Pierre Cardin no Brasil – A vida e a história deste grande criador do século XX

Pierre Cardin no Brasil   A vida e a história deste grande criador do século XX

Pierre Cardin fala sobre carreira e fatos marcantes da sua história

Em uma oportunidade única de estar perto e ouvir um dos gênios da nossa época, a coletiva de emprensa com Pierre Cardin foi algo engrandecedor, que nos proporcionou conhecer um pouco da vida e da história deste grande criador do século XX.

Pierre Cardin veio ao Brasil para a inauguração da exposição que leva o seu nome, que fica em cartaz de 29 de abril a 29 de maio, no shopping Iguatemi, em São Paulo com entrada gratuita, e também para a realização de um grande desfile de alta costura e a palestra Cardin por Cardin. Durante a coletiva de imprensa, o costureiro revelou momentos marcantes e curiosidades sobre sua trajetória. Veja alguns trechos da coletiva:

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“Cardin foi o primeiro estilista a apresentar uma coleção de prêt-à-porter, (roupas prontas para vestir que proporcionaram a democratização da moda) e a criar uma coleção unissex. Nos anos 1960/70 fez os ternos dos Beatles, os uniformes da NASA e as famosas roupas Cosmocorps, revolucionando o modo de vestir de homens e mulheres; uma mudança cujos efeitos perduram até hoje”.

Cardin começou contando um pouco da sua carreira, afinal ele é um dos mais antigos e agora o mais velho costureiro de Paris. “Eu fui um dos primeiros. Minha carreira começou com Christian  Dior em 1946, fui empregado dele e começava às 8h da manhã até as 9h da noite. Fui ator, dançarino e tive a chance de conhecer grandes gênios e trabalhar com eles, e é claro que todos eles já estão mortos”, brincou Cardin, em referência a sua longevidade – ele está com 88 anos.

“Minha vida inteira trabalhei na costura e nunca tive nenhum investidor. Muitos outros costureiros tiveram. Tudo que eu fiz foi por mim mesmo, meu trabalho foi desenvolvido por mim. Fui um costureiro que manteve sua maison sozinho, o que me deu muita liberdade, mas também muitas responsabilidades”.

Cardin relembra que começou com Christian Dior e que, naquela época, faziam desfiles de costureiros. Com o tempo ele mudou e passou a se interessar pelo cosmos, os cosmonautas e pela parte científica. “Eu gosto de ver a mulher na lua”, comenta o costureiro que também estudou a história do costume, visando conhecer o que já havia sido feito, sempre com o objetivo de fazer diferente.

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“As roupas que eu prefiro são aquelas que eu invento para uma vida que não existe ainda, para o mundo de amanhã”. Pirre Cardin – Criações de 1968

“Eu viajo pelo mundo inteiro, China, Japão…vi príncipes, vi reis. Fui um dos primeiros a visitar a Rússia em 1963, ainda quando era um país fechado no comunismo. Sempre me interessei pelo comunismo, pois como capitalista, via uma filosofia interessante, mas que estava fadada ao insucesso. É uma bela filosofia, mas a igualdade não existe: sempre existirão os melhores fotógrafos, os melhores costureiros, pessoas que sabem fazer as coisas da melhor forma”.

“Trabalhei com Dior por três anos, mas acabei me interessando mais por teatro e cinema. O que eu mais gosto é fazer figurinos, pois fui ator e dançarino. Fazendo figurinos estou aproximando as pessoas. Trabalhei no filme a Bela e a Fera e aprendi muito com isto. Também trabalhei com cinema aqui no Brasil, como ator no filme Joana a Francesa em 1973″.

“Por tudo isso comprei um teatro. As pessoas pensam: mas como um costureiro pode ser diretor de teatro? Já faz 45 anos que sou diretor de teatro e é o que mais gosto de fazer”.

Pierre Cardin comprou quatro teatros e fez produções no Brasil, no México, Alemanha, NY e Itália. Atualmente está produzindo Casanova. “Resolvi produzir Casanova porque sou de origem italiana, de Veneza. Fui para a França com dois anos, mas nunca esqueci as origens da Itália”.

Cardin acredita que o Brasil tem muitos italianos por isso ele se sente em casa e já veio ao Brasil cerca de 15 vezes. “O irmão da minha mãe veio morar em São Paulo em 1922”, conta Cardin.

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Em 1946, Cardin, na época com 24 anos, trabalhou no filme La Belle et la Bête (A Bela e a Fera), em adaptação de Jean Cocteau.  Via On this day in Fashion

Sobre o Prêt-à-porter

“Esse foi o início da minha carreira e já tenho 88 anos. Tive muito sucesso, nunca tive um fracasso. Parti da alta costura e passei para o Prêt-à-porter. Com a alta costura perdi muito dinheiro, mas com o Prêt-à-porter sempre ganhei, o que me permitiu fazer alta costura depois”.

“De certa forma, fui um pouco socialista e sempre pensei na possibilidade de que as pessoas pudessem comprar meus vestidos. Os vestidos de alta costura são muito caros e a maioria das pessoas não tem possibilidade de comprar. Não é o vestido que é caro, mas os custos gerais para fazer o vestido”.

