Pérolas, naturais e cultivadas – Quais as diferenças entre elas + História e curiosidades

Pérolas, naturais e cultivadas   Quais as diferenças entre elas + História e curiosidades

Conhecidas pelo homem há mais de 6.000 anos, as pérolas são consideradas gemas que a natureza entrega pronta para uso. Com diferentes formas e cores, ela é um clássico da joalheria, eternizada com a ajuda do mundo da moda e do cinema.  Segundo a Associação de Joalheiros do Estado de São Paulo (AJESP), é possível encontrar no mercado tanto pérolas naturais quanto cultivadas, embora atualmente seja extremamente raro encontrar joias com pérolas naturais.

Leia também: Pérolas 2020 – Como o clássico virou a tendência queridinha da vez.

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Qual a diferença entre pérolas naturais e cultivadas?

Apesar das diferenças entre elas serem imperceptíveis a olho nu, o processo de formação tem suas peculiaridades. As cultivadas sofrem a interferência humana no processo de formação da gema pelo molusco, já que ela é fruto de um mecanismo de defesa deste animal contra invasões de partículas estranhas dentro de sua concha.

Como descobrir se uma pérola é natural ou cultivada?

O aspecto das pérolas naturais e cultivadas é o mesmo, o Raio-X é a melhor maneira para se detectar a diferença.

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Como é formada a pérola natural?

As pérolas naturais são aquelas formadas pelos acasos da vida marinha, quando uma partícula ou animal estranho consegue penetrar no molusco por acidente, tornando-se um agente irritante. “Tudo que perturbe a tranquilidade das profundezas do mar – como, por exemplo, os movimentos marítimos, as tempestades, as inundações, as algas e os pequenos animais -, predispõe às condições sob as quais as pérolas naturais são formadas”, explica Erica Mendes, gerente de marketing da AJESP”. Quando ativado, o mecanismo de defesa do molusco secreta uma substância chamada nácar, que envolve o invasor, formando a pérola.

Infelizmente hoje em dia é muito difícil encontrá-las, pois além de estarem praticamente extintas, é um trabalho bastante árduo para os que a procuram, haja visto a proporção de 1 em 1 milhão.

Fazenda de pérolas: como são cultivadas?

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As cultivadas, por sua vez, são comercializadas hoje em grande escala e tem o processo induzido pela ação do homem. “As ostras são criadas em fazendas até atingirem a idade de três a quatro anos, momento em que estão prontas para a inserção do núcleo”, conta Erica. O molusco é submetido a um processo cirúrgico onde é introduzido um núcleo (que pode ter composição, forma e tamanho variado) e em reação ao corpo estranho ele começa a envolvê-lo com o nácar, iniciando assim o processo de formação da pérola cultivada.

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Após a inserção do núcleo, as ostras permanecem em gaiolas por mais dois ou três anos. Quanto maior o núcleo, mais provável a rejeição. “Por isso que pérolas acima de 9 mm possuem um valor elevado, pois sua produção é mais difícil, explica”. As pérolas são classificadas por tamanho, cor, forma, superfície, brilho e qualidade do nácar.

Ao contrário do que muitos imaginam, cada ostra não produz apenas uma pérola, hoje já é possível a produção de até 30 joias em uma ostra, isso se estivermos falando das pérolas de água doce. Quando se trata das pérolas de água salgada, a produção é mais limitada – até 5 joias por molusco.

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As pérolas levam de 7 a 12 anos dentro da concha até estar completa. Algumas pérolas levam até 20 anos para se formar numa ostra.

O processo de produção de pérolas em água salgada também é mais trabalhoso e demorado. Isso porque as ostras são cultivadas em uma profundidade que exige mergulhadores para a retirada dos moluscos. No cultivo de água doce, elas são facilmente recolhidas, já que são colocadas mais próximas à superfície.

Pérolas keshi

Totalmente composto de nácar, esse tipo de pérola não tem núcleo, ou seja, se forma quando o molusco expele o corpo estranho. Menores e menos valiosas, as keshis são consideradas um subproduto das pérolas de cultivo, mas chamam a atenção pelo brilho. Na imagem acima, pulseira de pérolas keshi da grife Chloé

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História das Pérolas

Também chamada de a “Rainha das Gemas”, a pérola é a mais antiga pedra preciosa conhecida e já foi tida como a joia mais cara do mundo devido à raridade com que ela se encontra. Para cada milhão de ostras, apenas uma delas produz uma pérola natural?

As pérolas são dos materiais de gema que mais cedo foram utilizados para adorno pessoal. Os escritos mais antigos que mencionam pérolas datam de cerca de 2000 anos a.C.

As pérolas eram muito apreciadas desde a Antiguidade. O nome “pérola” vem dos Romanos do latim pirla, diminutivo de pira, palavra com o significado de “formato de lágrima”. Para os Romanos a pérola era um símbolo do amor. E,  no apogeu do Império Romano, quando a febre das pérolas estava no auge, Júlio César, conhecido pelas suas conquistas amorosas, ofereceu a Servília Cepião, uma pérola no valor de seis milhões de sestércios. Também o general romano Vitélio, estando cheio de dívidas, roubou um brinco de pérola à sua mãe, para poder financiar o seu regresso ao exército.

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As pérolas em ilustrações históricas

A pérola é a única gema de origem animal. Até o século XVII, não existia tecnologia para polir pedras preciosas como rubis e esmeraldas, por isso as pérolas eram um dos maiores símbolos de riqueza e poder, usadas como adorno nas mais valiosas jóias da época.

Não se sabe ao certo na história quem exatamente as descobriu, porém durante a Idade Média, nos séculos XIII e XIV, muitos países da Europa proibiram por lei que pessoas comuns usassem pérolas, reservando-as somente às pessoas que faziam parte da aristocracia.

