Pequei por pensamentos, palavras, atos e omissões…Por minha culpa.

É muito comum em todas as situações de discussões, perdas de dinheiro, quando se quebra algo, quando não sabemos o caminho ou em qualquer momento em que algo não sai exatamente como pensamos ou idealizamos queremos encontrar um culpado.

Há aqueles que assumem toda a culpa e querem carregar o mundo nas costas. “A culpa foi minha, pois deveria ter feito isto ou aquilo”. Quase querendo ser uma mãe-de-santo – “Deveria ter previsto isto antes”. Quantas chibatadas eu mereço?

Outros já se especializaram em culpar quem estiver a mão. A culpa foi dele que não fez como eu recomendei….ou dela pois deveria ter pensado antes…..”Eu bem que te disse” “Se tivessem me ouvido…..a culpa é sua”.

Mais interessante é quando damos vida a algumas entidades e as culpamos pelos problemas do mundo de forma a nos exorcizamos do mal-estar de saber que a vida não é da forma que queremos, planejamos ou a idealizamos. “A culpa é do governo”! “A culpa é da história do pais”, “A culpa é das multinacionais”…(alguém ainda fala isso?!)

Nossa cultura judaico-cristã muitas vezes não nos permite refletir sobre as imperfeições, o não saber, o obscurantismo, as diferenças que mais e mais se afloram no dia-a-dia.

Se o seu dia não foi bom, pode ser que você tenha apenas acordado mal-humorado (a); se algo no trabalho não está dentro de sua expectativa pode não ser culpa exclusiva de seu chefe, colega ou cliente. No relacionamento afetivo (casal ou família) é ainda mais comum tentar achar o culpado ou os culpados para púni-los e castigá-los no intuito de se livrar do mal instaurado.

Minha reflexão tem o objetivo de fazer com que possamos enfrentar com coragem e força os problemas e obstáculos em nossas vidas e não encará-los como uma batata-quente. Não quero encorajar-los a assumir uma visão “Poliana” ou “autista”, tentando agir com “positivismo”, ignorando os problemas ou mesmo reprimindo os sentimentos mais legítimos que se manifestam nestas horas, como raiva, frustração, mágoa, tristeza. Ao contrário, quero motivá-los a serem mais pragmáticos em um momento histórico que nos pede atitude.

Assim, caso seu projeto tenha fracassado, avalie quais foram os fatores internos e externos para ter sucesso no próximo. Se a sua carreira não decolou, converse com amigos, especialistas, leia, pense antes de se afundar em uma forte depressão, penso que sua vida pode dar uma grande guinada. Se errou o caminho para chegar a algum lugar, tente novas alternativas e aproveite para conhecer a cidade….se estiver atrasado por este motivo, peça desculpas mas não acredite que o mundo se acabará naquele instante.

Nos relacionamentos a situação pode ser ainda mais difícil por envolver mais de um mundo (interno/externo) e o dialogo ainda é a melhor solução mesmo que a decisão não seja a esperada, sonhada….enfim é muito simplório e fácil acreditar que existe sempre um único culpado na relação – casal, pais-filhos, sociedade, etc.

Há sempre uma razão consciente e/ou inconsciente para nossas ações, entretanto a culpa que herdamos de uma cultura, crença ou intolerância pode nos afastar do real motivo e nos fazer sempre nos esquivar daquilo que é próprio da vida. Da minha, da sua e da nossa vida!

Pense nisso nessa Quarta-feira de Cinzas.

Publicação: 21 de fevereiro de 2007

AUTOR

Psicanalista e economista, com pós-graduação em Administração pela USP e Marketing pela ESPM. Tem MBA em Gestão Internacional pela Thunderbird School of Global Management‚ Arizona‚ USA e formação nas áreas de Psicologia e Filosofia.

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