Blogging from London

E aqui estou eu em Londres, com um dia e meio livre antes de pegar no batente. Como o tempo não é muito, decidi ir ver a exposição “Anna Piaggi – Fashion-ology”, no Victoria and Albert Museum (V&A) hoje à tarde, e amanhã vou ver a nova Tate Modern, e checar uns bazares que ouvi falar.

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A exposição é muito legal. A Anna Piaggi, para quem não sabe (era o meu caso, até ver a exposição!), é uma importante editora de moda italiana (ela escreveu mais de 7 mil editoriais em toda sua carreira). Minha frase preferida sobre ela é: “Anna é capaz de distuinguir entre o que é serio e o que é engraçado, assim como pode ser seriamente engraçada!”. Ela também meio que inventou essa história de vintage. Antes dela, era apenas roupa velha. Quando voltar, prometo fazer um post exclusivamente sobre a exposição.

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Saindo da exposição, fui dar uma circulada pelo museu, até porque o V&A tem um acervo importante de roupas históricas Legal para “dialogar” mentalmente com a exposição (o de cima é um Vivienne Westwood). São roupas, tecidos, móveis, louças…, tudo o que faz uma civilização (e lá tem de todos os lugares do mundo). O imagem abaixo fui eu que fiz, num tutorial para desenhar tecidos de seda.

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Saí do V&A e fui caminhando pra Harrod’s. Um frio dos infernos (zero grau). Tive até que entrar numa loja cafona de jardinagem pra esquentar e conseguir seguir em frente. E olha que são só uns 500 metros…

Anyway, cheguei meio congelado (e totalmente enrolado no cachecol, parecia uma cantora de fado), mas sempre vale a pena. A Harrod’s, pra quem não conhece, é tipo uma Daslu, mas com gente de todo tipo e nacionalidade circulando: asiáticos, muçulmanas de lenço na cabeça e bolsas caríssimas no braço, turistas de todos os tipos (eu!), e os locais comprando frutas, legumes, comendo ostras com champagne… (a Daslu é linda, mas às vezes parece um cemitério numa tarde chuvosa… quase não tem gente). Fui bater perna. O que mais gostei foi uma bolsa da Vuitton feita em índigo, com as florzinhas/estrelinhas em relevo do próprio tecido. Linda. A síntese do luxo pós-moderno: uma bolsa caréssima feita de um material simples, mas em que o verdadeiro luxo (que nada mais é que o absolutamente supérfluo) está ali. O diabo está nos detalhes, assim como o verdadeiro luxo.

Momento fashion descontrol foi apenas um (até porque com a libra ainda a R$3,85…). Comprei uma malha com capuz Dolce&Gabanna azul piscina. Aliás, essa parece ser uma tendência forte já há um tempo na moda masculina européia – as famosas cores de calcinha (azul, rosa, verde, tudo meio com cara de bebê).

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Uma coisa que me fascina na moda é essa capacidade de materializar um desejo que vc nem sabia que tinha, e até contrário ao que vc achava. Não gosto de D&G, de cores de roupa de bebê, e malha com capuz já fica meio over depois dos trinta… Mas o conjunto ficou absolutamente irresistível! Assim como essa história de blog. Começamos há menos de três meses, e aqui estou eu no hotel, conectado, escrevendo, ao invés de estar num pub enchendo a cara de cerveja!

Amanhã, depois da Tate Modern, vou num lugar chamado Dover Street Market. Uma vila vitoriana transformada num bazar super trendy. Mando notícias!

Data: 23 de março de 2006

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