Ator da Globo sai em defesa de MC Poze após prisão do funkeiro: “Cultura preta é criminalizada”
MC Poze ganhou apoio de fãs após ser preso no Rio de Janeiro e famosos também criticaram a ação da polícia
Após ser preso sob a acusação da polícia em fazer apologia ao crime e ter ligação ao tráfico, MC Poze foi transferido para a Cadeia Pública José Frederico Marques, mais conhecida como Benfica. Por lá, o cantor chamou a atenção de outros detentos que o reconheceram: “C…, é o Poze! Coé, Poze”. De maneira idêntica,”É o Poze, é o Poze! O malvadão ‘tá com nós’! [SIC]”.
Ao longo do dessa quinta-feira, 29, MC Poze do Rodo foi um dos nomes mais buscados nas redes. Enquanto algumas pessoas apoiam a prisão do rapper, outras pessoas acham a ação abusiva. Um especialista ouvido pela UOL classificou o tema como “delicado” já o cantor e ator, MC Cabelinho fez um protesto nas redes sociais contra o preconceito e a criminalização da cultura das favelas.
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O que MC Cabelinho falou sobre a prisão de MC Poze?
“Desde sempre, a cultura preta, favelada e periférica é criminalizada e, ultimamente, isso vem se intensificando. Veio o caso do Oruam, agora a gente vê o caso do Poze”- iniciou MC Cabelinho em post criticando a ação da polícia contra MC Poze.
Para quem não lembra, MC Cabelinho atuou em Vai na Fé (Globo- em 2023). Na época ele chegou a engatar um romance com a Bella Campos. Mas antes disso, Cabelinho também atuou em Amor de Mãe, em 2019. De maneira idêntica, ele também protagonizou o filme, “Confia: Sonho de Cria” (2025)” e em breve estreará a produção, “A Lista”- da Globoplay.
“O que me deixa intrigado é que, quando eu atuei na novela das 21h, fiz um papel de traficante em ‘Amor de Mãe’, na Globo, era arte. Quando fiz um papel de bandido na novela ‘Vai na Fé’, das 19h da Globo, era arte.
Quando um roteirista escreve sobre a vida de um traficante e relata a vida na favela, é arte. Agora, quando um MC funkeiro e favelado relata a realidade do que acontece nas favelas, é apologia ao crime. Vocês percebem o quanto isso é subjetivo? (…)
Agora, quem decide isso? Quem decide o que é apologia ao crime ou não? Quem decide isso é um juiz, um desembargador ou um político branco racista que não gosta da gente”- disse Cabelinho.
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Especialista avalia a prisão de MC Poze

O portal, UOL, ouviu o advogado criminalista Guilherme Gama. Segundo o especialista, o artigo 287 do Código Penal (que prevê a apologia ao crime) só se aplica quando há incitação clara e direta à prática criminosa – “Caso contrário, estaríamos cerceando uma importante forma de expressão cultural”.
“Na maioria das vezes, elas narram conflitos sociais desconhecidos por parte da sociedade”- diz Guilherme sobre letras cantadas por rappers.
De maneira idêntica, Guilherme afirma que o fato de MC Poze realizar shows sob a escolta do Comando Vermelho “evidencia mais as deficiências do Estado do que a culpa do artista”. Ademais, e analisa que o caso pode configurar “criminalização automática da geografia”.
Já a constitucionalista Fernanda Garcia Escane afirmou ao UOL que que a liberdade de expressão artística é garantida pela Constituição, mas não é absoluta.
“Ela pode ser relativizada em casos de incitação direta à prática de crimes, mas isso exige prova concreta de intenção criminosa”- Ademais, Fernanda acrescenta que as críticas sociais, ainda que desconfortáveis, estão protegidas pelo texto constitucional.
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