Saiba mais sobre a história das pérolas em aqui.

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História das Pérolas Cultivadas

O primeiro registro da tentativa de criar uma pérola artificial foi do biólogo sueco Carl von Linné, em 1761. A ideia era simular o processo de intrusão do corpo estranho na ostra – e funcionou. O sucesso do experimento lhe valeu um título de nobreza, mas foram necessários alguns séculos para que o processo se tornasse uma praxe.

No começo do século 20, o japonês Kokichi Mikimoto patenteou o método mais difundido, em que são introduzidas sementes de diversas origens no molusco, que se encarrega de cobri-las com camadas sucessivas de nácar.

Quanto tempo dura uma pérola?

Não é possível garantir a vida de uma pérola por um tempo determinado, mas especialistas estimam que uma pérola dura em média de 100 a 150 anos, entretanto uma pérola natural com cerca de 2 mil anos foi descoberta recentemente durante escavações arqueológicas em uma zona aborígene do oeste da Austrália.

Curiosidades históricas sobre as pérolas

Um colar de pérolas naturais por uma mansão na quinta avenida

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Em 1917, as pérolas naturais eram tão valiosas, mas tão valiosas, que o milionário americano Morton Plant, proprietário de uma das maiores mansões da quinta avenida, chegou a trocar o imóvel por um colar de pérolas da Cartier para sua mulher. Essa casa é ainda hoje a principal loja da joalheria francesa nos Estados Unidos.

As pérolas cultivadas provocaram uma reviravolta no sistema de avaliação. O que em 1917 valia US$ 1 milhão, 40 anos mais tarde foi vendido por US$ 151 mil dólares.

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Mrs. Plant e seu famoso colar de pérolas naturais. Morton Plant, proprietário de uma das maiores mansões da quinta avenida, chegou a trocar o imóvel por um colar de pérolas da Cartier para sua mulher.

As pérolas e o status de acessório fashion

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O duque Dmitri Pavlovich, descendente do império dos Romanov, mudou por acaso o rumo da história das pérolas no início da década de 1920. Para impressionar a amante, 11 anos mais velha, presenteou-a com uma joia de família – um colar de pérolas de seis voltas. O nome da eleita: Coco Chanel . A partir daí, as gemas ganharam a conotação de acessório fashion.

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A autorização para o uso das bijuterias, incluindo as pérolas falsas, surgiu quando a estilista se inspirou em seus trajes para criar o tailleur, o blazer feminino usado com saia, sobre o qual suas manequins carregavam colares de pérolas falsas e outras bijuterias barrocas – enquanto, nas ruas, as mulheres não arriscavam comparecer a um compromisso elegante sem usar enfeites de pedras preciosas.

“Deve-se misturar o falso com o verdadeiro”, sentenciou Coco Chanel. “Pedir a alguém que só use joias verdadeiras é como pedir que se cubra apenas com flores de verdade, no lugar de vestir uma roupa estampada florida. Saiba mais aqui.

Graças a Chanel, as longas voltas de pérolas caíram no gosto da bailarina Josephine Baker, contemporânea da estilista, que provocou rebuliço ao adotar um colar como único figurino de seus shows.

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Quanto vale um colar de pérolas falsas?

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Jacqueline Kennedy Onassis, uma das grandes personalidades do século XX,  fez das pérolas sua marca registrada. Onassis, um ícone de elegância moderna, usava quase sempre o famoso colar de três voltas e um par de brincos solitários de pérolas, obviamente.

Em 1996, o mundo parou quando o colar de 3 voltas de pérolas sintéticas (bijuteria) de Jacqueline Kennedy, estimado entre 500 e 700 dólares, foi vendido num leilão da Sothebys de Nova York por 211.000 dólares!

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E se for verdadeira e rara?

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Liz Taylor  tinha particular afeição por La Peregrina, pérola do século 16 que coroava o colar Cartier, presente de Richard Burton, com quem se casou duas vezes. Em 2011, com a morte da atriz, a joia alcançou a incrível marca de US$ 11,5 milhões em um leilão.

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O Marajá de Baroda usando um colar de pérolas naturais. Duas voltas foram vendidas por sete milhões de dólares num leilão da Christie’s em 2007

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Para finalizar, um dos figurinos mais cultuados da história do cinema, Hubert de Givenchy em 1961 vestiu Holly Golightly, personagem de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, com um longo preto e poderosas voltas de pérolas!

Pérolas 2019 / 2020 – Como o clássico virou a tendência queridinha da vez

 

Fontes: Vogue, MBastosJoias, Walfen  NewGreenFil, e M de Mulher

 

Sobre a AJESP

Fundada em 1965, a Associação de Joalheiros do Estado de São Paulo (AJESP) reúne mais de 120 comerciantes, designers, gemólogos e fornecedores de insumos que tem como objetivo principal promover o incremento do setor. As ações e serviços da instituição visam integrar a cadeia produtiva e potencializar a imagem e o consumo dos artigos de joalheria por meio de ações de marketing e relacionamento social no estado de São Paulo.

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Publicação: 24 de julho de 2019

AUTOR

Denise Pitta é digital Influencer e é editora do Fashion Bubbles. Estilista, formada em Moda e Artes Plásticas, atuou em diversas confecções e teve marca própria de lingeries, a Lility. Começou o blog em 2006 e está entre as primeiras blogueiras brasileiras da moda. Também desenvolve pesquisas sobre História e Identidade Brasileira na Moda e Psicologia Analítica. É apaixonada por filosofia, física quântica, psicanálise e política. Siga Denise no Instagram: @denisepitta e @fashionbubblesoficial

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