Nego Di vira bode expiatório em rejeição histórica. Terapeuta explica

Você sabe o que é um “bode expiatório”? O Nego Di, pode estar sendo um. Descubra o significado dessa expressão curiosa e profunda!

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Nego Di, participante do Big Brother Brasil 2021, enfrentou um verdadeiro mutirão com milhões de pessoas, incluindo famosos,  com o objetivo de que fosse eliminado do programa batendo recordes de rejeição.

E conseguiram! Nessa terça-feira (16/02), Nego Di foi eliminado do BBB 21 com 98,76% dos votos. Dessa forma, a saída do humorista entrou para a história do programa. Sarah e Fiuk, respectivamente, tiveram 0,37% e 0,87% dos votos.

 

Mas, o que pode ter gerado toda essa rejeição? O que pode estar por trás desse fenômeno? Para tentar compreender esse movimento, entrevistamos a terapeuta Camila Custódio do Consultório Emocional. Confira!

Reflexões: o que está por trás da rejeição histórica a Nego Di?

 

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Camila Custódio acredita que  as pessoas estão expressando sua fúria neste episódio do Nego Di. Assim, toda a raiva e frustração, estão sendo manifestadas em cima de uma única pessoa, e, isso é muito dolorido. Para ela, o ser humano está ferido e com ódio, e precisa personificar esse sentimento em alguém. Isso inclusive é fruto da própria cultura do cancelamento.

O brasileiro tem tido tantas frustrações: na política, na economia, na própria questão da pandemia, da vacina e até em relação ao carnaval… Hoje especificamente, uma terça-feira de carnaval, em que uma das festas mais populares do país precisou ser cancelada em decorrência da Covid-19.

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Tudo isso junto gerou um enorme sentimento frustração que precisou ser manifestado de alguma forma. É mais do que um feriado que foi cancelado, são pessoas canceladas, frustradas, com raiva, em plena pandemia! Em uma bolha, assistem a um reality que expõe as mazelas do ser humano, e, ao mesmo tempo que nos adoece, também nos ensina e serve como espelho da nossa sociedade.

 

 

Desta forma, a terapeuta argumenta:

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Acredito que esse índice de rejeição absurdo do Nego Di, não seja só por ele ter errado. Errar todos erram, mas sim por ele representar, de certa forma, toda essa gama de angústias: “ele vai sair, ele precisa ser punido! Ele precisa pagar por isso”!

Como se assim, as pessoas finalmente conseguissem sentir um pouco de alívio, uma falsa alegria, um pseudo sentimento de justiça finalmente sendo feita, depois de tanta expectativas frustradas com a participante não menos polêmica Karol Conka.

Talvez, essa é uma maneira das pessoas se sentirem vingadas, na esperança de ficaram mais aliviadas das angústias que as assola.

Simbolicamente, é como se estivesse fazendo justiça, e, o Nego Di, se torna nesse contexto, uma espécie de bode expiatório. Afinal, o cara errou, mas será que justifica tamanho ódio?

 

O que é um bode expiatório?

 

Atualmente a expressão “bode expiatório” é popularmente usada em referência a alguém que foi arbitrariamente escolhido para carregar, sozinho, a culpa por todos os malfeitos de uma situação, embora não seja responsável por nenhum deles.

Reflete a  busca imediata por responsáveis pelos problema, raivas e frustrações, neste caso, temos o exemplo do Nego Di.

 

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Qual a origem do termo?

 

Lucas de Oliveira Rodrigues explica que “a origem do termo “bode expiatório” está nas tradições hebraicas de sacrifício e expiação, que eram cerimônias religiosas de expurgação dos pecados do povo hebreu.

Nesses rituais, dois bodes e um touro eram separados para que fossem levados ao lugar de sacrifício como parte das cerimônias do Yom Kippur (dia do perdão).

No altar, um dos bodes era sorteado para ser queimado em holocausto, ou “oferta queimada”, com o touro.

O segundo bode tornava-se então o bode expiatório, e o sacerdote colocava as mãos sobre a cabeça desse animal e confessava todos os pecados do povo. Em seguida, o animal era levado ao deserto e deixado ao relento, carregando consigo todos os pecados do povo hebreu para que fosse recolhido pelo anjo caído Azazel.

Já na teologia cristã, o bode expiatório é representado na figura de Jesus e em suas provações sofridas no deserto. A imagem de Jesus ainda é vista como “o cordeiro de Deus”, pois está ligada ao ritual de sacrifício judeu na medida em que seu sacrifício foi em nome do perdão para o povo de Israel. Explica Lucas.

 

Voltando ao Nego Di

 

Camila questiona ainda, se todo esse mutirão de milhões de pessoas sendo feito para tirar o Nego Di, que envolve inclusive, famosos e  artistas, enfim, se toda essa energia fosse engajada para outras causas, que não descontar essa fúria em um único ser humano?

Por trás dessa revolta, pode ser que esses indivíduos estejam buscando uma compensação emocional, um tipo de justiça. Entretanto,  talvez, tais sentimentos deveriam ser alcançados de uma forma mais consciente.

Por que que essa mobilização de anônimos e  famosos com milhões de seguidores, unindo-se em prol de tirar uma única pessoa de um programa televisivo, julgando-a e condenando-a pelos erros cometidos? E se todo esse engajamento, esse mutirão que vira noite, fosse para uma outra causa mais relevante?

No entanto, para que possamos sentir esse senso de justiça de uma forma mais verdadeira, é necessário um sentido maior. Uma ação que esteja sendo feita por uma mudança que transforme o coletivo e nos dê um alívio verdadeiro.

Agora, se esta movimentação toda, é apenas para que o Nego Di saia do programa com recorde de rejeição,  este “senso de justiça” termina neste mesmo dia, e, não se preserva como uma causa duradoura, sem contar que ainda sacrifica alguém.

Assim, temos um questionamento: quando nós brasileiros teremos de fato, esse sentimento de justiça?  Não só através de uma tela. Não usando alguém, dentro de um reality para servir de causa:  “ah agora fomos compensados!”

Você não acha curioso uma pessoa, apenas uma pessoa receber toda esta comoção?  Mesmo estando em meio a todo esse caos de morte, dor e uma lista interminável de outras questões?

Realmente, a graça do jogo é mesmo a fofoca e a intriga, claro. É isso que mantém o interesse no próximo lance… Por outro lado, ainda que Nego Di tenha dado motivos de sobra para sair, não é cruel demais a mobilização, não apenas para tira-lo, mas torná-lo campeão de rejeição?

É assim que vamos nos  sentir com o dever cumprido ou teria uma outra forma mais nobre? Reflete Camila.

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