Klara Castanho, novelas, Leo Dias

Quem é Klara Castanho? A jovem atriz foi violentada, ficou grávida e decidiu fazer a adoção do bebê

Klara Castanho, que cresceu aos olhos do público, escreveu uma carta aberta e relatou uma violência sexual, gravidez e adoção

Uma história da vida real deixou o público perplexo pela tamanha violência e exposição da vida de um artista. , atriz de 21 anos, veio a público na noite do último sábado, 25 fazer um desabafo.

Acontece que nos últimos dias, uma notícia pesada começou a circular na mídia. A principio, ela foi dada de forma cifrada (sem citar nomes e detalhes), por . O jornalista participou do programa “The Noite”, do . Por lá ele disse que tinha uma bomba sobre uma atriz da .

Na sequência, foi a vez da digital influencer, Antonia Fontenelle. Durante uma live, Antonia disparou para seus seguidores: “uma atriz global de 21 anos teria engravidado e doado a criança para adoção”.

“Ela não quis olhar para o rosto da criança”- reforçou a influencer em sua rede social.

Imediatamente o público de Antonia Fontenelle começou a julgar, a tal atriz e a especular nomes. Dessa forma, Klara Castanho decidiu fazer uma carta aberta e contar o que, de fato aconteceu.

“Não posso silenciar ao ver pessoas conspirando e criando versões sobre uma violência repulsiva e de um trauma que eu sofri. Eu fui estuprada” – iniciou seu relato, Klara Castanho nas redes.

Quem é Klara Castanho?

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Klara Castanho cresceu aos olhos do público e atuou em várias novelas da Globo, filmes e séries. Fonte: Reprodução/Globo

Aos 9 meses, Klara Castanho iniciou sua carreira artística através de fotos para campanhas publicitárias. Assim sendo, a atriz participou de mais de 60 comerciais para revistas e TV.

Sua estreia na TV aconteceu na série, “Mothern” (2006), no GNT. Na sequência, Klara foi para o SBT onde participou da novela “Revelação”. Em 2009, Castanho foi anunciada para um papel de destaque na novela “Viver a Vida”. A atriz daria vida a primeira vilã mirim da Globo.

No entanto, a Justiça decidiu intervir no enredo da trama, alegando que a atriz era apenas uma criança, e isso poderia trazer diversos problemas em sua vida pessoal. Manoel Carlos, o autor da novela, decidiu então, fazer algumas adaptações.

Em seguida, Klara Castanho fechou contrato com a Globo onde seguiu fazendo novelas. Entre elas: “Morde e Assopra” (2011), “ Eterno Amor” (2012), “Viver a Vida”(2013) e “Além do Tempo” (2015). Seu último trabalho na Globo foi no reality musical, “Popstar “, em 2018.

Atualmente, a atriz integra duas séries da Netflix, “De Volta aos 15” e “Bom Dia Verônica” – segunda temporada. Essa última produção ainda sem data para estrear.

Em 2016, ao 16 anos, Klara Castanho foi emancipada pelo pais devido ao seu trabalho. A atriz chegou a dar uma pausa na carreira para ingressar na faculdade, mas isso ainda não aconteceu.

Gravidez e adoção de Klara Castanho

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A atriz expôs toda violência que sofreu antes e depois de decidir fazer a adoção de seu filho. Fonte: Instagram

Após as especulações e temendo novos julgamentos, Klara Castanho disse que após ter sido vítima de estupro, ela ficou com medo e vergonha de ir até a delegacia. A atriz então tomou a “pí do dia seguinte”. Todavia, mais tarde, a atriz descobriu que estava grávida, praticamente na reta final da gestação.

Após passar mal, Klara foi até o médico. A artista ainda alegou que durante os meses de seguiu tendo menstruações e sem barriga. Dessa forma, Klara Castanho, procurou uma advogada e decidiu doar seu filho.

Klara afirmou que não conseguiria criar uma criança que foi consequência de um estupro. A atriz seguiu todos os procedimentos legais para a adoção.

Todavia, novamente Klara Castanho teve sua intimidade exposta. Visto que Leo Dias publicou em sua coluna, o hospital em que Klara deu a luz, o da criança e até o peso. Enquanto isso, Antonia Fontenelle seguiu suas publicações com suas opiniões sobre o caso.

Leia a Carta de Clara Castanho na íntegra

Klara Castanho, novelas, Leo Dias
Aos 21 anos, Klara Castanho relata um estupro e uma gravidez indesejada. Fonte: Reprodução/Instagram

“Esse é o relato mais difícil da minha vida. Pensei que levaria essa dor e esse peso somente comigo. Sempre mantive a minha vida afetiva privada, assim, expô-la dessa maneira é algo que me apavora e remexe dores profundas e recentes.

No entanto, não posso silenciar ao ver pessoas conspirando e criando versões sobre uma violência repulsiva e de um trauma que sofri. Fui estuprada. Relembrar esse episódio traz uma sensação de morte, porque algo morreu em mim. Não estava na minha cidade, não estava perto da minha família, nem dos meus amigos.

Estava completamente sozinha. Não, eu não fiz boletim de ocorrência. Tive muita vergonha, me senti culpada. Tive a ilusão de que se eu fingisse que isso não aconteceu, talvez eu esquecesse, superasse. Mas não foi o que aconteceu. As únicas coisas que tive forças para fazer foram: tomar a pílula do dia seguinte e fazer alguns exames.

E tentei, na medida do possível e da minha frágil capacidade emocional, seguir adiante, me manter focada na minha família e no meu trabalho. Mas mesmo tentando levar uma vida normal, os danos da violência me acompanharam. Deixei de dormir, deixei de confiar nas pessoas, deixei uma sombra apoderar-se de mim” – começou Klara Castanho.