“Então acabei passando para o Prêt-à-porter, o que permitiu ir às grandes lojas de departamento na Itália, no Japão, na Alemanha. Mas, todas as grandes lojas têm regras, tem sindicatos, entretanto eu escolhi o Prêt-à-porter”.

“O Prêt-à-porter me permitiu sobreviver e continuar fazendo minha criação. O que me fez sair da câmera sindical da alta costura. Eu era muito jovem e pensei muito no que deveria fazer, mas eles achavam que o Prêt-à-porter não respeitava a alta costura.”

Sobre este dilema, Pierre Cardin viu que o formato da alta costura não funcionaria para ele – “Sempre fui uma pessoa com muita ambição e muito trabalhador, sempre gostei de trabalhar muito e pensei ‘não vou perder’, então decidi pelo Prêt-à-porter.”

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A marca Pierre Cardin

“Eu fiz uma griffe. Griffe em francês quer dizer arranhão, mas eu não queria que fosse só um arranhão, que depois de 15 dias passa. Eu queria que fosse uma marca francesa que verdadeiramente ficasse. E minha marca foi para diversos produtos, como chocolate, hotel, água, sardinha”.

O costureiro recebeu muitas críticas porque estava colocando a marca naquele tipo de produto, mas Cardin passou pela Segunda Grande Guerra Mundial e para ele, uma lata de sardinha tem mais valor que um frasco de perfume:

“Escolhi a sardinha. O perfume existe, mas a sardinha é muito mais necessária. Participei da Cruz Vermelha, administração, era fundador, fazia funcionar… Naquela época, às vezes tínhamos que viver com um pedaço de pão, às vezes uma bacia de lichia e um pedaço de pão. Com 18,19 anos, ter que viver com 100 gramas de pão… Passei por condições sociais terríveis, mas isso também me permitiu construir a minha personalidade”.

“Eu sou embaixador da UNESCO, fui embaixador na época de Chernobyl e visitei muitas crianças para falar sempre da tolerância. Eu coloquei a bandeira da UNESCO em diversos países, como a Rússia e os Estados Unidos”.

“Sou também acadêmico, porque faço parte da Academia de Belas Artes, que é, na França, o mais alto nível que uma pessoa pode receber”.

“Faço roupas, sou embaixador, acadêmico e tive a possibilidade de fazer muitas coisas. Sou dono de empresa, comandante e tive uma vida extraordinária. Trabalho com teatros, restaurantes, tenho três revistas e estou falando isso não para me vender, não preciso me vender, estou explicando quem eu sou. Imagina alguém que começou do nada, chegar ao mais alto nível e conseguir realizar!”.

“O início da minha carreira foi virtual, era tudo que eu imaginava que eu poderia ser, e eu consegui. Muitas pessoas tentam, mas muito poucas é que chegam lá. E eu consegui!”.

Conhecer Pierre Cardin é conhecer uma história viva da moda.

SOBRE PIERRE CARDIN

Nascido na Itália, em 2 de julho de 1922, e criado na França, Pierre Cardin revolucionou os costumes criando novos conceitos de vestir para mulheres e homens. Ao realizar, em 1959, o primeiro desfile de prêt-à-porter, mudou a história da moda. Transformou seu nome em uma marca registrada, a qual expandiu pelo mundo, em bolsas, relógios, perfumes, móveis, óculos, acessórios, entre outras criações.

Hoje os 800 fabricantes licenciados da marca Pierre Cardin e Maxim’s de Paris estão em cinco continentes, ocupam 800 fábricas e empregam cerca de 200 mil pessoas. Pierre Cardin é embaixador da UNESCO e o único estilista no mundo a fazer parte da Academia de Belas Artes francesa.

É dono de hotéis, restaurantes e espaços culturais. Recebeu alguns dos mais importantes prêmios e condecorações do mundo e foi homenageado com exposições pelos museus: Metropolitan Museum of Art, Nova York; Victoria and Albert Museum, Londres; Grand Palais, Paris; Espace Cardin, Paris; Galleria Carla Sozzani, Milão; Akademie der bildenden Künste, Viena; Sogetsu Kaikan, Tóquio. Aos 88 anos continua a dirigir a Maison Cardin e a selecionar a programação do Palais Bulles, Côte d’Azur; Château Lacoste, Provence; e Espace Cardin, Musée Pierre Cardin, Galerie Evolution e Maxim’s, em Paris.

Conheça a biografia e a trajetória de Pierre Cardin na Wikipedia.

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Saiba mais sobre a exposição:  Pierre Cardin no Brasil para a Exposição Criando Moda Revolucionando Costumes

Leia também: Museu Pierre Cardin apresenta: Passado – Presente – Futuro

Por Denise Pitta

Publicação: 27 de abril de 2011

AUTOR

Denise Pitta é digital Influencer e é editora do Fashion Bubbles. Estilista, formada em Moda e Artes Plásticas, atuou em diversas confecções e teve marca própria de lingeries, a Lility. Começou o blog em 2006 e está entre as primeiras blogueiras brasileiras da moda. Também desenvolve pesquisas sobre História e Identidade Brasileira na Moda e Psicologia Analítica. É apaixonada por filosofia, física quântica, psicanálise e política. Siga Denise no Instagram: @denisepitta e @fashionbubblesoficial

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