Renner se posiciona em episódio de agressão homofóbica

A marca se pronunciou oficialmente com um comunicado em suas redes sociais, além de lamentar imensamente o ocorrido, iniciou uma parceria com o fórum de empresas e direitos LGBTI+ adicionando sua participação ao pacto global.

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A Lojas Renner reforçou seu engajamento com a comunidade LGBTI+, após lamentável episódio de agressão homofóbica, ocorrido no último  Dia dos Namorados, dentro da filial do shopping Pátio Brasil, no Plano Piloto (DF).

O caso teve enorme repercussão nas redes sociais, depois da vítima, Vinícius Gama Furtado, ter compartilhado, através do seu Instagram, vídeo sobre o ocorrido.

Foto de Vinícius Gama a vítima da agressão homofóbica
Fonte: Instagram

Entenda o episódio de agressão homofóbica

 

Agressões verbais

 

Com o propósito de denunciar e não deixar impune, Vinícius Gama, postou vídeo com relatos, um dia após o ocorrido, quando ele e seu marido estavam dentro da loja olhando algumas roupas, e um homem, acompanhado de sua esposa, passou a observá-los, a fim de  fazer piadas ofensivas:  “Isso é roupa de viado….”.

Vinícius então se direcionou ao homem e disse: “Eu sou viado e não uso esse tipo de roupa. Tenha mais respeito com as pessoas e com o ambiente que você está!”, explicou.

De acordo com seu relato, bastou apenas este comentário, para que se iniciasse uma série de agressões físicas e morais: ”Ele começou a vir com impropérios para cima de mim. Ele pegou roupas na arara com cabide e tudo  arremessou no meu rosto”, disse.

O homem não satisfeito continuou a agressão física indo para cima de Vinícius : “Ele veio me empurrar e querer me peitar”. O marido da vítima tentou separar a situação, pois mesmo havendo um segurança no local, assistindo todo o episódio, ele não se manifestou de início: “Em todo o momento, o segurança vendo tudo, se omitiu, enquanto as pessoas da loja, já estavam cientes do que estava acontecendo”, conta.

O segurança da Renner só se manifestou, mediante a cobrança dessas pessoas para com o agressor. Porém, o chocante, é que o mesmo resolveu defender o lado do agressor e não o da vítima.

Vinícius conta que se exaltou um pouco, mas não agrediu o homem de volta: “Eu me exaltei, mas em nenhum momento parti pra cima dele”, assumiu. “Eu não revidei para me manter na razão”, conclui.

Conta ainda, que o homem passou a ameaçá-lo por estar gravando todo o ocorrido:  “Ele começou a falar que eu não sabia quem ele era, que não sabia com quem eu estava me metendo, que eu iria me dar muito mal se eu continuasse gravando”.

 

Agressões Física

 

O agressor se afastou e voltou logo em seguida acusando Vinicius de o ter machucado: “Olha o que você fez no meu braço, eu vou quebrar você”.  Foi quando ele voltou enfurecido, esbarrou no segurança que novamente não faz nada, e deu um tapa em seu rosto, como pode ver no vídeo a seguir.

 

Ver essa foto no Instagram

 

⚠️ [alerta: violência LGBTfóbica] Neste fim de semana recebemos a denúncia de mais um ato covarde de homofobia aqui no DF. Em pleno dia dos namorados, o @viniciusgamafurtado e seu marido foram vítimas de agressão dentro das @lojasrenner, no @patiobrasil, por serem gays. Como se a discriminação já não fosse absurda o suficiente, o segurança da loja assistiu tudo de forma omissa e só tomou alguma atitude quando foi para proteger o agressor. Dá pra acreditar? Estamos no mês do #OrgulhoLGBT e as empresas precisam mostrar que o compromisso com a diversidade vai além de usar filtro colorido e post temático nas redes sociais. Nosso mandato está acompanhando o caso e o Vinícius formalizará uma denúncia junto à Comissão de Direitos Humanos. LGBTfobia é crime. Não podemos mais admitir que essas demonstrações de ódio e violência fiquem impunes! #LGBTfobiaMATA #bastadehomofobia #DF #JunhoLGBT #LoveIsLove #LGBT #DireitosHumanos

Uma publicação compartilhada por Fábio Felix (@fabiofelixdf) em

Segundo Vinicius, o tapa foi tão forte,  que quase fez com que desmaiasse, seu marido resolveu então empurrá-lo. Neste momento o segurança finalmente resolveu intervir, não contendo o agressor, mas sim, segurando o marido de Vinicius. “Eu posso apanhar dentro da loja e meu marido não pode segurar o agressor, eu tenho que apanhar dentro das lojas Renner”, concluiu.

