Jeanne Lanvin – As grandes Estilistas da Moda Europeia – Parte 1/5

Conheça Jeanne Lanvin, a criadora da Maison mais antiga do mundo ainda em atividade e uma das maiores estilistas da alta-costura francesa.

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Todo o dia é dia de homenagear as mulheres, não é verdade? É nesse sentido que preparamos uma série sobre as grandes figuras femininas da moda europeia. Nesse artigo, exploraremos a vida e obra de Jeanne Lanvin (1867 – 1946), criadora da maison mais antiga do mundo ainda em atividade e cujo pioneirismo a consolidou como uma das mais importantes estilistas da alta-costura no mundo.

Ou seja, aqui nos centramos em analisar a moda criada por mulheres na Europa durante o século XX. Mulheres que criaram tendências e ajudaram a mudar a forma de ser mulher na sociedade ocidental.

Com isso, não pretendemos desprezar, por exemplo, a importância da criação japonesa ou mesmo da norte-americana no cenário da moda internacional.

A nossa intenção, portanto, é mostrar a relevância da presença feminina num mundo que é conhecido quase que exclusivamente pelo domínio dos grandes costureiros e suas maisons – como, por exemplo, Christian Dior, Cristóbal Balenciaga e Yves Saint-Laurent.

 

Retrato de Jeanne Lanvin, 1934.
Retrato de Jeanne Lanvin, 1934. Crédito: Studio Harcourt / Patrimoine Lanvin. Fonte: Lanvin.

 

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Da infância ao início da carreira

 

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Jeanne Lanvin.
Jeanne Lanvin. Fonte: Docmentary Tube.

 

Jeanne Lanvin nasceu em Paris no dia 1 de janeiro de 1867. Ela vinha de uma família de poucos recursos, tendo ao todo 10 irmãos. Entretanto, apesar das dificuldades, ela desde cedo mostrou ser não só independente como de uma personalidade muito marcante, o que a fez tomar o seu próprio rumo ainda jovem.

Assim, Jeanne começou a trabalhar para um modista na Rue du Faubourg Saint-Honoré logo aos treze anos de idade. Então sendo a responsável pela entrega de chapéus por toda a capital francesa, Jeanne tinha que percorrer a cidade de transporte público. Todavia, para economizar o preço do bilhete, ela preferia viajar atrás do ônibus. Por conta disso, ela passou a ser apelidada de “Pequeno Ônibus”.

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Com tanta dedicação, a menina logo foi notada, vindo a ganhar espaço e se desenvolver na área.

Assim, como resultado do seu esforço, poucos anos mais tarde Jeanne Lanvin teve a chance de começar o seu aprendizado como modista, tarefa na qual provou ser bastante criativa.

 

A Própria Casa

 

A la ville voisine. Robe de mariée de Jeanne Lanvin - pl.9, La Gazette du Bon ton, 1921 n°2.
A la ville voisine. Robe de mariée de Jeanne Lanvin – pl.9, La Gazette du Bon ton, 1921 n°2. fonte: Edition Originale.

 

Com a repercussão do seu trabalho, foi natural que a jovem ansiasse por expandir o seu trabalho e abrir a sua própria loja.

O seu sonho não demorou para ser concretizado. Afinal, contando com apenas 22 anos, Jeanne abriu o seu próprio negócio em Paris logo em 1890.

Como resultado de muitos sacrifícios e de sua persistência, Jeanne Lanvin conseguiu fundar uma loja de chapéus chamada “Lanvin Modes”, que passou a receber as parisienses mais elegantes da época.

Os chapéus então criados por Mademoiselle Jeanne Lanvin faziam muito sucesso entre a alta sociedade francesa.

 

La Rose du jardin. Robes, de Jeanne Lanvin - pl.55, La Gazette du Bon ton, 1922 n°7.
La Rose du jardin. Robes, de Jeanne Lanvin – pl.55, La Gazette du Bon ton, 1922 n°7. Fonte: Edition-Originale.

