‘Amor à vida’ – Mitologia na novela das nove – Parte II

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De uma conversa informal com nossa colaboradora Queila Ferraz, nasceu a associação dos personagens de  Amor à Vida com a mitologia grega, que traz imagens arquetípicas que tocam nosso íntimo e que continuam servindo de inspiração constante para nossa civilização.

Felix, o grande protagonista , cujas aventuras despertam o interesse de quantos assistem a esse folhetim apresentado pela Rede Globo, lembra a figura mitológica de Hermes, também chamado Mercúrio pelos romanos.

Filho de Zeus e da ninfa Maia, Hermes apresentava-se com uma sandália dotada de asas nos pés e usava um chapéu que também tinha asas, pois foi investido por seu pai, Zeus, no cargo de mensageiro dos deuses e por isso tinha que se locomover rapidamente. Também levava sempre nas mãos um bastão, chamado caduceu, com o que tinha o poder de induzir o sono e os sonhos nos mortais.

Era engraçado e, segundo o poeta grego Homero, “Parece um garoto na primavera da vida”. Seu primeiro feito foi o de inventar lira, melodioso instrumento de cordas grego, utilizando para isso o casco de uma tartaruga.

 
Hermes um deus cheio de “malandragens”, mais querido por todos

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Deus da eloquência, era um trapaceiro de bom coração, sendo adorado como o deus dos viajantes, dos comerciantes, diplomatas e até… dos ladrões! Era contra a guerra e procurava resolver os conflitos através da palavra, com o que muito agradava aos seus devotos.

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Jovem e sedutor, não primava pela honestidade, mas com sua esperteza e eloquência conseguia cativar a todos. Era um malandro, um moleque que despertava simpatia, sendo um dos deuses mais queridos e venerados entre os gregos.

Inconsequente nas suas atitudes, assim como o personagem Félix, era capaz de atos reprováveis, mas pedia desculpas e se saía bem. Até nos cultos que o povo grego fazia a esse deus traquinas e engraçado, como no “Hino a Hermes”, poema feito no século VII antes de Cristo, são mencionadas as suas malandragens junto com sua alegria e jovialidade.

Em Amor à Vida, o Félix desde pequeno ansiava pelo amor do pai, César, que o desprezava devido à sua condição de gay, que ele não procurava disfarçar, mostrando-se sempre muito falante e com diversos trejeitos que o pai odiava, enquanto dava todo o seu amor à filha Paloma.

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Por isso, Félix, desde criança odiou Paloma, vendo-a como a intrusa que lhe roubou o amor do pai. Uma clássica situação psicanalítica, que leva o Félix a cometer os maiores horrores contra a detestada irmã, que ele fingia amar, enquanto fazia de tudo para afastá-la do pai.

Cézar, interpretado brilhantemente por Antônio Fagundes, como Zeus, o pai dos deuses e senhor do Olimpo, apesar da fachada de retidão, cometeu sempre muitos desatinos, especialmente quando, já idoso, separa-se da família para assumir a amante Aline, figura perfeita da Medusa, outro personagem mitológico, que tinha serpentes venenosas no lugar de cabelos e possuía o dom de converter em pedra qualquer mortal que olhasse para seu rosto.

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Caso do César, totalmente imobilizado em seu amor incondicional e confiança que sente por  sua Medusa, que o fez ficar cego, através do uso de substâncias na comida e bebida. Paralisado como uma estátua de pedra, César não sente nem percebe as artimanhas e golpes de Aline e será salvo pela filha Paloma, ajudada pelo próprio Félix, filho que ele tanto rejeitou.

Amor a vida   Mitologia na novela das nove. Trama traz referência de dramas vividos pelos deuses gregos Amor a vida   Mitologia na novela das nove. Trama traz referência de dramas vividos pelos deuses gregos
Aline espécie de encarnação da Medusa

Paralisado como uma estátua de pedra sob os poderes da Medusa

A interpretação do ator Mateus Solano dá vida a um Félix engraçado e perverso ao mesmo tempo, mas que seduz e desperta o interesse dos telespectadores. Um Félix profundamente humano em sua busca pelo amor paterno e que talvez poderia ter sido diferente se tivesse sido aceito e amado pelo pai.

Torcemos para que o amor do Nico, que ele chama Carneirinho, a primeira pessoa – depois de Márcia – capaz de amá-lo sinceramente, seja capaz de resgatar essa figura que nos cativa tanto porque tem, talvez, um pouco de todos nós, afinal todo ego tem sua sombra. Isso é inevitável. Já que, ao adaptar-se e enfrentar-se com o mundo, o ego, de um modo inteiramente involuntário, emprega sombra para executar operações desagradáveis que ele não poderia realizar sem cair num conflito moral.

A maioria das pessoas não sabe que é tão egocêntrica e egoísta quanto na realidade é, e quer apresentar ser altruísta e ter o total domínio dos seus apetites e  prazeres. A tendência das pessoas é, antes, para esconder tais traços dos outros e de si mesmas por trás de uma fachada que as mostre atenciosas, ponderadas, empáticas, refletidas e benévolas. (…) Com exceção das ovelhas negras como o personagem Felix.

Entretanto, se uma pessoa rechaça completamente a sombra, a vida é correta mas terrivelmente incompleta…

Leia também ‘Amor a vida’ – Mitologia na novela das nove. Trama traz referência de dramas vividos pelos deuses gregos.


O amor sincero está sendo capaz de redimir o personagem

Hermes, assim como o personagem Felix, nos cativa tanto porque tem, talvez, um pouco de todos nós, afinal todo ego tem sua sombra. Isso é inevitável. Já que, ao adaptar-se e enfrentar-se com o mundo, o ego, de um modo inteiramente involuntário, emprega sombra para executar operações desagradáveis que ele não poderia realizar sem cair num conflito moral. Com exceção das ovelhas negras como o personagem

A interpretação do ator Mateus Solano dá vida a um Félix engraçado e perverso ao mesmo tempo, mas que seduz e desperta o interesse dos telespectadores

Por Ignez Pitta

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