Especial Ombreiras – História, significado e tendências para 2021

As ombreiras são associadas historicamente ao empoderamento feminino. Evocadas em tempos difíceis e usadas como ferramenta de poder, saiba porque elas permanecerão fortes na moda pós-pandemia.

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Você sabia que a história das ombreiras está diretamente ligada à história do empoderamento feminino? Esse hit dos anos 80 é tendência novamente e agora você confere tudo sobre a evolução da peça.

 

Por que acreditamos que as ombreiras permanecerão na moda pós-pandemia?

 

Evocadas em tempos difíceis e usadas como ferramenta de poder, as ombreiras, podem ser um recurso usado no vestuário para ajudar as pessoas a vencerem os desafios provocados pela pandemia  do Coronavírus.

Consultores de imagem e personal stylists devem estar atentos para peças com ombreira, por que além de transmitir segurança psicológica, já que no âmbito emocional, a pessoa se sentirá mais estruturada, também comunicam, de forma não verbal, autoridade e responsabilidade.

Qual o significado simbólico das ombreiras?

Balenciaga SS 2020

Simbolicamente os ombros representam a capacidade de suportar peso, assumir responsabilidades (diz-se nos ditados populares: “um peso sobre os ombros”). Ombro refere-se ainda, a assumir atitude diante da vida (“Beijinho no ombro.”), comenta Denise Pitta, criadora do Fashion Bubbles e pesquisadora de Moda como espírito do tempo e metáfora, que dá cor e forma, às emoções humanas de cada período.

Sob esta perspectiva, ao estudar história da moda, verificamos que as ombreiras foram evocadas pela moda feminina, em momentos históricos de crise aguda, como nos anos 30, década marcada pela Grande Depressão, desencadeada pela quebra da bolsa de Nova York em 1929.

Assim, ganharam ainda mais força na década de 40, marcada pela Segunda  Guerra Mundial, quando os homens foram convocados para o serviço militar e as mulheres tiveram que assumir as rédeas da família.

Joan Crawford com ombros marcados na capa da L’officiel de 1946

Já nos anos 80, período em que as elas começaram a competir com homens no mercado de trabalho, as ombreiras também foram convocadas novamente!

Desta forma, podemos perceber que ombreiras tem sido uma constante na luta pelo empoderamento feminino e também um recurso de apoio em momentos de crise: com elas parecemos maiores e mais fortes, nos distanciando da máxima  do “sexo frágil”, trazendo um efeito psicológico de segurança e estruturação de que necessitamos para enfrentar os tempos difíceis, reflete Denise.

Do mesmo modo, podemos observar que tal  recurso também é utilizado na natureza, quando bichos que se sentem ameaçados, se arrepiam ou inflam para parecerem maiores diante de predadores.

A prof. Queila Ferraz comenta quem em momentos de crise a sensação de perda é real, perde-se parentes, perde-se dinheiro, perde-se até peso, já que reduz o meio de subsistência e também diminui a possibilidade do consumo como prazer.

Como forma de compensação, a moda tende a criar volumes artificiais para recuperar o padrão perdido, recurso usado pelo Dior na criação do New Look, no pó guerra.

 

A história das ombreiras

Lá por volta dos anos 30, a poeta e ativista dos direitos civis Nancy Cunard adotou um blazer masculino como sua peça-chave. Herdeira dos transportes marítimos British, ela era uma verdadeira rebelde e construiu uma imagem que se afastava da noção delicada de feminilidade.

Nancy Cunard fotografada por Bresson

 

De modo bastante similar, a icônica estilista Elsa Schiaparelli também adotou as ombreiras para si, reforçando a sua visão de moda inovadora. Essas duas mulheres à frente do seu tempo ajudaram a popularizar a tendência, que caiu no gosto da mulherada dos anos 40.

 

Elsa Schiaparelli nos anos 30.
Ombreiras dos anos 30 e 40 – Tempos difíceis em que a estruturação das ombreiras, simbolicamente traziam segurança e ajudavam as mulheres a enfrentar os desafios. Nos anos 80 quando as mulheres  começaram a competir com homens no mercado de trabalho, as ombreiras também foram convocadas, reflete nossa editora, Denise Pitta.

 

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No entanto, nas décadas posteriores o item caiu em desuso, para voltar com força total durante a década de 1980, junto ao power dressing.

Lady Di na década de 80

 

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As ombreiras e o empoderamento feminino no mercado de trabalho

L’officiel 1980 – A década onde as ombreiras viraram hit absoluto

 

Os anos 80 marcaram a emancipação feminina no mercado de trabalho. Por volta dessa época, as mulheres ingressavam com força total em ambientes prioritariamente brasileiro, e contaram com uma forcinha da moda para inspirar um visual poderoso.

A silhueta feminina era imponente, forte e determinada.

 

No final da década de 1970, John T. Molloy lançou 2 manuais de moda, onde estabelecia um código de vestimenta para as mulheres que entravam no mercado de trabalho.

Ombros marcados foram hit da década.
O famoso power suit oitentista.

 

Esse uniforme foi chamado de power dressing. Ele tinha foco nos ombros largos, reforçados com ombreiras exageradas, uma vez que elas inspiravam autoridade. Segundo Molloy, esse era o segredo do sucesso.

Ombreiras: tendência para 2021

Atualmente, os ombros recebem destaque total nas passarelas, junto com a popularização dos discursos de empoderamento feminino. No ano anterior, as mangas bufantes começaram a aparecer e, logo, surgiram as ombreiras, moldando um visual que lembra muito aquele dos anos 80.

O novo power dressing, foco total nas ombreiras.
Nas passarelas internacionais, só dá elas
Street style – Ombreiras são tendência – Imagem: Christian Vierig/Getty Images)
Kaia Gerber arrasando no power suit cinza.

 

Nesse caso, é interessantíssimo notar como, na moda, nada é por acaso. Ela reflete sempre o espírito do tempo e, convenhamos, nada mais apropriado do que resgatar ícones do passado que reforçam temas cada vez mais atuais.

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Fontes: Vogue, Xico Gonçalves e Modices.

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