Moda Enfrenta o Sistema

Moda Enfrenta o Sistema

O Irã adotou um código que restringe a população de se vestir ou pentear livremente, sancionando os infratores com multas e até mesmo a prisão. No entanto, uma parte da população, fundamentalmente mais jovem e urbana, procura dentro do possível aceder a artigos de moda e informação sobre as tendências ocidentais.

Ao longo dos últimos meses, as autoridades no Irã têm apertado o cerco sobre os iranianos que violam o código de vestuário adotado pelo país, o qual exige que, por exemplo, as mulheres utilizem um lenço para tapar o cabelo e proíbe os homens de usarem camisas de manga curta ou gravatas. Mas esta situação não impede muitos homens e mulheres de se vestirem de acordo com os seus gostos pessoais e as tendências da moda. Com feito, parece que quanto mais as autoridades obrigam ao cumprimento do código, mais os iranianos querem ultrapassar os limites da moda pessoal, mesmo correndo o risco de serem multados e até presos.

A polícia iraniana detém frequentemente pessoas, acusando-as de «vestuário e corte de cabelo impróprio». No entanto, são muitas as que acedem às tendências de moda internacional a partir dos canais de televisão por satélite, revistas e viagens ao estrangeiro. Existem diversos casos de pessoas que se vestem de forma modesta em público, deixando para as ocasiões sociais privadas as roupas de moda e os penteados de “último grito”.

Teerão está repleta de lojas de moda que oferecem vestuário ao estilo ocidental, incluindo os minúsculos tops e as calças justas, apesar do uso deste tipo de artigos ser proibido. Empresas bem conhecidas como Christian Dior ou Armani têm sucursais no Irão, onde vendem os seus cosméticos. No entanto, não vendem roupa directamente, a qual é muitas vezes especialmente encomendada através de lojas privadas.

Aparentemente, nada consegue desencorajar os iranianos de tentar vestir-se de acordo com a moda, nem as leis, nem a polícia, nem sequer os preços exorbitantes das peças de marca. No entanto, para os que não podem, ou não querem, pagar 600 dólares por um par de sapatos de designer, facilmente encontram uma réplica exacta por 60 dólares, sendo o mesmo válido para vestidos, tops e casacos.

De acordo com Iraj Jamsheedi, uma jornalista iraniana independente, muitos iranianos, especialmente os habitantes urbanos, estão cada vez mais frustrados com a ingerência das autoridades na sua vida privada. «Muitas pessoas ignoram as regras tanto quanto podem, simplesmente para protestar por estas e outras restrições sociais», acrescenta Jamsheedi.

Neelofar, uma residente de Teerão com 23 anos de idade, diz que foi detida pela polícia num centro comercial no Verão passado por vestir «um par de calças demasiado curto e mostrar demasiado cabelo debaixo de um lenço de cabeça colorido e não suficientemente amarrado». A jovem iraniana revela que foi levada para uma esquadra da polícia, juntamente com outros infractores do código de vestuário. Os agentes da polícia chamaram os pais de Neelofar, que trouxeram um casaco comprido para a sua filha e fizeram uma promessa por escrito de que jamais voltaria a violar a lei.

No entanto, Neelofar tinha uma ideia diferente, optou por não obedecer ao código de vestuário, mas passou a deslocar-se de carro ou autocarro, evitando andar demasiado nas ruas, onde normalmente ocorrem as detenções.

Jamsheedi considera que o movimento de impor o código do vestuário, faz parte de um esforço mais amplo para o controlo da sociedade. «A situação no Irão não é simples», explica a jornalista baseada em Teerão. «Uma revolta social pode irromper a qualquer momento. As autoridades querem impedir tal agitação apertando o controlo sobre a vida das pessoas».

Matéria do site Portugal Têxtil.

Leis Suntuárias

Na era medieval os Éditos Suntuários serviam  para impedir as classes pobres de se vestirem como os nobres, visando monopolizar o poder e difilcultar, para não dizer impedir, a mobilidade entre as classes sociais e principalmente enfatizar uma hirerquia das condições.

Hoje elas  são um retorno aos tempos mais remotos da humanidade, servem para reprimir e demonstram o desejo desesperado de uma pequena parcela que quer se manter no poder através da opressão.

Sobre as leis Suntuárias na Histórias

“A partir de 200 a.C, surgem as primeiras leis suntuárias, trazendo leis que regulamentavam a vida das pessoas, restringindo, por exemplo, o número de convidados que se poderia ter em um banquete, ou a quantidade de ouro que podiam possuir. Essas regras visavam, sobretudo proteger os interesses hierárquicos da pirâmide social, visto que essas leis só valiam para aqueles que podiam ameaçar as classes altas.

Também no Cristianismo, o luxo era considerado pecado, visto que os prazeres sensoriais levavam ao sexo.

Ainda no período da Idade Média, iniciada em 476 d.C, as leis suntuárias permaneciam, agora já espalhadas pela Europa, restringindo o uso de determinados objetos, com a clara intenção de preservar a alta hierarquia.”  (Do blog Sara Bolseira)

Leia também Um Histórico da Moda.

Publicação: 26 de março de 2008

AUTOR

Denise Pitta é digital Influencer e é editora do Fashion Bubbles. Estilista, formada em Moda e Artes Plásticas, atuou em diversas confecções e teve marca própria de lingeries, a Lility. Começou o blog em 2006 e está entre as primeiras blogueiras brasileiras da moda. Também desenvolve pesquisas sobre História e Identidade Brasileira na Moda e Psicologia Analítica. É apaixonada por filosofia, física quântica, psicanálise e política. Siga Denise no Instagram: @denisepitta e @fashionbubblesoficial

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