A estética ilusionista do teatro

A estética ilusionista do teatro

Durante séculos, a estética e a técnica do teatro só procuraram como resultado criar a maior eficiência ilusionista. Confundir e iludir o público para que este misturasse a ficção criada no palco com a realidade. E esta ilusão deveria, sobretudo, eliminar a incredulidade do público através de técnicas ilusionistas para serem absorvidas mentalmente.

Durante alguns séculos, os efeitos para causar essa ilusão teatral tinham um nome: enganos. Um teórico teatral foi convidado a visitar as manobras, os efeitos, os segredos, do interior da caixa do teatro. E ele recusou esse convite. Não quis ver os meios primitivos, medíocres, maquinais e infantis que causavam os grandes efeitos teatrais. Tudo estava escondido nessa caixa de milagres que era o palco. Esse poder de iludir tornou-se a essência e a definição das técnicas das produções teatrais.

Os recursos ficavam camuflados, invisíveis ao espectador para que ele não percebesse que estava sendo vítima de uma mistificação da qual, sem que ele soubesse, ele era a vítima ou o premiado. É por isso que o teatro realizado ainda hoje em espaços abertos, alternativos, públicos, fora do palco, são suplantados em número e uso pelos espaços fechados do chamado palco italiano onde se produz a ilusão que está escondida do público.

Talvez, o que promova a eternidade do palco italiano e impeça grandes alternativas nele, não seja só sua capacidade de iludir, mas apenas o conforto do auditório para os amantes do teatro. Mesmo no século em que se sonha com o palco alternativo fora dos edifícios teatrais, os homens do teatro aperfeiçoam cada vez mais o uso dos disfarces e dos enganos do palco italiano. E ainda mais estranho é que o uso dos palcos alternativos, na maioria das vezes, não resiste à aplicação dos recursos da ilusão.

Por Cyro del Nero

Publicação: 22 de dezembro de 2008

AUTOR

Cyro del Nero é Professor Titular da Cadeira de Cenografia e Indumentária Teatral do Departamento de Artes Cênicas, Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Artes, atuando principalmente nos seguintes temas: Cenografia, Indumentária Teatral, Ópera, Televisão, Moda e Artes Gráficas.

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Interessante... Mas precisava usar umas calçolas tão feias?? Fonte: Globo.com

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