“Ele jogou a carreira dele fora”– é o que se ouve nos bastidores da Globo sobre a saída de Rodrigo Bocardi do canal, segundo o Em OFF. O ipaussuenses (do interior de SP) foi demitido da Globo na noite da última quinta-feira, 30. Aos 49 anos, Bocardi era um dos nomes mais consolidados da Globo. Sua credibilidade permitia o apresentador transitar em praticamente todos os telejornais da casa (o que é uma raridade na Globo).
Várias teorias explicam a demissão do jornalista. Segundo Fábia Oliveira, do Metrópoles, o departamento de compliance apurou um episódio forte assédio moral entre o apresentador e um operador de áudio. De maneira idêntica, Flávio Ricco também publicou que a saída do âncora pode estar ligada a uma denúncia de assédio moral. Já Leo Dias revela que a Globo estava incomodada com o forte vínculo de Bocardi com políticos da baixada paulista. E por fim, Gabriel Perline relata que a emissora não gostou de descobrir que o jornalista é sócio de uma empresa de comunicação que presta serviços de assessoria de imprensa à políticos. Um dos clientes dessa empresa é o partido PODEMOS. A Globo já afirmou que não entrará em detalhes. Bocardi não se manifestou.
- Veja também – Rodrigo Bocardi, da Globo, critca greve de SP e é atacado na web: “Bolsonarismo”
Quem é Rodrigo Bocardi?
Nascido em Ipaussu, no interior de SP, Rodrigo Bocardi se formou em em Jornalismo em 1997 pela FIAM e começou a carreira no Grupo Bandeirantes. Em seguida, aceitou um convite do Grupo Globo para atuar no editorial de Economia. Após essa primeira passagem, Rodrigo decidiu trabalhar como repórter em Angola, numa TV pública, entre 2003 e 2004.
De volta à Globo, em 2009, e com mais experiência, aceitou a proposta para atuar como correspondente nos EUA, na central da Globo em Nova Iorque. Em 2013, após uma nova restruturação no jornalismo, Bocardi retornou ao Brasil para ancorar o Bom Dia SP.
Durante o Bom Dia Brasil, Bocardi realizava blocos para apresentar os principais acontecimentos da maior capital do Brasil. Dessa forma, ele também passou a apresentar o BDB nas eventuais ausências de Chico Pinheiro. De maneira idêntica, ele também conduziu o SPTV, Jornal Hoje, Jornal da Globo e o Jornal Nacional.
Insucesso no carnaval
Com os crescentes burburinhos sobre a aposentadoria de William Bonner, Bocardi surgiu como uma opção da Globo para a vaga. Além da TV, Rodrigo também conduzia programas na rádio CBN (do Grupo Globo). Em 2023, Rodrigo chegou a apresentar os desfiles das Escolas de Samba de SP.
Como resultado, o apresentador não teve o mesmo desempenho que Chico Pinheiro. No ano seguinte, a Globo transferiu a transmissão do Carnaval para os departamentos de Esportes e Entretenimento. Isso porque, a proibição de linkar marcas à jornalistas inviabilizou um maior desempenho de venda de cotas de publicidade do evento. Em 2025, o jornalismo terá maior participação nos desfiles.
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O que aconteceu com Bocardi na Globo?
“Como é de conhecimento de todos, a empresa não comenta decisões de compliance”- disse a Globo que não vai entrar em mais detalhes sobre o desligamento de Rodrigo Bocardi. Todavia, segundo o advogado trabalhista José Eduardo G. Pastore à CNN, demissão por compliance “é algo extremamente grave”. Isso porque, “compliance refere-se ao conjunto de disciplinas que visa assegurar que empresas e indivíduos atuem em conformidade com normas legais, políticas internas e regulamentos externos aplicáveis ao seu negócio”.
De acordo com o jornalista Gabriel Perline, nos corredores da Globo rolam comentários de que Rodrigo Bocardi é sócio de uma agência de comunicação que presta serviços de assessoria para partidos políticos. Um dos clientes dessa suposta agência seria o partido PODEMOS.
Na Globo, os jornalistas não podem atuar em outra seara que não seja o jornalismo. Dessa forma, por contrato eles não podem divulgar marcas em suas redes sociais ou realizar propagandas. Ademais, para realizar palestras ou lecionar é necessário uma autorização do canal. Portanto, a emissora da família Marinho não admitiria relação de direta de seus internos com partidos políticos para fins de prestações de serviços. Isso, de certa forma, poderia comprometer idoneidade do canal, segundo suas regras internas.
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