A Beleza da Seda 100% Brasileira

A Beleza da Seda 100% Brasileira

A seda indiscutivelmente encanta a humanidade há milhares de anos. Segundo, o livro Fio a Fio, (Gilda Chataignier, 2006) uma lenda Chinesa, conta que a seda surgiu entre os anos 2.500-2600 a.C, quando uma princesa descobriu um casulo caído de uma amoreira na sua xícara de chá e se encantou com o fio muito brilhante e fino que surgia deste casulo. Logo, este fato foi levado a estudo e também muito bem protegido. A China guardava o segredo da linda descoberta a sete chaves.

Já em 139 a.C., a maior rota de comércio mundial foi aberta desde a China Oriental até o Mediterrâneo, chamada depois de rota da seda. Seus segredos e beleza começaram a se difundir.

Uma das sedas mais cobiçadas da Antiguidade era a de Bizâncio, houve fatos até de espionagem! Comerciantes estrangeiros escondiam casulos do bicho-da-seda em bengalas ocas e levavam para o Ocidente.

A Beleza da Seda 100% Brasileira

Casulo do bicho-da-seda

No Brasil, desde a sua implantação em meados de 1940, a produção de seda foi direcionada para o atendimento da demanda do Japão por fio de seda cru. Ainda hoje, aproximadamente 70% do fio de seda produzido no Brasil tem como destino o Japão, onde grande parte se destina à cadeia produtiva do kimono. Cerca de 95% da produção brasileira de seda é exportada em forma de fio, com baixo valor agregado.

A maior empresa produtora de fios de seda no Brasil é a BRATAC, reconhecida pela produção de uns dos melhores fios do mundo, atualmente exportado para a França, Suíça, Itália, Japão e Índia.

Por outro lado, existem empresas 100% nacionais fazendo acontecer no mercado brasileiro de tecelagem de seda, agregando valor ao produto.

É o caso de O Casulo Feliz, no  Paraná e a Safira Sedas, em São Paulo. Essas iniciativas merecem destaque. Certamente, motivados pela paixão por este tecido tão encantador, atuam no mercado de decoração e moda com produção 100% nacional. O forte ainda é a decoração, pois o mercado de tecidos de moda sofre uma enorme concorrência da China. Mesmo assim, estas empresas atuam como pioneiras e não desistiram diante das dificuldades do mercado. Que ótimo para nós!

O destaque fica por conta dos tecidos exclusivos, as duas empresas desenvolvem tecidos e estampas para coleções de André Lima e Osklen entre outros.

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Linha de bolsas com estampas exclusivas em Seda Safira e couro.

A Safira Sedas, desde 1996 vem produzindo seda através de sua fábrica localizada em Indaiatuba, interior do Estado de São Paulo, utiliza o fio de seda da fiação BRATAC. Sua proprietária – Eliane Gamal Mesquita, é também coordenadora do setor de tecelagem de decoração do comitê de seda da ABIT (Associação Brasileira das Industrias Têxteis), sendo uma das principais porta-vozes da seda no Brasil.

Eliane fundou sua indústria na contramão do processo de abertura das importações, pois acreditou na qualidade da matéria prima brasileira, na capacidade de criação dos nossos designers e na habilidade dos tecelões e artesãos da seda. Produz cerca de 6 mil metros de seda por mês. André Lima e Huis Clos, são uns de seus clientes.

A Safira Sedas também oferece a oportunidade de estudantes de moda, escolas de moda e pequenos artesãos comprarem seda por quilo, segundo Eliane Gamal, a empresa oferece vários tipos de retalhos, desde transparências até texturas diferenciadas, com preços bem acessíveis, essa venda é feita no show-room da Safira Sedas. Uma forma muito bacana de incentivar novos talentos com pequenas preciosidades disponíveis em forma de seda!

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Tecido em Seda do Casulo Feliz peça da Osklen SPFW 2007

O Casulo Feliz nasceu em 1988, motivado pela idéia de que o fio de seda também deveria ser produzido de forma manual, aproveitando os casulos impróprios para a indústria. A empresa produz uma grande variedade de artigos de decoração com looks rústico-chic, todos em seda.

Além dos produtos de decoração, o empresário Gustavo Augusto Serpa Rocha, proprietário do Casulo Feliz, investiu nos tecidos para o mercado de moda e atende a Clube Chocolate, Maria Bonita e Osklen, entre outros. Ao longo do crescimento da empresa, os fios artesanais, passaram a ser matéria-prima de produtos acabados de qualidade e beleza. Foram desenvolvidos também, tingimentos naturais para aproveitar pigmentos vegetais da biodiversidade brasileira, como casca de cebola, raiz do curcuma, folhas de manga, herva mate e sementes de urucum.

Partindo desta ideologia Eco surgiu a parceria com Oskar Metsavaht da OSKLEN no projeto E Fabrics. Projeto que visa identificar empresas produtoras da cadeia têxtil socialmente responsável, com a intenção de realizar a interlocução entre estes produtores os estilistas e suas grifes.

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Cachecol produzido na Vila Rural Esperança

O Casulo Feliz também participa de um projeto socialmente responsável chamado de Projeto Seda Justa.

Segundo João Berdu, sócio proprietário da Bisa Overseas, que trabalha com exportação de produtos a base de seda no Paraná, Seda Justa é um projeto desenvolvido com a participação das fiações BRATAC, Fujimura, Prefeitura Municipal de Nova Esperança, Depto. de Economia da Universidade Estadual de Maringá e O Casulo Feliz. Este projeto tem como objetivo proporcionar uma alternativa de renda para as famílias que produzem casulo de bicho-da-seda, na Vila Rural Esperança, na cidade de Nova Esperança.

Os casulos são fiados pelo O Casulo Feliz, onde os fios são tintos e retornam para as artesãs da Vila Rural transformando-se em belos cachecóis de seda.

Os cachecóis produzidos pelas artesãs são exportados diretamente para lojas da rede Artisans du Monde, na França (que conta com 154 lojas e trabalha somente com artigos do comércio justo). A Artisans du Monde faz o pagamento diretamente para a Associação dos Produtores da Vila Rural Esperança, que se encarrega de pagar as artesãs e demais parceiros envolvidos, 60% da renda bruta vai para as artesãs.

Segundo João Berdu, “ o projeto Seda Justa na Vila Rural Esperança, envolve atualmente 10 famílias e tem amplas condições de crescer, na  versão Seda Justa -2008, vamos entrar em contato com todas as 154 lojas da Artisans du Monde.”

Parabéns ao trabalho destes empresários, a moda brasileira merece!

Por Alessandra Janaudis Gimenez

(Alessandra Janaudis Gimenez é pós-graduada em Ciências do Consumo pela ESPM, atua na área têxtil há 7 anos com passagens pela Cia Hering, Vicunha e Rosset. Hoje faz parte do time de compras na Adar Milenium – importadora de tecidos para o mercado de moda. E-mail: alejanaudis@gmail.com .)

Publicação: 6 de maio de 2008

AUTOR

Alessandra Janaudis Gimenez é pós-graduada em Ciências do Consumo pela ESPM e em Moda e Criação pela Santa Marcelina. Cursou Cool Hunting em Milão na Domus Academy, programa em parceria com a Central Saint Martins e o instituto de pesquisa Future Concept Lab. Hoje atua como buyer na Adar Millenium. É importadora de tecidos para o mercado de moda, teve passagens também pela Cia Hering, Vicunha e Rosset.

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