Viagem à era da Imagética – A Nova Cultura do desejo: À beira da Loucura (com tanta informação e expectativa)

Viagem à era da Imagética    A Nova Cultura do desejo: À beira da Loucura (com tanta informação e expectativa)

Segundo o dicionário louco significa: que perdeu a razão; doido; alienado; insensato; imprudente; doidivanas; brincalhão; folgazão; apaixonado; arrebatado; furioso; indivíduo que perdeu o uso da razão; demente.

Enquanto loucura é a alienação mental com modificação profunda da personalidade; estado de louco; ato próprio de louco; temeridade; imprudência; extravagância; doidice; tresvario.

Para prof. Queila, da Universidade Paulista, loucura é a fuga do padrão comportamental tido como correto por determinação cultural. Mas o que é um padrão de comportamento correto num momento de transição, onde tudo ainda está confuso, os antigos padrões já não se encaixam perfeitamente e os novos ainda estão se formando?

Este momento de confusão é bem descrito por Melinda Davis:  “Aqui estamos nós, dentro das nossas mentes, presos pelos imperativos de nossas vidas imagéticas tentando dar sentido a uma condição humana nova e incompreensível (…) É de fato um espaço ameaçador e lotado. Lidamos todos os dias com uma incrível confusão interna. São vozes competitivas e sem corpos, todas batalhando por atenção; um constante bombardeamento de estímulos ; as engrenagens afiadas do esforço mental; a cabeça funcionando incessantemente além do horário. A mudança da realidade física para a imagética é uma experiência desestabilizadora.(…) É estímulo demais, e não dá para pressenti-lo! Muita coisa para lidarmos, e não conseguimos controla-las! Diminua o volume, você está me levando à loucura! ”.

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Imagem via Meu Mundo Peculiar

A sobrecarga de informações, o esforço para nos mantermos atualizados, a velocidade das novas descobertas tanto científicas como tecnológicas, e até mesmo a velocidade da moda, junto a uma cultura de consumo exacerbada geram uma pressão e um esforço mental que estão nos deixando exauridos. Soma-se a isso a natureza violenta de boa parte dos estímulos (77 % dos noticiários de televisão é de crime e violência e até mesmo a programação infantil é assustadora).  Desta forma além de lidarmos com problemas pessoais, locais e nacionais, acabamos envolvidos em problemas de quase todos os cantos do mundo. Para Davis, nossos cérebros são a base para o congestionamento mais nocivo de todos os tempos: um fluxo inevitável de mentes aceleradas pela tecnologia colide com uma psique humana cada vez mais exaurida.

Tal sobrecarga e pressão culminam numa infinidade de distúrbios mentais: epidemias de estresse e ansiedade; síndromes do pânico, problemas de depressão, manias nocivas e incontroláveis; hiperatividade e desordem do déficit de atenção; insônia e privação do sono, que fazem com que as pessoas trabalhem mais e durmam menos, desencadeando todo tipo de esgotamento nervoso, acidentes no trabalho e no trânsito e uma infinidade de outros distúrbios. É cada vez maior o número de pessoas que temem perder suas faculdades mentais.

Preocupamo-nos com nossas memórias, nossos estados de espírito, nossa capacidade de suportar as constantes agressões psíquicas. Temos como principal ocupação tentar manter o equilíbrio. Afinal “a humanidade passou milênios aperfeiçoando o cérebro para ser uma máquina perfeita de vigilância e reação que nos ajudasse a sobreviver no mundo físico e não no mundo imagético. (…) Toda essa pressão interna está acelerando os mecanismos que usualmente nos fazem enlouquecer. E é isso que se baseiam as características mais comuns dos nossos tempos. Estamos todos ficando um pouco loucos.

“Desta forma o instinto de sobrevivência fundamental traduz-se na preocupação com a sobrevivência do nosso o eu interior, imagético. Quando sentimos o impulso fundamental da auto preservação, estamos tentando preservar o nosso centro existencial, ou equilíbrio interior, ou integridade mental. Da nossa loucura moderna generalizada surge uma ânsia comum, única e poderosa de cura, de nos livrarmos das doenças produzidas na mente, das feridas causadas pela era que vivemos, de todas as dores e sofrimentos da era imagética, do estresse e da angústia á agonia existencial e à loucura.

Desejamos que alguém aniquile as bestas selvagens invisíveis que ameaçam a vida dentro de nossas próprias cabeças. Reconhecemos que nossas vidas agora dependem da defesa dos nossos recursos imagéticos, nossas mentes mais que nossos corpos. (…) Estamos  lutando por nossas vidas interiores . Quando ansiamos por uma segurança básica, é acima de tudo pelo equilíbrio e sanidade interiores. Desejamos superar o caos que está invadindo nosso espaço interior  mais privado, curar-nos das feridas internas e  nos sentirmos  finalmente inteiros  e felizes, no calor seguro da luz do nosso lar interior ” ( A nova cultura do Desejo p. 96)

Assim, a maioria das pessoas experimentam um  novo desejo fundamental : uma necessidade urgente de reduzir o estresse  psíquico, de diminuir  os estímulos  e desacelerar o ritmo.

