Imagens Fotográficas: Fotografia Publicitária- Parte 2

Imagens Fotográficas: Fotografia Publicitária  Parte 2

Quanto às imagens publicitárias, dividimos em dois grupos, as fotografias publicitárias que comentam sobre novos produtos, orientando sobre sua função, indicando onde e como usar, onde comprar, quanto pagar, informando os diferentes fabricantes e fornecedores no comércio de varejo, ou seja, quem fabrica, quem vende e quanto pode custar.

Chamo esse tipo de imagem, de publicidade pedagógica, lembrando que sua função enquanto imagem é parte integrante de estrutura da mídia impressa, que tanto informa quanto induz ao consumo. Sua informação diversificada está associada à diversidade do público leitor da revista, que é diverso na condição social, no poder de consumo e na possibilidade de aquisição dos diferentes produtos informados, devido ao descompasso entre a circulação da mídia e a distribuição das marcas anunciadas em todo o território nacional, e é construída também para oferecer variedade de combinação de produto acompanhada de variedade de preço.

Imagens Fotográficas: Fotografia Publicitária  Parte 2

Atuando mais como referências de padrão de elegância do que veiculação de marca, as fotografias publicitárias pedagógicas são verdadeiros termômetros de composição de moda e preço. É importante esclarecer que, em geral, as imagens pedagógicas são montadas com produtos oferecidos pelas marcas dos anunciantes daquela mídia misturados com outros que são facilmente encontrados nas cadeias de lojas que estão espalhadas pelas maiores cidades do país. No caso da Revista Capricho, é nesse grupo de imagens que se veicula a informação, também publicitária, dos produtos que levam a marca Capricho, e que são comercializados via Internet.

Já o que normalmente se considera fotografia publicitária de marca é a imagem construída para veicular uma marca e seus produtos, sendo que esse tipo de imagem tem sempre um discurso social com forte carga moral. De todas as fotografias de moda, a publicitária é a que expressa melhor a condição fotográfica, verdadeiramente mimética. Ao se apresentar em um cenário de sonho, dialoga com os desejos mais confessos e os mais obscuros de quem a vê.

Imagens Fotográficas: Fotografia Publicitária  Parte 2

Tanto Barthes, em sua vasta obra, quanto Sontag (2004) lembram que na fotografia as imagens se estabelecem como personagens por causa da semelhança com seres humanos, suas ações e o mundo que os cerca. Para Barthes (1984) é por isso que ela nos anima embora não seja ela animada, sendo que o que nela nos anima, é a imagem de nós nela contida. Diz ainda que a fotografia é objeto de três praticas: FAZER, SUPORTAR, OLHAR.

O operador é o fotografo, o espectador somos nós e o alvo do olhar tanto do fotógrafo quanto do espectador é o referente, espécie de pequeno simulacro. Barthes (1984) fala do referente como o Spectrum da fotografia e usa esta palavra pela associação com sua raiz latina, espetáculo.

O operador limita, enquadra e coloca em perspectiva o que ele quer captar, que é sempre uma visão recortada pelo buraco da câmera escura, pelo sujeito que olha. No caso da fotografia de moda, o operador precisa limitar, enquadrar e colocar em perspectiva a relação entre a leitora e o anunciante, captando o desejo da leitora e cenografando no produto anunciado, fazendo daquele pequeno pedaço de papel um palco capaz de suportar seu desejo, seu sonho que quer se realizar.

O fazer fotográfico da imagem publicitária, tem todo um projeto estético de cenógrafo, onde não se separa o captador da imagem do dramaturgo que simula a cena. Esta função congrega domínio da espacialidade, uso de luz, sombra, perspectiva, movimento e construção de texto, que é cultural, e por tanto, tem que conter pontuações sociais, psicológicas, geográficas e afetivas.

Uma fotografia publicitária deve conter uma dramatização completa, com personagens, cenário, e algumas vezes, até falas, sendo que tudo isso, deve reproduzir o sujeito olhado como gostaria de ser olhado ou o que gostaria que olhassem nele, e por tanto, como diz Barthes (1980) injetando nela qualidade moral ao jogo social. Ver-se a si mesmo na escala da história, é para ele, a maior qualidade da fotografia, e ai a fotografia de moda cumpre explendidamente seu papel enquanto imagem da cultura, por que reflete o anseio do indivíduo de inserção no conjunto social e no seio do grupo.

Imagens Fotográficas: Fotografia Publicitária  Parte 2

Quanto à fotografia de editorial de moda, é a menina dos olhos de todo o fotografo, o tipo de imagem que todos sonham construir, ela tem a maior liberdade de uso expressivo, uso de equipamento, de cenografia e de dialogo estético. Sua função é veicular tendência de moda, dialogar com o desejo da leitora dentro do espaço mais onírico da revista. Seu vínculo com o real é o tema da edição, os objetos a serem usados são os produtos dos anunciantes, mas não existe nela a veiculação da marca nem o compromisso com os índices de comercialização, sua função é formar opinião, trabalhar antecipadamente formando o novo gosto, induzindo novo padrão de cultura e imagem. A fotografia dos editoriais é a imagem da moda, é nela que está o poder de criar a nova gíria da linguagem do corpo.

Por Queila Ferraz

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(Queila Ferraz Monteiro é estudiosa de História da Moda, é consultora de design e gestão industrial para confecção e Professora de História da Indumentária e Tecnologia da Confecção dos cursos de moda da Faculdade Belas Artes, Senac Moda)

queilamoda@yahoo.com.br

Publicação: 30 de agosto de 2007

AUTOR

Queila Ferraz, Coordenadora Geral do Curso de Design de Moda da UNIP, foi professora da Universidade Anhembi Morumbi e dos cursos de pós-graduação de Moda do Senac. É historiadora de moda, especialista em processos tecnológicos para confecção e consultora de implantação para modelos industriais para a área de vestuário.

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