Consciência negra: por que um dia para celebrar?

Dia da Consciência Negra é muito mais importante do que apenas um feriado. Brancos ou negros, tanto faz, somos todos autores e vítimas. Veja frases e reflexões sobre a data!

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20 de novembro foi o dia escolhido para celebrar a Consciência Negra, um ponto facultativo em todo o Brasil. Vamos falar um pouco sobre isso? Afinal, é mesmo necessário uma data especial? Esta celebração é realmente importante?

Este e outros assuntos sobre minorias ainda causam grande desconforto. Então, é necessário aproveitar este momento para refletir sobre esses temas. Ao mesmo tempo, a cada parágrafo você encontra uma frase que tem tudo a ver com o assunto. Continue lendo!

 

“Não sou descendente de escravos. Sou descendente de pessoas que foram escravizadas.” (Makota Valdinha)

 

Qual é a história da Consciência Negra?

 

Foto de mãos de pessoas negra e branca.
Fonte: Pexels

 

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Primeiramente, o termo “Consciência Negra” ganhou notoriedade no Brasil na década de 70. Era o Movimento Negro Unido que atuavam a favor da igualdade racial. Dessa forma, 20 de novembro foi escolhido por ter sido também o dia da morte de Zumbi. O último líder do quilombo dos Palmares foi assassinado em 1695.

 

“Libertei mil escravos. Poderia ter libertado outros mil se eles soubessem que eram escravos.” (Harriet Tubman)

 

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Qual o objetivo de comemorar o Dia da Consciência Negra?

 

 

Foto com a frase "Dia da Consciência Negra".
Fonte: Freepik

 

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Como dissemos anteriormente, trata-se de um assunto espinhoso. Mas o Dia da Consciência Negra é importante, além de outros motivos, por também abrir discussões. Além disso, estimula ações para combater a desigualdade social e o racismo. Afinal, o tema ainda é um tanto velado, quando não é tratado com desprezo.

 

 

“Tudo é mais difícil para um negro. Você tem que provar 100 vezes que você é o melhor. É cansativo, duro, doloroso. Se você não tiver uma força extraordinária, não consegue passar por isso. Mas eu vim ao mundo para lutar. Sou uma guerreira!” (Glória Maria)

 

 

Espinhoso para quem?

 

Foto de olho de pessoa.
Fonte: Freepik

 

Com toda a certeza, a diversidade traz avanços para todos. Cada parte trás um tanto de verdade. Entretanto, é muito mais confortável estar entre iguais e com aqueles que apoiam as nossas ideias e posições. Aquele que destoa, contudo, nos obriga a rever nossos bem acomodados conceitos. É aqui que a coisa começa a complicar.

Como avançar aceitando o “estranho no ninho”? A resposta é: com consciência. Um entendimento que não é apenas para quem é branco, mas também para os negros. No entanto não é tarefa fácil e exige empatia – que é o caminho mais longo – ou alcançaremos pela exigência da própria cultura, que vai tomando seu espaço a força.

 

Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação, onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. (Martin Luther King)

 

  • Logo depois, leia Cabelo Black Power: um importante símbolo da luta do movimento negro. Entenda!

 

Qual o papel da Internet na Consciência Negra?

 

executivas negras
Fonte: Clarke Sanders/Unsplash

 

Para ilustrar: a Internet e as redes sociais vêm EXIGINDO diversidade. Como resultado, as empresas precisam se adequar para atender ao seu público.

Pouco a pouco, a foto da diretoria vai se modificando. A fim de se adaptar aos dias atuais, cargos mais altos passam a registrar mulheres, gays, negros, entre outras minorias. Ou ainda a falta deles…

No entanto, será que essas empresas se conscientizaram antes do processo de inclusão? A resposta mais provável ainda é não.

Contudo, quando dói no bolso, as empresas vão sendo obrigadas a se ajustar. E é isso que acontece, afinal, a Internet “cancela“. Ainda assim, já é um começo: um dos primeiros grandes passos para a mudança.

