O Futuro da Moda Brasileira

 O Futuro da Moda Brasileira

A entrevista coletiva de abertura do São Paulo Fashion Week Inverno 2008 em que estavam presentes Paulo Borges, os patrocinadores e os organizadores do evento foi marcada pela euforia em torno da presença de novos investidores no setor da moda. A motivação para atrair esses investimentos é resultante do crescimento sustentável da economia brasileira e da maturidade do próprio setor.

A moda começa a atrair olhares de investidores profissionais, o que marca um novo momento. Entretanto, é considerada adolescente e ainda tem um longo percurso pela frente. Chegou a hora de não mais pensar apenas em termos de arte e criação, mas também de avaliar a indústria em termos de negócio.  Esse é o grande desafio do momento – fazer com que as marcas brasileiras se submetam a novas formas de gestão, sem perder o espírito de inovação, criação e estilo. Assim começa o casamento entre o dinheiro e a experiêcia da Moda!

Segundo um dos presentes, ainda é uma tendência da moda “andar de salto alto”. Para ele, este é o momento de ter cautela; de menos sonhos e expectativas realistas. Se o salto ficar muito alto, a queda pode ser grande! Mas essa indústria precisa se tornar madura e oferecer resultados sólidos para que todo esse crescimento se mantenha e não seja apenas um “vôo de galinha”, como também foi comentado durante o evento.

O processo de fusões e aquisições que está ocorrendo entre as marcas brasileiras mais prestigiadas é um grande sinal de amadurecimento do setor. Não são motivadas por problemas econômicos, mas pela necessidade de redução de custos, de aumento do poder de barganha e da busca do tão sonhado tripé para exportação – melhor preço, melhor qualidade e estilo.

Para Paulo Borges, em cerca de 10 anos começaremos a distribuir nossos produtos pelo mundo inteiro, veremos lojas e corners de marcas brasileiras em lojas de departamento pelo mundo e também teremos anúncios dessas marcas nas grandes revistas internacionais.

O negócio da moda no Brasil é fácil de ser criado (o que explica a grande fragmentação do setor), mas difícil de ser desenvolvido e administrado. É um negócio caro, segundo Borges. Mas esse panorama será modificado com o movimento das fusões e a indústria ficará cada vez menos pulverizada.  Será mais difícil começar novas marcas, mas por outro lado haverá maiores oportunidades de carreira dentro dos grandes grupos que se formam. A profissionalização será o grande ganho da indústria da moda brasileira.

Matéria baseada nos depoimentos feitos na coletiva de imprensa da São Paulo Fashion Week Inverno 2008.

Por Denise Pitta

Publicação: 18 de janeiro de 2008

AUTOR

Denise Pitta é digital Influencer e é editora do Fashion Bubbles. Estilista, formada em Moda e Artes Plásticas, atuou em diversas confecções e teve marca própria de lingeries, a Lility. Começou o blog em 2006 e está entre as primeiras blogueiras brasileiras da moda. Também desenvolve pesquisas sobre História e Identidade Brasileira na Moda e Psicologia Analítica. É apaixonada por filosofia, física quântica, psicanálise e política. Siga Denise no Instagram: @denisepitta e @fashionbubblesoficial

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