Força Interior e Desmotivação

Há algo que está sempre presente, que não precisa ser invocado, que é pleno na sua existência. Alguns chamam de força interior, mas o que é esta “força”?

Será o entusiasmo, a motivação, o otimismo, a capacidade de gerir pessoas, de persuasão? Tudo isso existe, sem dúvida e são suas “armas” na luta contra algo que pode ser ainda mais notório (ainda que tentemos esconder até de nós mesmos), o que será?

Entre as pessoas que assinam o Fashion Bubbles estão comerciantes, lojistas, pessoas voltadas para a moda de uma forma comercial ou até mesmo como fonte de pesquisas para seus trabalhos e é especialmente para estes que estou escrevendo.

“Nos negócios, assim como na vida, os resultados são derivados exclusivamente de nossos atos e de nossa postura.”

Esta afirmação lhe parece correta? Então porque será que temos a enorme tendência de envolver “outros” como responsáveis pelos nossos infortúnios? Será que é só para nos eximir da culpa?

Não há quem escape, e volta e meia nós nos pegamos responsabilizando o governo pelo mau exemplo ou o tempo frio, a chuva, a poluição, a falta de dinheiro… Sempre há um culpado que não seja eu. As vezes vai lhe parecer um gesto inocente que só faz parte de um desabafo.

O ruim é começar a acreditar nestas desculpas que são, sem dúvida nenhuma, verdadeiras. Muitas vezes o desabafo começa a se tornar tão constante que passamos a acreditar que estas verdades são imutáveis e que já não depende  de nós para o negócio progredir.

O que é, portanto, que nos mantém de pé e resistentes a estas desculpas verdadeiras que estão presentes no dia a dia prontas a nos destruir? Qual será esta força interior tão grande e tão valente que se impõe a estes obstáculos? Será que podemos nomear de boa vontade, disposição, responsabilidade? Que tal? Estas seriam boas palavras para expressar esta força vital?

Cheguei a conclusão de que apesar de todas as virtudes que posso citar, não há nada mais evidente que a DESMOTIVAÇÃO. E ela é tão natural quanto a vontade de vencer.

Lógico que não é isso que nos faz superar. Mas, é isso que está enraizado em nós quase cem por cento do tempo. Acordamos e automaticamente passamos a lutar contra esta força onipotente. Lavamos o rosto, respiramos fundo, planejamos o dia para deixar de lado a desmotivação sempre presente. Ainda não levantamos as portas de aço, não entramos no escritório, os clientes não chegaram, mas esta “coisa” já estava lá. Antes de todos nós.

Apesar da estranheza que causa estes pensamentos pesquisei para me certificar. Faça também o seguinte teste:

No seu buffet, na promoção de uma festa dos anos 60 comece a culpar o congresso ou senado federal como a fonte da impossibilidade do aumento do piso salarial ou o tempo chuvoso como a provável causa do comércio estar indo mal… Na revenda de roupas comente sobre a agressividade dos preços dos produtos chineses que não dão margem para os produtos que você fabrica e por aí vai… Logo uma legião se juntará a você para encontrar o “culpado”. Perceba bem o culpado nunca será você.

A conclusão do teste é de que a desmotivação, apesar de não ser a nossa maior força, é a que está mais presente. É uma sombra que não nos abandona e em qualquer oportunidade ela estará lá, ao nosso lado, sorrindo para nós. E diferente do que eu pensava não é contagiosa, porque você não “passa” para o outro, pois o “outro” já chegou envenenado. A desmotivação é diferente do entusiasmo ou da boa vontade que tem que ser inspirado, lapidado e demora a ser construído.

Já experimentou falar BEM do emprego, do trabalho, do chefe, de como as condições estão favoráveis ao crescimento? Quantos olhares céticos e com quanta desconfiança julgarão seus comentários? Mas, se estiver (ainda que um inocente desabafo) falando mal, quantos se juntarão ao coro?

Ainda não tive a chance de ler um best-seller desmotivacional, nem participei de cursos ou palestras desmotivacionais, sendo assim, desmotivação deve ser algo nato. É bom conhecer todas as qualidades que temos, e não menos importante é conhecer este lado negativo e predominante, afinal, se considerarmos a luta diária uma guerra, é imprescindível conhecer bem o inimigo, tanto quanto nosso arsenal para enfrentá-lo.

Por Vinícius Moura


Publicação: 11 de outubro de 2007

AUTOR

Vinicius é empresário do setor de auto-peças.

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