Progressivamente, vamos nos acostumando com a presença de personalidades que antes eram raras e vão se tornando comuns. Sendo assim, viva o Dia da Consciência Negra!

 

“Os negros no Brasil nascem proibidos de ser inteligentes.” (Paulo Freire)

 

 

Ainda existe racismo?

 

placa sobre racismo
“O racismo é uma pandemia”. Fonte: Ehimetalor Akhere Unuabona/Unsplash

 

Ainda que existam leis para garantir a igualdade entre os povos, não é com uma canetada que se muda isso. O racismo é um processo histórico, aprendido. Afinal, as crianças não são preconceituosas. Entretanto, aprendem observando o entorno.

Os negros foram escravizados em regiões da África porque eram especialistas. Alguns eram de regiões mineradoras, outros tarimbados na agricultura. Em boa parte, é por causa de suas especializações que os navegadores europeus os escolheram.

Não bastava apenas ser negro. Um minerador era bastante conveniente para explorar em Minas Gerais. Um agricultor poderia trabalhar em São Paulo ou outra região produtora. Para os não especialistas, sempre houve os serviços gerais.

 

“Não preciso ter ambições. Só tem uma coisa que eu quero muito: que a humanidade viva unida… Negros e brancos todos juntos.” (Bob Marley)

 

  • Logo após, veja Kamala Harris – Conheça a 1ª mulher negra vice-presidente dos EUA

 

Será que somos todos racistas?

 

Foto de mão de pessoa com as palavras "Yes" e "No".
Fonte: Pexels

 

Para esta pergunta, a resposta é provavelmente sim. Por mais que você já tenha lido, estudado ou vivido isso na pele, o que aumenta seu nível de consciência, você faz parte de uma sociedade. E todas as bases dela foram fincadas sobre estruturas racistas.

Assim sendo, não há como escapar plenamente do racismo. O que não quer dizer que esta realidade precise durar para sempre.

 

“Minha luta diária é para ser reconhecida como sujeito, impor minha existência numa sociedade que insiste em negá-la.” (Djamila Ribeiro)

 

 

Mas há tempos foram libertos, e daí?

 

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Foto de mulher negra.
Fonte: Pexels

 

Só para ilustrar, imagine você ser retirado de seu país, levado a uma terra distante e separado de seus pais, irmãos e amigos? De repente, você se vê longe de tudo que conhece e do lugar onde se sente seguro.

Pense agora na humilhação, privação e todas as piores formas de castigo para “te colocar no seu lugar”. Então, só depois de mais de trezentos anos, libertam os seus descendentes.

Parece bom, não é? Chegou o fim da penitência. Mas apenas parece. Abriram as porteiras e disseram: “Pode sair. Pode seguir seu rumo.” Não há pagamento, não há emprego, não há moradia. Dá para imaginar como era ser negro naqueles tempos?

Ainda hoje, um nordestino saído de sua terra sofre quando chega a uma região nova. Principalmente se ele vai sem convite de uma empresa, sem ter algum parente nesta cidade nem dinheiro no bolso. Afinal, para onde ele vai? É dessa forma que se criam os bolsões de pobreza e as favelas. Assim, para um negro recém-abolido era muito pior.

 

“Até que a cor da pele de um homem não tenha maior significado que a cor dos seus olhos haverá a guerra.” (Bob Marley)

 

 

Racismo que vem de longe

 

mão com corda, Consciência Negra
Fonte: Tasha Jolley/Unsplash

 

Antes da abolição, a legislação parecia não ter relação direta com o racismo. Entretanto, em 1890, com as primeiras leis penais da República, isso ficou evidente.

Imagine só uma regra chamada de Lei dos Vadios e Capoeiras. Os recém-libertos negros sem terras, educação ou trabalho, que eram encontrados na rua ou que praticassem a capoeira podiam ser presos. Dá para perceber que uma lei assim não era para os brancos, concorda?

 

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.” (Nelson Mandela)

 

 

E para onde eles foram?

