Eu tomei o chá do Santo Daime, mas só vi “deus” lá na SPFW

Eu tomei o chá do Santo Daime, mas só vi deus lá na SPFW
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Eu tomei o chá do Santo Daime, mas só vi deus lá na SPFW
Eu tomei o chá do Santo Daime, mas só vi deus lá na SPFW
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Eu tomei o chá do Santo Daime, mas só vi deus lá na SPFW
Eu não entendo nada de moda, só vou pela farra e pelas comidinhas, principalmente pelas comidinhas. É pecado?

Aquele é um ambiente fantástico, lindo e superproduzido. Não tem como não se impressionar. Fora todo o glamour, há sempre a expectativa de cruzar e ver de perto alguma celebridade. E elas estão lá. Para um cabeleireiro famosíssimo (até eu conheço) ouvi a pergunta: “De onde te conheço mesmo?”, “Daqui!”. Foi o que ele respondeu. Simples, não é?

Penso eu que para alguém famoso é um saco o tempo todo alguém vir com toda aquela intimidade de velho conhecido puxando assunto, mas pior do que isso é não ser reconhecido. O “daqui” pode ser: “De nenhum lugar mocinha” ou esnobemente “Não pode ser do meu salão, obviamente”.

Ali há também, a reprodução perfeita da sociedade, vamos aos times.

  • Primeiro, os times na entrada:

Os voyers – Estes são os que ficam do lado de fora. Eles só querem dar uma espiadinha, ficam do outro lado da rua. Não tem convites para entrar. Ficam babando olhando para os que estão na fila, com seus convites em punho.

Os que conhecem alguém (Eu) – aqueles que de alguma forma, são bem relacionados com alguém que lhe cedeu um convite. Acredite, isso é uma grande coisa e bem difícil de ser conseguida. Conseguir um convite pode ser uma tarefa bastante árdua. Os que conhecem alguém têm que ficar na fila pra entrar. E por este motivo ficam igualmente babando para o próximo grupo.

Os que entram – São aqueles que não pegam fila e fazem as pessoas da fila pensarem: Quem são e por que eles podem entrar direto? Ainda assim, apesar dos privilégios, esta seleta trupe continua sujeita a ficar babando pelo próximo grupo.

Os que são – Este grupo pode entrar pela porta da frente, por trás, por uma porta qualquer. São donos de grife, os famosos, pessoas verdadeiramente importantes para o evento. Seus rostos e crachás abrem qualquer porta. Nunca andam sozinhos. Tem sempre alguém para recolher os suvenirs, reparar o cabelo ou ajeitar a roupa.

Eu tomei o chá do Santo Daime, mas só vi deus lá na SPFW

  • Lá dentro os times se subdividem:

Os que estão a trabalho – Nesta primeira subdivisão, eles não estão preocupados com o modelito, estão lá pela obrigação. São staffs dos lounges, outros com câmeras ou filmadoras e tantos outros trabalhadores…

Os que estão a trabalho com poder – são guardiões das entradas dos lounges, organizadores, etc. Se você não tiver o convite para entrar naquele lugar, eles podem permitir sua entrada. Sim, ter acesso a SPFW não significa que vai poder entrar em todos os lugares. Entrar é apenas uma das barreiras. Estes trabalhadores com poder, distribuem mimos exclusivos para os mais chegados e podem te permitir entrar sem o convite. Ter a chance de conhecê-los, é também poder conhecer mais intimamente, o que há por trás de um curso de uma grande escola, ou da editoração de uma revista ou a estratégia de marketing de uma marca de sandálias…
Os que estão a trabalho e são – este é o grupo minoria que faz acontecer. São estes que dão credibilidade as marcas e agregam valor aos produtos e serviços. São famosos de todos os tipos, por diversas razões e alguns acasos acabaram tornando-os famosos. Mais do que roupas, foram estes que fomos ver. Abrilhantam a festa e a tornam o que ela é, um dos maiores acontecimentos do país.


  • Os grupos dos que não estão a trabalho:

Os comuns – (Eu) estão vestidos com a roupa de ir à missa e com a mesma roupa podem ir a um restaurante. Estão atentos a tudo, principalmente, ao formar alguma “rodinha”. Lembre-se, se formou zum zum zum, é sinal de que há alguém lá, que mereça ser visto. Quem será?

No reino Fashion Week, os desta subdivisão, por ordem de importância, não são ninguém. E não fazem mais do que a obrigação em pagar os 40% de carga tributária.

Os desencanados, antenados, alternativos, estranhos e etc – fazem parte do grupo que também não é ninguém no reino da SPFW, mas usam roupas e adornos que vão além do improvável. Nesta edição um deles montou seu traje com uma melancia na cabeça. Particularmente achei o máximo de autenticidade. Estas são as pessoas que querem e precisam ser vistas a qualquer custo.

As maravilhosas – também não são famosas. São mulheres (e alguns homens) que pelo corpo, perfume, cabelos, jóias, bolsas e roupas são elas que bancam toda a festa. São formadoras de opiniões e grandes consumidores, gostam de tudo que o famoso gosta. Também pagam os 40% de encargos, mas continuam maravilhosas.

Os famosos – estes são o máximo do evento. Estão a distância de tocar com a mão, já pensou? Já pensou você poder perguntar para um famoso… É… Hã… Ah! Sei lá… O que posso perguntar? Vem sempre aqui? Poupe-me. Se não tiver nenhuma pergunta você elogia e pronto! Fez sua parte.

  • No grupo dos que são:

Os quase famosos – Ex BBB que marcou presença apenas no dia do paredão e não ganhou o milhão. O cabeleireiro que é famoso, mas que ainda não apresenta nada na televisão…Sempre são convidados para os mais variados eventos. A pele, o cabelo, o cheiro e a roupa lhe conferem o status de divindade.

Os famosos – Estes são famosos por mérito. Servem de exemplo. Alguns podem rir com simpatia para todos ou não rir para ninguém, de qualquer forma eles podem. Os quase famosos, quando encontram os famosos, fazem reverência. Os flashes mudam o foco. Dica: Este é o momento para você encostar a mão ou pedir um autógrafo para o quase famoso. Com os corpos absurdamente bem cuidados, mesmo as guloseimas mais tentadoras são provadas, mas as porções tão minúsculas que os assessores tem que lhes dizer o gosto que tem.

Os – Estes são a própria definição de SER. Nem precisa traduzi-los a um nome, são como o você-sabe-quem dos filmes do Harry Potter. O desfile pode atrasar em uma hora e atrasa em nome desta celebridade, ou por causa dela – a marca que ela defende agradece. Esta é quem consegue colocar ordem no caos. Sim, pois os jornalistas estão dispersos e cansados, os comuns estão tomando café, comentando sobre o time do Dunga. Os quase e os famosos estão brilhando e até os trabalhadores que rezam pelo fim… De repente, é ela!

Só ela e mais ninguém. Foi aí que eu vi deus. E nem foi pessoalmente, foi pelos vídeos – conseguir o convite de acesso ao desfile é mais uma das difíceis “fechaduras” da SPFW, ou você acha que basta ter um convite de acesso a porta principal e pronto? Não consigo opinar se a roupa que ela usava era digna da mais alta divindade, mas ela arrasa, quebra tudo, mesmo!

Eu tomei o chá do Santo Daime, mas só vi deus lá na SPFWEu tomei o chá do Santo Daime, mas só vi deus lá na SPFW

Por Vinícius Moura

Publicação: 23 de junho de 2008

AUTOR

Vinicius é empresário do setor de auto-peças.

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