bahia tivesse acesso ao ensino superior público.
Fizemos reivindicações, abaixo-assinados, pedidos às autoridades. Queríamos que nossos jovens não precisassem abandonar sua terra para conquistar um diploma universitário.
E foi extraordinário acompanhar a expansão das universidades federais e da educação profissional pelo interior do Brasil durante os governos Lula, processo que também teve continuidade em governos posteriores.
A criação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, a expansão da Universidade Federal do Vale do São Francisco e a transformação e ampliação da rede dos Institutos Federais fizeram parte dessa mudança.
A Universidade Federal do Oeste da Bahia, nossa UFOB, foi oficialmente criada em 2013, durante o governo Dilma Rousseff, a partir de uma estrutura universitária que já vinha se desenvolvendo em Barreiras.
Para nós, que conhecemos a longa história de dificuldades enfrentadas pelos estudantes desta região, a presença de uma universidade federal tem um significado imenso.
Não é apenas um prédio.
É a possibilidade de um jovem estudar, tornar-se médico, professor, engenheiro, pesquisador ou seguir tantas outras profissões sem que a distância e a falta de recursos sejam obstáculos intransponíveis.
É a ciência chegando ao interior. O conhecimento criando oportunidades. É o futuro sendo construído no presente.
O que podemos aprender com a Grécia antiga?
Quero agora convidá-los a uma reflexão histórica.
Há mais de dois mil anos, na Grécia antiga, floresceram pensadores como Sócrates e Platão, cujas perguntas continuam fundamentais para a humanidade.
Quem somos? Qual é o sentido da vida? O que é a justiça? Como devemos viver em sociedade?
Mas precisamos lembrar de algo importante: aquela civilização também estava baseada em uma profunda injustiça.
Grande parte do trabalho produtivo era realizada por pessoas escravizadas, enquanto determinados cidadãos livres dispunham de tempo para dedicar-se à política, à filosofia e às artes.
Evidentemente, não podemos desejar o retorno de uma sociedade construída sobre a escravidão.
Entretanto, há uma comparação que considero importante.
Se as máquinas poderão assumir uma parcela cada vez maior dos trabalhos repetitivos, não deveríamos aproveitar essa transformação para construir uma sociedade em que mais pessoas tenham tempo e condições de estudar, criar, pensar e desenvolver suas capacidades?
A tecnologia deveria estar a serviço do ser humano, e não transformar milhões de trabalhadores em pessoas descartáveis.
Mas isso exige preparação.
Exige educação.
Exige políticas públicas.
E exige governantes capazes de pensar além das necessidades imediatas.
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A importância de aprender a pensar
Quando menciono Sócrates e Platão, não estou falando de conhecimentos distantes da nossa realidade.
Estou falando da necessidade de pensar profundamente antes de agir.
De compreender que nenhum governante é dono absoluto da verdade, da vida ou do destino de outros povos.
Se os líderes mundiais refletissem mais sobre a justiça, os limites do poder e a dignidade humana, talvez tivéssemos menos guerras, menos violência e menos sofrimento.
A educação não deve servir apenas para formar profissionais.
Ela deve formar seres humanos capazes de pensar, questionar e conviver em sociedade.
Esse é um dos maiores desafios do nosso tempo.
Por que penso em Lula quando olho para o futuro?
Lula conhece, pela própria experiência, a vida do trabalhador brasileiro.
Conhece a pobreza, a migração em busca de oportunidades e a importância de ter uma profissão.
Talvez por isso eu veja um significado tão profundo na expansão da educação pública promovida durante seus governos.
O homem que teve uma formação escolar limitada e aprendeu o ofício de torneiro mecânico ajudou, como presidente, a ampliar as possibilidades de formação de milhares de jovens brasileiros.
Para mim, esse é um dos legados mais importantes de sua trajetória.
Naturalmente, a transformação do Brasil é uma obra coletiva, construída por muitas gerações, diferentes governos, professores, trabalhadores e cidadãos.
Mas acredito que é necessário reconhecer a importância das decisões políticas que ampliam oportunidades para quem antes tinha tão poucas.
E é justamente por isso que considero fundamental pensar no futuro que queremos construir.
Que sociedade desejamos deixar para nossos filhos e netos?
Uma sociedade em que o avanço tecnológico concentre ainda mais oportunidades nas mãos de poucos?
Ou uma sociedade em que o conhecimento, a ciência e a educação sejam instrumentos de desenvolvimento e dignidade para todos?
Uma reflexão final
Quando vocês olharem para Lula, com seus cabelos e sua barba branca, não enxerguem apenas a idade ou a aparência.
Procurem refletir sobre sua história, suas decisões, suas realizações e sobre o projeto de sociedade que ele representa.
Eu vejo nesse homem uma compreensão importante: a de que o Brasil precisa preparar sua população para um mundo em rápida transformação.
Não se trata de imaginar que um presidente, sozinho, possa resolver todos os problemas.
Trata-se de reconhecer que investir em educação é uma das maneiras mais importantes de proteger o trabalhador e preparar o país para o futuro.
A história nos ensina que as sociedades mudam. As profissões mudam. As tecnologias mudam.
Mas a necessidade humana de conhecimento, justiça e dignidade permanece.
Por isso, meus amigos e minhas amigas, convido vocês a pensar.
Pensar na educação. Nos jovens. No trabalhador. Pensar no Brasil que estamos construindo.
Porque o futuro não começa amanhã. O futuro já chegou. E as decisões que tomamos hoje ajudarão a determinar quem terá lugar nele.
Com minha admiração pela trajetória de Lula e pela importância que atribuo à educação pública, reafirmo minha confiança nesse projeto de desenvolvimento para o Brasil.
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