 

Foto de pessoa contando moedas.
Fonte: Pexels

 

Para onde você iria? Considere estar sem emprego, sem dinheiro, sem amigos e em um lugar estranho. Até o dia anterior, você apenas conhecia seu cativeiro. Embora hoje passados pouco mais de 130 anos da abolição, será que este negro e sua família tiveram as mesmas oportunidades de escola, moradia ou trabalho?

Fica fácil para qualquer um que não seja negro acreditar em meritocracia quando, de partida, se tem uma família estruturada e uma condição social que lhe garante a autoconfiança para enfrentar tantos desafios.

Assim, você já deve ter a resposta de para onde foram, não é mesmo?

 

“A liberdade fez do negro um favelado. Sem poder morar na beira-mar, fizeram suas casas nos morros e se organizaram a sua maneira.” (Rafael Silveira)

 

 

Será coincidência?

 

Foto de mãos coloridas.
Fonte: Pexels

 

Inegavelmente, os negros moram mais longe das áreas nobres e, aliás, são “empurrados” para as periferias. Além disso, têm, em geral, uma escolaridade mais baixa e um número maior de filhos.

É realmente fácil dizer que todas estas consequências são uma escolha. É uma resposta muito simples para uma questão bastante complexa.

O sistema de cotas, surpreendentemente, foi um grande avanço. Isso porque também foi considerado um programa racista. Entretanto, foi um sucesso, assim como o programa de baixa renda – o Bolsa Família. Tanto para um público, quanto para o outro, foram um pequeno pontapé para incluir estas pessoas nas estatísticas.

Não, não sou esquerdista. E não se trata disso. Trata-se de que, pela primeira vez, muito mais negros estavam matriculados nas escolas. E isso será um guia para seus futuros filhos e netos.

 

“O que mais me irrita é negro pedindo direitos para o negro. Negro não tem de pedir, tem de conquistar.” (Wagner Moura)

 

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Pequenos passos

 

Desenho de mãos levantadas.
Fonte: Freepik

 

Apesar de a população brasileira se declarar 54% negra ou parda, no nosso congresso, 96% dos parlamentares são brancos. Simples acaso? Já nos presídios, a estatística é contrária. Outro acaso? Por isso é um assunto espinhoso.

É tão difícil se debruçar sobre isso, da mesma forma que é difícil falar sobre temas que envolvam qualquer outra minoria. É o caso de pessoas LGBTQIA+, mulheres que sofrem abusos e povos indígenas, por exemplo.

Principalmente quando quem está falando não faz parte de uma minoria. Nas rodinhas de conversa, a saia justa é sempre resolvida quando, antes de mais nada, alguém propõe mudar de assunto.

Resolve? Você sabe bem a resposta. Fazer de conta que o outro não existe não liquida a questão. Pelo contrário, vai apenas abafando a pressão na panela que, com toda certeza, apenas levará até o próximo embate para explodir.

 

“Olha de novo: não existem brancos, não existem amarelos, não existem negros: somos todos arco-íris.” (Ulisses Tavares)

 

 

Consciência Negra: conclusão

 

Sem dúvida, é difícil se dar conta da dificuldade do outro, quando já temos os nossos próprios desafios. Mas, você que é branco, já se deu conta que se a vida fosse uma corrida de 100 metros, já estaria partindo com pelo menos uns 10 metros de antecipação?

É óbvio que ter nascido branco não garante sucesso. Só que nascer negro é começar com bons desafios a mais.

Dessa forma, apenas com mais reflexões e consciência poderemos finalmente construir uma sociedade mais justa, com oportunidades iguais para todos.

Só assim poderão ser diminuídos os redutos de pobreza e de falta de opções. Pois fica cada dia mais claro que não são problema DELES. Muito pelo contrário, serão sempre problema de todos.

 

“Odiar as pessoas por causa de sua cor é errado. E não importa qual cor é a de odiar. É simplesmente errado.” (Muhammad Ali)

 

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