Ludopatia, a doença do “vício em jogos de azar”, tem tratamento?

Entenda quais são os sintomas de uma pessoa com ludopatia, o vício que já é o 3º mais frequente no Brasil

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A ludopatia, reconhecida oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença, representa um desafio crescente na sociedade moderna. Este transtorno mental caracteriza-se pelo impulso incontrolável de jogar, mesmo diante de consequências devastadoras para a vida pessoal e financeira do indivíduo.

Com a proliferação das plataformas de apostas online, o acesso aos jogos de azar tornou-se mais fácil do que nunca, colocando literalmente o cassino na palma da mão dos brasileiros. Dados do Senado Federal apontam que a ludopatia já é o terceiro vício mais frequente no país, afetando aproximadamente 2,78 milhões de pessoas, ficando atrás apenas do álcool e do tabagismo.

O que é uma pessoa ludopata?

Uma pessoa ludopata é aquela que sofre de um transtorno de controle de impulsos relacionado aos jogos de azar. Diferente de quem joga ocasionalmente por diversão, o ludopata desenvolve uma relação doentia com as apostas, sendo incapaz de parar mesmo quando enfrenta graves consequências.

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O mecanismo da ludopatia funciona de maneira semelhante à dependência química. Quando a pessoa aposta, seu cérebro libera dopamina, ativando o sistema de recompensa e gerando uma sensação de prazer intenso. Com o tempo, o cérebro passa a associar o jogo a essa recompensa, criando um ciclo vicioso difícil de quebrar.

Pesquisas recentes demonstram que a fissura experimentada pelos jogadores compulsivos pode ser tão ou mais intensa que a sentida por dependentes de cocaína ou álcool. O problema não está apenas em ganhar, mas na adrenalina do processo de apostar, que se torna um ritual obsessivo.

Quais os sintomas de ludopatia?

Identificar a ludopatia nem sempre é fácil, pois o desenvolvimento do vício ocorre gradualmente. Diferente de outras dependências, não há sinais físicos evidentes, tornando crucial reconhecer os comportamentos característicos:

Sinais comportamentais:

  • Preocupação constante com jogos e apostas;
  • Necessidade de aumentar progressivamente os valores apostados;
  • Tentativas frustradas de controlar ou parar de jogar;
  • Irritabilidade quando tenta reduzir as apostas;
  • Uso do jogo como escape para problemas emocionais.
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Financeiros:

  • Tentativas desesperadas de recuperar perdas apostando ainda mais;
  • Empréstimos frequentes ou venda de bens para financiar apostas;
  • Mentiras sobre gastos com jogos;
  • Comprometimento significativo da situação financeira.

Sinais sociais de ludopatia:

  • Isolamento de amigos e familiares;
  • Negligência de responsabilidades profissionais;
  • Mentiras recorrentes sobre o tempo gasto em apostas;
  • Risco ou perda de relacionamentos importantes.

Um caso específico, relatado pelo G1, da cozinheira Patrícia ilustra perfeitamente essa progressão: começou jogando por curiosidade e, em apenas dois meses, perdeu R$ 80 mil em economias, recorrendo a empréstimos para continuar apostando. O que parecia um passatempo inofensivo transformou-se rapidamente em um pesadelo financeiro e emocional.

Como se chama o vício em apostas?

O termo técnico para o vício em apostas é ludopatia, também conhecido como jogo patológico. A palavra deriva do latim “ludus” (jogo) e “pathe” (doença ou sofrimento). No Brasil, a condição possui classificação oficial no Código Internacional de Doenças (CID) sob os códigos 10-Z72.6 (mania de jogo e apostas) e 10-F63.0 (jogo patológico).

Este transtorno é reconhecido pela OMS desde 2018 como uma condição médica legítima que requer tratamento especializado. A ludopatia não discrimina idade, gênero ou classe social, embora estudos indiquem maior prevalência entre homens, jovens adultos, pessoas solteiras e indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

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Fatores de risco adicionais incluem:

  • Histórico familiar de problemas com jogos;
  • Exposição precoce a ambientes de apostas;
  • Experiência de uma grande vitória inicial;
  • Proximidade residencial a locais de jogos; enfim
  • Predisposições genéticas e neurobiológicas.
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Como curar a ludopatia?

A recuperação da ludopatia é possível, mas requer um compromisso sério com o tratamento. Diferentemente do que muitos acreditam, raramente um ludopata consegue superar o vício sozinho. O processo de recuperação geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar:

Tratamento psicológico para ludopatia:

  • Terapia cognitivo-comportamental: ajuda a identificar e modificar padrões de pensamento distorcidos relacionados ao jogo;
  • A terapia de aceitação e compromisso (ACT): trabalha a redução do sofrimento e a eliminação gradativa do impulso pelo jogo;
  • Terapia em grupo: proporciona suporte de pessoas que enfrentam desafios semelhantes

Tratamento psiquiátrico:

  • Medicamentos como inibidores seletivos da recaptação de serotonina podem ser prescritos para tratar sintomas de ansiedade e depressão associados.
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Grupos de apoio:

  • Organizações como a Irmandade de Jogadores Anônimos, ativa no Brasil desde 1993, oferecem suporte contínuo baseado no modelo de 12 passos.

Apoio familiar:

  • O envolvimento da família no processo de recuperação é fundamental, pois o vício afeta todo o círculo social do ludopata.

Medidas práticas:

  • Restrição de acesso a dinheiro e crédito;
  • Bloqueio de sites de apostas;
  • Desenvolvimento de novos hobbies e interesses;
  • Reestruturação da rotina diária.

É importante ressaltar que a recuperação não é linear e recaídas podem ocorrer. Por isso, o acompanhamento profissional contínuo e o suporte social são essenciais para manter a abstinência a longo prazo.

Ludopatia: conclusão

A ludopatia é uma doença séria que requer atenção médica especializada. Se você ou alguém próximo apresenta sinais de vício em apostas, busque ajuda profissional imediatamente.

Lembre-se: reconhecer o problema é o primeiro passo para a recuperação. Visite nossa categoria Saúde para mais informações sobre transtornos compulsivos e caminhos para o bem-estar mental.

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Laila Lopes: 26 anos, mineira (atualmente morando na região serrana do RJ) e amante de seus bichos: 2 cachorros e muitos peixinhos. Redatora digital há 4 anos, com mais de 2000 artigos publicados na internet

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