Uniban: A vitória da Intolerância

Não bastasse ter sido hostilizada por seus colegas e professores por estar usando um vestido curto, a aluna da Uniban, Geisy Arruda, 20 anos, acaba…

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burka

Não bastasse ter sido hostilizada por seus colegas e professores por estar usando um vestido curto, a aluna da Uniban, Geisy Arruda, 20 anos, acaba de sofrer mais outra violência. Após sindicância interna, a Uniban conclui que a culpa pelo episódio foi da própria aluna, que será expulsa da universidade por “flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”.

Em entrevista ao blog do jornalista Josias de Souza, o advogado da reitoria da Uniban, Décio Lencioni Machado, disse que a aluna “sempre gostou de provocar os meninos. O problema não era a roupa, mas a forma de se portar, de falar, de cruzar a perna, de caminhar”.

Peraí, que parece que não entendi direito… A vítima é que foi expulsa e não os agressores, dentre os quais se incluíram até alguns professores?

O tumulto foi filmado e os vídeos acabaram na internet. Veja o vídeo e choque-se por você mesmo…

O mais chocante, para mim, é à uma certa altura ouvir uma voz feminina que diz: “Ela está chorando, gente…” ao que outra garota responde: “Ah, dane-se!”. A aluna, ameaçada pelos colegas que uivavam como animais, “Puta, puta, puta!”, teve que sair sob a proteção da Polícia Militar. Mas tanto escândalo por um microvestido rosa? Mais parece que estamos numa sucursal do Taliban e não no país das letras impublicáveis do funk carioca proibidão ou do duplo sentido do “rala-o-pinto” baiano.

O bullying, termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados com o objetivo de intimidar ou agredir uma pessoa ou grupo incapaz de se defender, está se tornando uma verdadeira praga entre as escolas de todo o mundo. Pais, dirigentes e sociedade unem-se para proteger suas crianças e adolescentes dessa violência brutal que muitas vezes deixa sequelas incuráveis nas vítimas.

É bom que se diga que a intolerância contra a mulher e os diferentes (gays, deficientes, negros, estrangeiros, dissidentes, entre outros) não é privilégio dos alunos, professores e direção da Uniban. Episódios de preconceito e violência acontecem todos os dias, em todas as partes. Quem ousa ser diferente, ou não pode ser de outra forma, já sentiu na pele o preconceito e sabe que cuidado é bom e conserva os dentes. Literalmente. Quem é gay sabe que no dia seguinte a qualquer parada gay, apesar dos milhões de pessoas na rua, é bom ser discreto e nada de “ofender” os outros à sua volta com demonstrações públicas de afeto.

O absurdo neste caso é a própria instituição juntar-se aos agressores para praticar mais uma violência contra a garota que ousou “desrespeitar a moralidade publica” usando um vestido curto. Um vestido ofende a moralidade pública num país de Sarneys, Calheiros e que tais? Que diabos de universidade é esta, que ao invés de ensinar tolerância e respeito prega esse conservadorismo medieval? Vamos voltar a caçar e queimar as mulheres, homossexuais e dissidentes, como na Idade Média?

A tal universidade, claro, já está tentando apagar o vídeo da Internet. De acordo com artigo do site G1, uma equipe de quatro funcionários já trabalha para rastrear os vídeos do YouTube desde quarta-feira (28). Assim que os arquivos são localizados, diz a universidade, os funcionários entram em uma área do próprio site e pedem sua despublicação. O blogueiro que revelou o caso, autor do Boteco Sujo, diz sofrer ameaças. Mas querer controlar a Internet, como já sabemos de outros episódios, é como querer controlar o vento…

O único consolo neste caso é saber que, graças à Internet, toda vez que algum candidato incauto fizer uma busca sobre a Uniban, universidade privada de São Bernardo do Campo (SP), tomará conhecimento do episódio e ficará alertado de que na expressão “universidade privada” talvez esteja faltando um hífen.

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