“As Redes sociais são uma ilusão”

Em seguida, Clara Castanho seguiu sua carta no Instagram:

“Uma tristeza infinita que eu nunca tinha sentido antes. As redes sociais são uma ilusão e deixei lá a ilusão de que a vida estava ok enquanto eu estava despedaçada. Somente a minha família sabia o que tinha acontecido.

Os fatos até aqui são suficientes para me machucar, mas eles não param por aqui. Meses depois, eu comecei a passar mal, ter mal-estar. Um médico sinalizou que poderia ser uma gastrite, uma hérnia estrangulada, um mioma. Fiz uma tomografia e, no meio dela, o exame foi interrompido às pressas.

Fui informada que eu gerava um feto no meu útero. Sim, eu estava quase no término da gestação quando eu soube. Foi um choque. Meu mundo caiu. Meu ciclo menstrual estava normal, meu corpo também. Eu não tinha ganhado peso e nem barriga. Naquele momento do exame, me senti novamente violada, novamente culpada.

Em uma consulta médica contei ter sido estuprada, expliquei tudo o que aconteceu. O médico não teve nenhuma empatia por mim. Eu não era uma mulher que estava grávida por vontade e desejo, eu tinha sofrido uma violência.

“Tentando juntar os caco”

De maneira idêntica, Klara Castanho seguiu relatando os julgamentos até dos profissionais de que lhe atenderam:

E mesmo assim esse profissional me obrigou a ouvir o coração da criança, disse que 50% do DNA eram meus e que eu seria obrigada a amá-lo. Essa foi mais uma da série de viol~encias que aconteceram comigo. Gostaria que tivesse parado por aí, mas, infelizmente, não foi isso o que aconteceu. Eu ainda estava tentando juntar os cacos quando tive que lidar com a informação de ter um bebê. Um bebê fruto de uma violência que me destruiu como mulher.

Eu não tinha (e não tenho) condições emocionais de dar para essa criança o amor, o cuidado e tudo o que ela merece ter. Entre o momento que eu soube da gravidez e o parto se passaram poucos dias. Era demais para processar, para aceitar e tomei a tomei a atitude que eu considero mais digna e humana.

Eu procurei uma advogada e conhecendo o processo, tomei a decisão de fazer uma entrega direta para a adoção. Passei por todos os trâmites: psicóloga, ministério público, juíza, audiência, todas as etapas obrigatórias. Um processo que, pela própria lei, garante sigilo para mim e para a criança. A entrega foi protegida e em sigilo.

Ser pai e/ou mãe não depende tão somente da condição econômica-financeira, mas da capacidade de cuidar. Ao reconhecer a minha incapacidade de exercer esse cuidado, eu optei por essa entrega consciente e que deveria ser segura” – seguiu seu relato, Klara Castanho.

Ameaça e descoberta do colunista

Segundo Klara, um colunista descobriu a gravidez da atriz e imediatamente lhe uma mensagem para confirmar os fatos.

No dia em que a criança nasceu, eu, ainda anestesiada do pós-parto, fui abordada por uma enfermeira que estava na sala de cirurgia. Ela fez perguntas e ameaçou: ‘imagina se tal colunista descobre essa história’.

Eu estava dentro de um hospital, um lugar que era para supostamente para me acolher e me proteger. Quando cheguei no quarto já havia mensagens do colunista, com todas as informações. Ele só não sabia do estupro. Eu ainda estava sob o efeito da anestesia.

Dessa forma, eu não tive tempo de processar tudo aquilo que estava vivendo, de entender, tamanha era era a dor que eu estava sentindo. Eu conversei com ele, expliquei tudo o que tinha me acontecido. Ele prometeu não publicar. Um outro colunista também me procurou dias depois querendo saber se eu estava grávida e eu falei com ele.

Mas apenas o fato de eles saberem, mostra que os profissionais que deveriam ter me protegido em um momento de extrema dor e vulnerabilidade, que têm a obrigação legal de respeitar o sigilo da entrega, não foram éticos, nem tiveram respeito por mim e nem pela criança”– seguiu a atriz.

“Vocês não tem noção da dor que eu sinto”

De maneira idêntica, Klara Castanho segue seu relato de forma dilaceradora:

“Bom, agora, a notícia se tornou pública, e com ela vieram mil informações erradas e ilações mentirosas e cruéis. Vocês não têm noção da dor que eu sinto. Tudo o que fiz foi pensando em resguardar a vida e o futuro da criança. Cada passo está documentado e de acordo com a lei. A criança merece ser criada por uma família amorosa, devidamente habilitada à adoção, que não tenha as lembranças de um fato tão traumático.

E ela não precisa saber que foi resultado de uma violência tão cruel. Como mulher, eu fui violentada primeiramente por um homem e, agora, sou reiteradamente violentada por tantas outras pessoas que me julgam. Ter que me pronunciar sobre um assunto tão íntimo e doloroso me faz ter que continuar vivendo essa angústia que carrego todos os dias.

A verdade é dura, mas essa é a história real. Essa é a dor que me dilacera. No momento, eu estou amparada pela minha família e cuidando da minha saúde mental e física.

“Não foi desejo meu”

Minha história se tornar pública não foi um desejo meu, mas espero que, ao menos, tudo o que me aconteceu sirva para que mulheres e meninas não se sintam culpadas ou envergonhadas pelas violências que elas sofram.

Entregar uma criança em adoção não é um crime, é um ato supremo de cuidado. Por fim, eu vou tentar me reconstruir, e conto com a compreensão de vocês para me ajudar a manter a privacidade que o momento exige. Com carinho, Klara Castanho” – finaliza a atriz.

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Enquanto isso, veja uma participação de Klara no canal Viva, onde ela fala da primeira vilã mirim:


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