Ainda dentro da loja, a esposa do agressor procurou Vinicius para conversar, e ele o acusou de querer agredi-la. Um policial que também estava no local, fora do seu horário de trabalho, disse para Vinicius que ele é quem estava errado e que o mesmo deveria ir embora.

O marido da vítima ligou para a polícia durante o ato, logo, o agressor percebeu e foi embora, sem que nenhum segurança da lojas Renner ou do shopping Pátio Brasil impedissem sua fuga.

Veja o vídeo completo do relato de Vinicius sobre o caso:

 

Os desdobramentos da agressão homofóbica

 

Ao sair da Renner, Vinicius procurou uma delegacia, onde prestou ocorrência e fez exame de corpo de delito.

Após o ocorrido e com o boletim de ocorrência, Vinicius Gama também procurou a Delegacia Especial de Repressão aos crimes por discriminação racial, religiosa, por orientação sexual ou contra a pessoa idosa ou com deficiência (Decrin).

A marca entrou em contato com o agredido e de acordo com vídeo postado na rede social de Vinícius, a Renner se comprometeu a ceder as imagens das câmeras de segurança para cooperar nas investigações do caso.

O posicionamento das Lojas Renner

 

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As lojas Renner enviou ao Jornal de Brasília uma nota onde comentam o caso. Nessa manifestação lamentou o caso e observou que prestará todo o apoio a vítima para que a situação seja resolvida.

O documento também justifica a atitude do segurança, que foi afastado temporariamente:  “É importante esclarecer que a orientação atual para nossos colaboradores de lojas é de não ter nenhum contato físico com os clientes, utilizando apenas orientações verbais.”

Veja a íntegra da nota:

“A Lojas Renner lamenta imensamente o ocorrido. Imediatamente, iniciamos um processo de apuração interna e afastamos, temporariamente, o colaborador que presenciou o caso. Também já nos colocamos à disposição do Vinícius Gama Furtado para colaborar no que for necessário e entregaremos as imagens de nosso circuito interno de TV para as autoridades competentes, assim que solicitadas.

Além disso, realizaremos uma revisão interna dos processos de treinamento para todos os colaboradores. É importante esclarecer que a orientação atual para nossos colaboradores de lojas é de não ter nenhum contato físico com os clientes, utilizando apenas orientações verbais.

A companhia repudia todo tipo de agressão e não compactua com qualquer forma de preconceito. Este caso vai completamente contra os nossos valores e tomaremos as medidas necessárias.”

 

Foto de fachada de lojas renner que se viu envolvida em agressão homofóbica
Fonte: Reprodução

 

Nas redes sociais

 

Após muito alarde e compartilhamentos nas redes sociais, em portais e sites de notícias de todo o Brasil, a Renner se pronunciou oficialmente com um comunicado em suas redes sociais na última quarta-feira 17, reconhecendo que deveriam e poderiam ter feito muito mais sobre o ocorrido no ultimo dia 12.

Informou também que irá revisar de forma ampla e restrita todos seus processos e treinamentos, afim de garantir que tenham zero descriminações, intolerâncias e agressões físicas em suas lojas.

Ações compensatórias

A Renner garantiu que irá envolver representantes de todo a comunidade LGBTQIA+,  tanto seus colaboradores quanto agentes externos, para participarem de forma urgente deste processo com a empresa.

A marca  informou em nota, que estabeleceu e iniciou uma parceria com o fórum de empresas e direitos LGBTI+ adicionando sua participação ao pacto global. Algo que  já vinha fazendo de longa data.

A Lojas Renner, após o episódio de agressão denunciado, se mostrou ainda mais engajada e preocupada com o assunto, e trará  outras entidades e representantes da comunidade LGBTI+ para que tenham uma participação realmente diversa durante o processo.

 

Você sabe que significa LGBTQI+?

