Na última segunda-feira (21), no Jogo da Discórdia do BBB22, a participante Laís atacou Arthur Aguiar. A sister afirmou que ele não era homem o suficiente para votar em Jade e, por isso, mirava nela. Ela chegou, aliás, a continuar a fala, dizendo que ele era um moleque.

Arthur ficou reflexivo e retornou logo depois, durante a discussão com os outros brothers Douglas Silva e Paulo André que gostaria de ter falado: “Eu não sabia que o que definia eu ser mais ou menos homem era ter colocado ela (Jade) no Paredão.”

Em seguida, a terapeuta Camila Custódio, colunista do Fashion Bubbles, fala sobre o conceito de masculinidade em nossa sociedade. Continue lendo!



Masculinidade tóxica


https://youtu.be/CcJlJRnFif4


Fica o questionamento: por que homens, para mostrar sua masculinidade, precisam atacar outras mulheres?

Não é justamente isso que nós mulheres viemos historicamente através dos anos lutando, enfrentando, questionando e pedindo que seja diferente? Que os homens possam mostrar seu ponto de vista, discordando, mas com gentileza e respeito. Sem agressões, ironias, piadas sexistas e outros tipos de abusos?

Nós falamos tanto sobre masculinidade tóxica e percebo, sim, um movimento dos homens em desconstruir e ressignificar esse padrão. No entanto, o que precisamos aprender para lidar com essa masculinidade ressignificada?

Então, por que reduzir ou questionar a masculinidade de um homem quando ele age ou reage da forma que buscamos em termos de igualdade?



O que é ser homem?


Laís e Arthur no Jogo da Discórdia do BBB 22
Fonte: Gshow

A masculinidade é um conjunto de características que a sociedade valoriza em um homem. Ou seja, para um homem ter valor dentro de uma comunidade, ele tem que provar sua masculinidade a todo momento.

Em resumo, ter masculinidade é ser forte. E ser forte não é algo ruim. Mas a forma como a gente ensina os homens a mostrarem essa força é o problema. Isso porque ensinamos a eles que ser homem é ser agressivo.

Nesse sentido, quanto mais agressivo um homem for (seja fisicamente, emocionalmente, ou na forma de se comunicar) mais homem ele é. E aí estamos alimentando o conceito de masculinidade tóxica.

Esperamos que um homem seja corajoso, destemido e que fale o que pense, sem medo das consequências. E o pior: ele não costuma ser punido por suas ações agressivas. Afinal, ele é homem, ele pode. Infelizmente, esse conceito ainda está introduzido na cabeça de muitos homens e até mesmo das mulheres.

Quando ele reage diferente, tem sua masculinidade questionada por aqueles que não compreendem sua atitude, sua forma de pensar e de comunicar seus pensamentos.

Em situações onde “vale tudo”, esse pensamento se reforça: acabe com ela, da forma mais cruel que você conseguir. Revide, não deixe essa situação assim, se vingue, chegou a hora!


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E como a masculinidade aparece no BBB?


5º Jogo da Discórdia
Fonte: Gshow

Somos apaixonados por realities, pois eles mostram as pessoas como elas são, sem máscaras. Contudo, também não aceitamos quando elas se mostram de uma forma diferente do esperado pela maioria. Afinal, queremos ver o parquinho pegar fogo.

O que esse jogo revela sobre nosso comportamento como voyeurs dessa indústria do entretenimento?

O participante Arthur Aguiar, até o momento, tem se revelado um grande jogador. O brother é estrategista, ouve e responde usando mais a sua inteligência emocional do que se deixando levar pelos seus impulsos de “homem (tóxico do passado) de verdade” e tem feito muita gente repensar seus pontos de vista.



Laís e Arthur no Jogo da Discórdia: conclusão


Laís e Arthur
Fonte: Gshow

Cabe a todos nós, homens e mulheres, ressignificar nossos conceitos. Lembrar que homem de verdade é aquele que também honra sua palavra, assim como mostra sua vulnerabilidade sem ter medo de ser julgado por isso. É aquele que demonstra congruência entre suas falas e sua atitude, que divide as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos e que não acusa uma mulher de louca durante uma discussão.

Um homem de verdade reconhece seus erros, sabe pedir desculpas e, além disso, trabalha no seu processo de melhoria. Ele usa do seu autoconhecimento, a ferramenta mais poderosa que existe para um ser humano quando sabemos usá-la a nosso favor.

Será que estamos preparados para receber esse homem sem atacá-lo e julgá-lo como menos homem por isso?
Será que não está faltando mais coerência da nossa parte ou é reflexo do machismo velado presente também nas mulheres?

Fica a proposta de reflexão, lembrando que, no jogo da vida, assim como no BBB22, não vale tudo. Mas vale, sim, o aprendizado para sermos pessoas melhores, independentemente do nosso gênero ou orientação sexual.

Afinal, respeito é bom e todos nós gostamos! Não é mesmo?


https://youtu.be/GG-BLpA_MFA



Sobre a colunista


Camila Custódio
Fonte: Divulgação

Camila Custódio é idealizadora do Consultório Emocional – @consultorioemocional nas redes sociais. Camila é Assistente Social, Terapeuta de Família e Casal, Terapeuta Relacional Sistêmica, Psicanalista e Coach. Além disso, é Especialista em Gestão da Emoção e Consultora em Desenvolvimento Humano.

Escreve sobre saúde emocional, relacionamento e empoderamento feminino para sites, revistas e blogs. Atende pacientes online de todo o Brasil e do exterior.