Globo, SBT, Record TV, BBB, Power Couple, A Fazenda

Elenco de reality shows: Globo e Record TV precisam se atentar às escolhas para trazer entretenimento de qualidade

Uma coincidência do “insucesso” dos reality shows da Globo e Record TV na temporada de 2022: a falta de bons personagens femininos

Você também acha que a safra de reality shows de 2022 está mais fraca que a dos anos anteriores? Pois bem, existe uma teoria que pode (tentar) explicar o insucesso dessas últimas temporadas do BBB e do Power Couple.

Daqui a uma semana, o programa de casais da Record TV chegará ao fim. Contudo, a edição atual nem se compara com a do ano passado. E uma das coisas que chama atenção é o protagonismo do elenco.

Curiosamente, em 2021, as principais personagens do Power Couple eram femininas. De maneira idêntica, no BBB 21, que foi bem mais divertido que o desse ano, as mulheres também chamaram mais a atenção.

Ou seja, a escalação das personagens ferminas nos realities show fazem toda a diferença. Saiba mais sobre essa teoria em seguida!

Os reality shows são delas!

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Escolha de um bom elenco feminino faz toda a diferença para o sucesso de um reality show. Fonte: Globo/SBT

Primeiramente, vamos deixar claro que o elenco de de reality shows é composto por “personagens”. Por mais que lá as pessoas não estão interpretando, elas também não estão vivendo uma vida 100% real.

Pelo contrário! Nesse tipo de programa, os participantes são confinados em lugares totalmente controlados e expostos a situações que não condizem com o nosso cotidiano.

Por exemplo: na vida real, não eliminamos pessoas dos nossos espaços, não tomamos banho de roupa, e não determinamos quem comerá rabada ou filé mignon. Pelo menos não tão explicitamente.

Por isso, todos esses participantes de reality show viram “personagens” ao toparem entrar nessa experiência. Lá eles ganham até trilha sonora, clipes editados e torcidas.

Outro ponto de pensamento é que programas como BBB, Power Couple e A Fazenda nada mais são do que “novelas interativas”. Todas essas narrativas precisam de um “vilão” e de um “mocinho”.

Caso a pessoa não tenha esse “dom” de herói ou de antagonista, as situações ditarão esses episódios de vilania, ambição, egoísmo, inveja, paixão e companheirismo.

A diferença é que, nos realities, o público determina quais personagens são menos interessantes e devem ser eliminados semanalmente.

Já na novela, o público apenas contempla, assiste e compartilha suas revoltas com os personagens nas redes sociais. Em uma obra aberta, esses palpites do público ainda podem impactar nos rumos dos personagens. Contudo, a interação é bem menor.

Por falar em novela, você já percebeu que os personagens principais delas sempre são os femininos?

Está na nossa cultura

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Elaine, de No Limite, e Bárbara Paz, do Casa dos Artistas foram as vencedoras dos primeiros realities de sucesso no Brasil. Fonte: Globo/SBT

Desde a época da radionovela, as personagens femininas sempre tiveram mais destaque nas tramas. Até hoje, as protagonistas das novelas são anunciadas bem antes dos folhetins começarem a ser gravados.

Talvez por isso, temos mais “simpatia” pelas suas personagens. Até mesmo pelas vilãs.

No histórico do elenco de reality shows no Brasil, não é diferente. Elaine foi a vencedora da primeira grande atração nesse formato no Brasil: o No Limite, em 2000. Na época, a TV que mostra a realidade foi uma grande novidade.

“Personagens reais” em um lugar inóspito, com condições precárias, passando frio, calor e fome. Todos os participantes desafiados em provas de agilidade e de equilíbrio.

Elaine era a menos favorita para levar o prêmio. Mas ela quebrou todos os paradigmas e preconceitos e levou para casa R$ 300 mil e um carro 0 km. Na época, ela tinha apenas 34 anos.

Em seguida, Silvio Santos driblou a Globo e criou a Casa dos Artistas. O formato era mais parecido com o do BBB, mas sem tantas provas e com a convivência como o maior desafio.

A ideia deu tão certo que o SBT viu a audiência disparar. Aliás, até hoje esse reality foi o único programa que alcançou 50 pontos de audiência fora da Globo.

Como resultado, mais uma mulher venceu a competição: Bárbara Paz. A atriz levou para casa R$ 300 mil e um contrato com a emissora. Rodrigo Carelli, que hoje comanda o departamento de reality show da Record TV, dirigiu o Casa dos Artistas.

Assim sendo, o “personagem feminino” tem papel fundamental nas raízes do reality show brasileiro. E, quando falamos da participação das mulheres nesse tipo de programa, não associamos seu comportamento com “entretenimento”, mas sim com uma capacidade maior de entrega à experiência do confinamento.

Personagens femininos são mais interessantes

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Sem bons personagens femininos e com um forte “clube do bolinha”, BBB 22 e Power Couple 6 sofrem com a falta de histórias para contar. Fonte: Globo/Record TV

Está certo que, ao longo do tempo, os homens também se destacaram no elenco de reality shows. Kleber Bambam venceu o BBB 1; Diego Alemão, o BBB 7; Rafael Vanucci ganhou a Casa dos Artistas 2 e Rafael Ilha, A Fazenda 2018.

Todavia, nenhum deles roubou tanto a cena quando Cida dos Santos no BBB 4, Viviane Araújo em A Fazenda 5 e as mais recentes estrelas, Juliette Freire no BBB 21, Thelminha no BBB 20 e Jojo Todynho em A Fazenda 12.

Sem contar as personagens coadjuvantes que também brilharam, como Grazi Massafera, Sabrina Sato, Manu, Pink (BBB 5), Dona Geralda (BBB 16), entre outras.

Para um exemplo de comparação, no Power Couple 5, a cantora de forró Márcia Fellipe e a apresentadora Deborah Albuquerque protagonizaram grandes momentos no reality show de casais da Record TV.

Seus esposos Rod Bala e Bruno Salomão também tiveram um bom desempenho. No entanto, as esposas tinham uma participação mais ativa e até decisiva, na maioria das vezes.

Esse ano, o chamado “grupão”, do Power Couple 6 começou com a camaradagem dos maridos. Esses participantes criaram uma espécie de “irmandade”, em que definiram dois alvos. A partir daí, o jogo ficou bem monótono e previsível.

Algo bem parecido aconteceu no BBB 22, com o grupo dos homens que se fechou logo no início e assim foi até o final.

Por fim, reforçamos que mulher não é entretenimento. Mas as boas personagens femininas são essenciais para esse gênero de programa televisivo.

Assim sendo, é preciso que as equipes que escolhem o elenco de reality shows redobrem a atenção para a escolha das participantes. Afinal, na maioria das vezes, são elas que conduzem a linha narrativa de todo o programa. Jojo Todynho que o diga.

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