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Identidade brasileira na moda – Anos 1910

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Qual distância existe entre moda e identidade? Distâncias? Não, ao invés de distâncias existem pontes, reflexos, e a moda é como o espelho de Narciso onde a identidade aparece refletida.

Quando eu ainda estava na faculdade, fiz uma pesquisa de iniciação ciêntífica cujo tema era formação da identidade brasileira na moda. Foi uma experiência bastante enriquecedora, por isso colocarei aqui as partes mais interessantes…

Um breve histórico dos fatores que desembocaram em uma identidade brasileira expressa através do vestuário e da moda.

Até 1910 – Primeira parte

A identidade brasileira na moda encontra sua consolidação ao longo dos dois últimos séculos, haja visto o pouco que se pode falar a respeito da atividade cultural durante o Brasil colônia, onde a moda era originalmente européia.

As primeiras iniciativas de construção de uma indústria têxtil no Brasil foram frustradas com medidas contrárias impostas pela família real portuguesa:

“ o Brasil Colônia tentou fabricar seus tecidos elegantes, mas um famoso alvará de D. Maria I mandou destruir os teares do Brasil e, com eles, a indústria brasileira que nascia . Em nosso país, só se admitiam teares para a indústria das fazendas grossas de algodão , das que serviam para o uso e vestuário dos negros.Veja o que diz o historiador Luiz Edmundo:
‘São extintos, quebrados a martelo todos os teares do país no ano de 1781, sendo que se proíbe aos governadores o recebimento, em audiência, de pessoas vestindo roupas feitas com tecidos não fabricados ou exportados da metrópole, Ordem régia de 5 de julho de 1802. (…) Até os sapateiros não podem trabalhar em couro que não venha mandado da longínqua Metrópole, Carta-Régia de 20 de fevereiro de1690.’”( Joffily, 1999, p.12)

Em 1841, ocorre um fato importante na história da moda brasileira – quando na coroação de D. Pedro II, este leva em torno do pescoço uma murça de plumas de tucanos.

“ A só um tempo, era feito rei e cacique, rei como na Europa, de cetro e coroa, e cacique de penas como pelos imensos e insondados brasis.” (Schwarcz).

Fato simbólico para a construção de uma identidade brasileira, uma vez que implica na legitimação das “coisas da terra”, entretanto, os reflexos dessa legitimação demoram a acontecer no vestuário.

Inicialmente a influência da moda brasileira é totalmente européia, mais especificamente francesa – expressa em características da Belle Époque.

Até 1910 – Segunda parte

De acordo com o pesquisador José Carlos Durand, após o início do séc. XIX, já há uma produção incipiente de peças no Brasil, baseado na matéria-prima importada, embora não houvesse nenhuma adaptação ao clima tropical, conservando-se as características típicas européias. Por volta de 1830, os franceses abrem uma série de lojas no Rio de Janeiro, a Rua do Ouvidor, onde era elegante falar francês em vez de português, constituiu um importante centro, oferecendo às senhoras da elite tecidos, figurinos e mesmo toaletes completas vindos de Paris.

Entretanto, ainda não havia sequer a adaptação da roupa às características tropicais do Brasil. “Nas ruas do centro da cidade viam-se homens de fraque e polainas e mulheres também vestidas formalmente.” (Gontijo, 1972, p. 4)

Nesta primeira fase a moda no Brasil se faz por meio de livreiros franceses que importavam revistas de moda, ilustradas com litogravuras, trazendo instruções sobre cortes e medidas. Chegando, a partir de 1874, a haver uma edição brasileira da La Saison, chamada A Estação. (Edgard Luiz de Barros, 1993, p.21).

O século XX inicia-se com um período de progresso técnico, resultante da criação de novas fábricas surgidas principalmente da aplicação do dinheiro do café. Inicia-se a era da máquina e o desejo do progresso expresso na industrialização. Outros fatores importantes são a urbanização e a grande massa de imigrantes que contribuíram ainda mais para o crescimento do Brasil.
Neste período também a indústria têxtil renasce, como descreve a historiadora Silvana Gontijo:

“Durante a Primeira Guerra Mundial, os países europeus e EUA diminuíram muito sua exportações para o Brasil, dando oportunidade a que o setor têxtil tomasse grande impulso. Em 1919, nossa indústria já supria três quartos da demanda interna.”(Gontijo, 1972)

Leia Mais:

(Este é um trecho do relatório final da pesquisa Moda e Identidade Brasileira, feito por Denise Pitta de Almeida, 2003, Faculdade de Moda da UNIP.)

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Denise é editora do Fashion Bubbles. Estilista, formada em Moda e Artes Plásticas, atuou em diversas empresas de moda e teve marca própria de lingeries, a Lility. Também desenvolve pesquisas sobre História e Identidade Brasileira na Moda e Psicologia Analítica. É apaixonada por filosofia, física quântica, psicanálise e política. Siga Denise no Instagram: @denisepitta e @fashionbubblesoficial