 

Jeanne Lanvin e a Moda Infantil

 

Em 31 de agosto de 1897, a modista teve a sua única filha, Marguerite. Acima de tudo, para além de ser o maior amor da sua vida, ela também foi a sua musa inspiradora. E foi justamente na relação íntima entre mãe e filha que nasceu uma das maiores maisons de todos os tempos.

A pequena Marguerite se tornou a mais importante fonte de inspiração para Jeanne Lanvin. Afinal, a estilista criou um guarda-roupa especial para a sua filha, que teve um estilo super sofisticado desde muito jovem.

 

Foto de Jeanne Lanvin e sua filha que inspirou a criação do logo da marca.
Foto de Jeanne Lanvin e sua filha que inspirou a criação do logo da marca. Fonte: Agnautacouture.

 

Dessa maneira, Marguerite era muitas vezes vista pela loja trajando os acessórios e roupas confeccionados pela sua mãe.

Assim, duas décadas depois da criação da sua loja, as clientes que compravam seus chapéus se encantaram com as roupas infantis que Jeanne fazia para sua irmã mais nova e para sua filha.

 

A grande inspiração de Jeanne Lanvin

 

Como resultado, passaram a encomendar-lhe peças combinadas para mães e filhas, o que deu origem à evolução do seu negócio e à abertura da sua casa de alta-costura.

Foi mesmo através deste vínculo de amor materno que nasceu o emblema da marca “A mulher e a criança”.

 

Logo da Lanvin.
Logo da Lanvin. Fonte: Prestige.

 

Desse modo, uma nova oportunidade então se apresentou a Jeanne Lanvin, que decidiu mergulhar no mundo da moda para crianças.

Foi de fato por amor à Marguerite que Jeanne Lanvin começou a desenhar vestidos.

Posteriormente, em 1927, Jeanne também lançou o lendário perfume Arpège como presente de aniversário para a sua filha – conhecida na época como Marie-Blanche de Polignac.

 

Marie-Blanche de Polignac, c. 1930.
Marie-Blanche de Polignac, c. 1930. Crédito: Roger Schall / Patrimoine Lanvin. Fonte: Lanvin.

 

 

A Expansão da Marca

 

Um vestido de criança de Jeanne Lanvin, 1925.
Um vestido de criança de Jeanne Lanvin, 1925. Fonte: The Guardian.

 

Antes de nada mais, Jeanne Lanvin foi uma das estilistas mais influentes do mundo contemporâneo, tendo lançado criações que marcaram em definitivo as primeiras décadas do século XX.

Afinal, ela vinha liderando um movimento de transformação da sociedade que ganhava cada vez mais corpo. Os tempos de roupas muito desconfortáveis e conservadoras começava a perder espaço.

Muito atenta e esforçada, a estilista expandiu a sua marca abrindo novos departamentos. O seu objetivo era atender as necessidades de uma sociedade em evolução.

 

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Maiô de veludo preto e pedrarias de Jeanne Lanvin, 1924.
Maiô de veludo preto e pedrarias de Jeanne Lanvin, 1924. Fonte: The Guardian.

 

Entre os produtos que explorou, estavam chapéus, roupas infantis, coleções femininas e juvenis, peles, lingerie, vestidos de noiva, roupas esportivas, coleções masculinas, perfumes e até mesmo decoração.

Assim, através de sua audácia, bom gosto e talento, Jeanne Lanvin construiu um império que perdura até os nossos dias.

 

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Estilo e Influências

 

O sucesso de Lanvin se deveu à curiosidade, inventividade e criatividade de Jeanne. Afinal, em cada nova coleção, a estilista procurou se reinventar, se inspirando nas viagens, nos artistas de seu tempo e em tudo ao seu redor.

 

Jeanne Lanvin.
Jeanne Lanvin. Fonte: Getty Images.

 

Ela não apenas foi a primeira a lançar uma linha de moda infantil, o que se deu em 1908, mas também foi a primeira a oferecer uma coleção masculina feita sob medida em 1926, e até mesmo a primeira a criar uma eau de toilette em 1933.

Em seu auge, Lanvin tinha quase 1.200 funcionários, muitas lojas e várias filiais em todo o mundo. Acima de tudo,  esse foi o resultado da visão de uma mulher excepcional.