A sigla é dividida em duas partes. A primeira, LGB, diz respeito à orientação sexual do indivíduo. A segunda, TQI+, diz respeito ao gênero.
L: lésbica; é toda mulher que se identifica como mulher e têm preferências sexuais por outras mulheres.
G: gays; é todo homem que se identifica como homem e têm preferências sexuais por outros homens.
B: bissexuais; pessoas que têm preferências sexuais por dois ou mais gêneros.
T: transexuais, travestis e transgêneros; pessoas que não se identificam com os gêneros impostos pela sociedade, masculino ou feminino, atribuídos na hora do nascimento e que têm como base os órgãos sexuais.
Q: queer; pessoas que não se identificam com os padrões de heteronormatividade impostos pela sociedade e transitam entre os “gêneros”, sem também necessariamente concordar com tais rótulos.
I: intersexuais; antigamente chamadas de hermafroditas, são pessoas que não conseguem ser definidas de maneira distinta em masculino ou feminino.
+: engloba todas as outras letrinhas de LGBTT2QQIAAP, como o “A” de assexualidade e o “P” de pansexualidade.

Fonte: Revista Capricho

 

Apoio à vítima

Como já dito anteriormente para a vítima, a Renner informa ter entregue de forma voluntária o vídeo com todo o episódio gravado pelo seu circuito interno de câmeras à delegacia responsável pelo inquérito no Distrito Federal. E se colocou à disposição das autoridades para prestar quaisquer outras informações necessárias.

Em primeiro lugar, a grife pediu desculpas de forma pública a Vinícius, e ainda se colocou à disposição para todo o suporte que for precisar e que estiver a seu alcance. Dando andamento, a marca termina o comunicado fazendo um chamado contra a homofobia, lesbofobia, transfobia, e a qualquer outro preconceito. Seja de gênero, raça, classe social e contra qualquer violência física e verbal.

Veja o vídeo do posicionamento na íntegra sobre a agressão homofóbica:

 

Ver essa foto no Instagram

 

Como uma marca que valoriza a diversidade e que se inspira na igualdade, na pluralidade e no respeito, somos totalmente contra qualquer ato de discriminação e violência. Por isso não compactuamos com o episódio que ocorreu no dia 12 de junho, em uma de nossas lojas. Assista ao vídeo e confira o nosso posicionamento. . . . #PraCegoVer: o post e um vídeo com fundo branco e cartelas com texto que declara o posicionamento da Renner quanto ao ocorrido no dia 12 de junho em uma de nossas lojas, quando o nosso cliente Vinícius foi agredido por outro cliente. O texto reconhece que podíamos e devíamos ter feito mais e reafirma que a Renner é uma marca que valoriza a diversidade, a igualdade, a pluralidade e o respeito. E, logo, repudia qualquer ato de violência ou discriminação. Dessa forma, declara que estamos revisando os processos e treinamentos para garantir zero tolerância contra qualquer tipo de discriminação nas lojas. Diz também que envolvemos representantes de toda a comunidade LGBTQIA+ para que participem deste processo, tanto colaboradores quanto agentes externos. Além disso, afirma que o vídeo gravado com o episódio foi entregue às autoridades e pede desculpas públicas ao cliente Vinicius. O texto ainda declara que vamos trabalhar para sermos melhores para todo os clientes e que fazemos coro ao chamado contra a homofobia, a lesbofobia, a transfobia e qualquer outro preconceito, seja de gênero, raça, classe social ou qualquer outro, bem como contra qualquer violência física e verbal. Porque, pra nós, amar é o que importa.

Uma publicação compartilhada por Lojas Renner (@lojasrenner) em

 

Vale lembrar, que a Lojas Renner está entre as marcas do setor varejista, que há muito tempo vem abraçando e valorizando a causa LBTQIA+ e se beneficia bastante financeiramente deste público, inclusive, traz coleções pensadas e personalizadas visando este segmento, que é fiel a marca. Além de patrocinar diversos eventos e artistas LGBTQIA+, a empresa também possui boa parte do seu quadro de colaboradores pertencentes à comunidade.

 

Nossa solidarização para com a vítima

 

“ Esse vídeo não é só pra mim. E sim para todos os homossexuais que já sofreram agressão”, “eu acho que ninguém tem o direito de te bater. Ainda mais um desconhecido na rua, na frentes das pessoas, te fazendo passar vergonha”.  Comenta.

Vinícius, nós do Fashion Bubbles e da Carryon Business estamos juntos com você nessa causa! Não vamos abaixar a cabeça jamais! Para finalizar, temos sim, que expor agressões e atos como esses. Homofobia é crime e quanto mais abafados são os casos, consequentemente mais atos como esses acontecerão.

Um grande abraço, Elvis Pablo.

 

Fonte: Jornal de Brasília

 

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