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Imagem via Conversas de Andréia e Cepps

Esse panorama desencadeia um movimento de simplicidade voluntária bem como a cura das mazelas mentais através de um retorno às religiões e à antigas filosofias de vida, como a ioga, cabala, entre outros, objetivando a redução do estresse e a busca pela paz de espírito.

Nesta busca por alívio psíquico também se incluem a procura por medicamentos e drogas que diminuam os sintomas do estresse psíquicos, acalmando , diminuindo a ansiedade e nos deixando relaxados de forma instantânea. Pois incorporamos a velocidade da WEB e já não temos paciência de esperar coisa ou tratamentos em longo prazo, queremos tudo agora, já!

Na verdade, buscamos por uma experiência imagética de ápice: o estado de “O” – Estado Otimizado da Mente que para Davis  é  a manifestação suprema e cada vez mais generalizada dessa nova necessidade , é a ânsia  por alcançarmos, o que ela chama  de estado de “O”, uma  espécie de transcendência , espiritual ou não. Essa experiência é conhecida por muitos nomes: alfa, nirvana ou bem-estar que pode se traduzir em paz e felicidade. O estado de otimizado da mente é a consumação da nossa vida imagética, a experiência que nos faz sentir bem, vivos e saudáveis. É nossa capacidade de sobreviver e prosperar mentalmente, o reverso do estresse psíquico tóxico, o contrário de perder a sanidade.

Simplificando, este estado é um prazer interior máximo, o gozo da mente. (…) Essa experiência de bem estar elevado é a recompensa orgástica da nossa era imagética. (…)  Haverá um tempo em que a busca por estado de paz e felicidade direcionará todos os aspectos da nossa vida . O “O “ será a nossa maior recompensa, e o anti “O” o principal perigo a ser evitado. A nossa sobrevivência dependerá disso. (…) A necessidade de sobrevivência e satisfação psíquica e espiritual determinará até mesmo como será a convivência humana.

“Na tradição hebraica, o círculo é a unidade, a essência fundamental da divindade. Na tradição cabalística, o “O”representa as Sefirot, as esferas das emanações da divindade no mundo. Na tradição tibetana é a tigela sonora, a roda de oração (…) Em várias tradições é a roda da vida , a grande mandala. Na tradição cristã é o labirinto em círculos infinitos, representado de forma mais grandiosa nas catedrais góticas, como a de Chartres, e de forma mais íntima nos jardins dos monastérios. A tradição cristã céltica acrescenta um círculo à cruz.O círculo aparece com mais força na tradição do xamanismo céltico, representando a entrada para o túnel através do qual se faz a grande viagem para o encontro do eu. É a forma do círculo do tambor, do círculo de cura do círculo da lua cheia. No mundo do sufismo mulçumano é o giro, círculo giratório do próprio eu.” ( Davis, 2002)

Leia  tambéma Parte 1: Viagem a era da Imagética – A nova cultura do Desejo e a realidade virtual

Viagem à era da Imagética    A Nova Cultura do desejo: À beira da Loucura (com tanta informação e expectativa)Imagem via Wall Desk

Viagem na Era da Imagética  foi baseado no livro A Nova Cultura do Desejo de Melinda Davis, o corpo  do tema bem como demais conceitos do trabalho foram desenvolvidos através de resumos e transcrições das idéias deste livro que mais me tocaram, associadas  a pesquisas em alguns outros livros, Internet, discussões em família e minhas próprias reflexões. As ilustrações foram escolhidas de forma a inspirar cartela de cores, texturas e outros aspectos práticos da coleção para o desfile de formatura.)

Trecho do TCC, Trabalho de Conclusão de Curso, de  Denise  Pitta de Almeida na Faculdade de Moda da UNIP em 2004.

Imagem de abertura via O Universo em Palavras

Leia  tambéma Parte 1: Viagem a era da Imagética – A nova cultura do Desejo e a realidade virtual

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Publicação: 10 de abril de 2011

AUTOR

Denise Pitta é digital Influencer e é editora do Fashion Bubbles. Estilista, formada em Moda e Artes Plásticas, atuou em diversas confecções e teve marca própria de lingeries, a Lility. Começou o blog em 2006 e está entre as primeiras blogueiras brasileiras da moda. Também desenvolve pesquisas sobre História e Identidade Brasileira na Moda e Psicologia Analítica. É apaixonada por filosofia, física quântica, psicanálise e política. Siga Denise no Instagram: @denisepitta e @fashionbubblesoficial

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