 

Croqui do vestido Maharamee de Jeanne Lanvin, 1925.
Croqui do vestido Maharamee de Jeanne Lanvin, 1925. Fonte: The Guardian.

 

Em 1910, o orientalismo, que exercia grande influência em toda a Europa, fez com que Jeanne Lanvin passasse a apresentar roupas bastante exóticas à época, feitas em tecidos preciosos como veludos e cetins.

Às vésperas da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ela criou os chamados robes de style, que possuíam uma cintura marcada e saias cheia e rodadas. O modelo esteve em moda, com pequenas adaptações, até o início dos anos 20.

 

 

Vestido no estilo Robe de Style de Jeanne Lanvin.
Vestido no estilo Robe de Style de Jeanne Lanvin. Fonte: Getty Images.

 

O Toque Inovador de Jeanne Lanvin

 

Antes de mais nada, seus vestidos tinham sempre uma concepção romântica. Eram inspirados em formas vitorianas suavizadas e generosamente adornados com bordados, bem como uma severidade muitas vezes atenuada por babados.

Tudo o que ela criava transformava-se em sucesso: seus vestidos chemisiers, um bolero inspirado nos costumes bretões, vestidos bordados com miçangas – especiais para dançar -, vestidos esportivos de jérsei de lã xadrez com fios dourados e prateados, além de pijamas para festas e capas.

 

Vestido de seda de Jeanne Lanvin "Roseraie", 1923.
Vestido de seda de Jeanne Lanvin “Roseraie”, 1923. Crédito: Metropolitan Museum of Art. Fonte: Wikimedia commons.

 

Assim, entre as características mais marcantes do seu trabalho estavam o uso do bordado e o fino acabamento. Além disso, a presença marcante de um determinado tom de azul fez com que aquela cor ficasse conhecida como ‘o azul Lanvin’.

Jeanne Lanvin teve muitas inspirações, mas a elegância, a feminilidade e a modernidade foram as suas palavras-chave.

 

Vestido de seda de Jeanne Lanvin "Fusée",1938.
Vestido de seda de Jeanne Lanvin “Fusée”,1938. Crédito: Metropolitan Museum of Art. Fonte: Wikimedia commons.

 

Nos anos 1920, Lanvin se destacou pelo uso de cores arrojadas combinadas com técnicas decorativas inovadoras – que seguiu sendo uma marca do seu trabalho. Fitas, bordados, pérolas e detalhes preciosos adornavam vestidos sem nunca comprometer o trabalho de corte preciso e construção excepcional dos seus ateliês.

O uso do preto e branco foi incorporado às cores icônicas da marca, como o “azul Lanvin”. Esta combinação, às vezes intercalada com toques de prata, representou o auge do que era considerado chique em meados dos anos 20. Esse foi o resultado de pesquisas geométricas inspiradas pelo movimento Art Deco então em voga.

 

Legado de Jeanne Lanvin

 

Por fim, distante dos eventos sociais, a estilista evoluiu dentro de círculos restritos e íntimos de artistas, escritores e músicos. Era muito raro vê-la em eventos sociais, mas se ela comparecia era para observar os elegantes parisienses e, assim, melhor antecipar as suas tendências.

Jeanne Lanvin faleceu no dia 6 de julho de 1946, aos 79 anos. Jeanne deixou para trás um verdadeiro império.

 

Antonio Canovas del Castillo para Lanvin.
Antonio Canovas del Castillo para Lanvin. Fonte: Lanvin

 

Depois da morte de madame Lanvin, a direção da casa passou a Antonio Castillo, que, desde sua primeira coleção, apresentada em 1951, seguiu de perto o estilo da fundadora.

Em 1962, Castillo deixou a Maison Lanvin para abrir o seu próprio negócio. Jules François Crahay, que então vinha do ateliê de Nina Ricci, o sucedeu. O estilista brasileiro Ocimar Versolato também atuou na casa Lanvin como diretor, na segunda metade da década de 90.

 

Por Queila Ferraz.

Revisado e editado por Mariana Boscariol.

 

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