Sem dúvida, todo ser humano passa por seus momentos de crise. Mas, nos últimos anos, o sofrimento emocional de boa parte da população tem se agravado. Nem as celebridades passaram ilesas da pandemia, e muitas agora vivem as consequências dos momentos complicados que passaram.

Na última semana, o sete vezes campeão da Fórmula 1, Lewis Hamilton, fez um desabafo nas redes sociais dizendo que “lutou mental e emocionalmente por muito tempo, que enfrentou um ano difícil com tudo que está acontecendo ao nosso redor e que alguns dias é difícil se manter positivo.”

Em seguida, a terapeuta Camila Custódio faz uma reflexão sobre saúde mental e emocional. Além disso, ela dá dicas de como ajudar e acolher uma pessoa ansiosa. Então, continue lendo!

O desabafo de Lewis Hamilton

desabafo de Lewis Hamilton sobre saúde mental
Fonte: Instagram @lewishamilton

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Em seu post, Lewis Hamilton também ofereceu apoio aos seus seguidores. “Estou escrevendo para dizer que não há problema em se sentir do jeito que você se sente, apenas saiba que você não está sozinho e que vamos superar isso!”, acrescentou Hamilton.

Em 2021, o piloto também usou as redes sociais a fim de falar abertamente sobre sua saúde mental e os reflexos na sua autoestima. Assim, revelou o quanto costuma ser crítico com a aparência do seu próprio corpo ao falar da sua percepção sobre a autoimagem e do papel dos treinos em sua rotina:

“Lembre-se, malhar libera endorfinas que começam seu dia positivamente. Então, se você for como eu e tiver problemas com a sua saúde mental, o treinamento é um grande fator para ajudar a manter-se positivo”, disse.

Ao mesmo tempo, ele salientou: “Mostrar seu lado vulnerável não o torna fraco, em vez disso, gosto de pensar nisso como uma chance de se tornar mais forte”.

Hamilton é mais uma celebridade que usa as redes sociais para mostrar sua humanidade e vulnerabilidade. Dessa forma, faz um convite para as pessoas refletirem sobre a sua saúde mental e seu sofrimento emocional.

Figuras públicas desempenham um papel fundamental ao colocar a saúde mental em evidência. Afinal, depressão, ansiedade e outros transtornos devem ser discutidos abertamente para que possam ser desmistificados, prevenidos e devidamente tratados.

Elas ajudam a promover a conscientização e prevenção do adoecimento emocional. Nesse momento tão atípico, mais do que nunca se faz necessário o diálogo sobre a saúde mental e emocional. Afinal, o tema ainda é tratado como um tabu na maior parte do mundo.

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O sofrimento emocional nos dias atuais

O sofrimento emocional nos dias atuais
Fonte: Pixabay

Há tempos que vivemos momentos difíceis. Difíceis de entender, de aceitar, de acreditar, de acompanhar e, principalmente, de sentir. Isso afeta todos nós, figuras públicas ou não.

Na correria do cotidiano, estamos tentando conciliar nossas agendas, com o limiar de uma pseudonormalidade da vida em meio ao caos do mundo.

Seguimos imersos em timelines nas redes sociais que mesclam memes, cenas de guerra, doenças, abusos, mensagens positivas e fake news. Fotos dos que se foram, dos que viajam, dos que consomem, do que é tendência, dancinhas virais, cancelamentos e julgamentos. Notícias dos que tiraram a sua própria vida, do metaverso, da política, da covid e da crise na economia. Enfim, muitos, muitos gatilhos de ansiedade.

Impossível não questionar como lidamos com nossas dores emocionais frente a tudo isso.

Vivemos uma época de urgências. Urgência de sermos felizes, produtivos, bonitos, bem sucedidos e de mostrar tudo isso. O que causa, sem dúvida, muito mais ansiedade. Mas todas essa urgência se cruza com uma geração mais deprimida e ansiosa.

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Qual a geração mais ansiosa?

mulher da geração Y
Fonte: Pexels

Sim, os millenials ou geração Y são considerados pelos especialistas uma geração deprimida. Isso é comprovado por dados, já que pesquisas indicam que essa geração faz uso cada vez maior de antidepressivos; buscam muito mais por atendimento psicológico e manifestam de forma mais  consciente os sinais de ansiedade, tristeza e depressão.

Precisamos continuar desmistificando os estigmas em torno da saúde mental e emocional. No entanto, também precisamos trabalhar o acolhimento que é tão importante para apoiar uma pessoa em crise. Assim como Hamilton trouxe em sua fala, “continuar é um esforço constante, mas temos que continuar lutando, temos muito a fazer e alcançar”.

“Mentalmente, você tem momentos de vitórias e sucesso, e depois você tem pontos baixos muito fortes. É algo que nunca comentei, mas é comum você sofrer de problemas mentais – instabilidades – e é difícil ficar bem quando você chega ao fundo do poço, o que pode acontecer com atletas. Se você tiver sorte você encontra força no fundo do poço. A questão é como você se levanta, e não como você cai”, afirmou o piloto em entrevista a David Letterman.

O que acalma uma pessoa ansiosa?

O que acalma uma pessoa ansiosa?
Fonte: Pexels

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Mas o que podemos fazer para ajudar quem está passando por sofrimento emocional? Dar suporte é muito importante e pode fazer a diferença na vida de uma pessoa em crise. Então, experimente acolher da seguinte forma:

  • Ouça sem julgar, seja compreensivo e paciente. Já é muito difícil para alguém passar por esse tipo de situação, imagine se tiver que ouvir críticas acerca de seu comportamento? Isso pode gerar ainda mais sofrimento. Portanto, cuide de suas palavras para que não traga mais dor ao outro;
  • Demonstre sua disposição em ajudar, sem pressionar a pessoa, respeitando seu momento e mostrando que, está ali para o que ela precisar;
  • Procure manter a calma e transmita isso ao outro. A pessoa que sofre de ansiedade tem muita dificuldade em controlar seus pensamentos, sentimentos e comportamentos. Por isso, manter-se calmo irá ajudar o outro a passar por esse momento. Afinal, o comportamento lhe transmitirá a tranquilidade de que ela não está sozinha, e a certeza de que aquilo irá passar;
  • Evite focar no que a pessoa está sentindo, uma vez que, se você pergunta constantemente como a pessoa está, ela vai focar naquele sintoma e isso pode amplificar a intensidade da ansiedade. Procure redirecionar a atenção dela para outra coisa, como atentar para a respiração, quem sabe até mesmo respirando juntamente com ela.

Além disso, incentive a pessoa a procurar ajuda especializada sempre que possível!

Lembre-se que acolher não é resolver o problema pelo outro, e sim validar e reconhecer tudo que o outro está sentindo. Às  vezes, um abraço ajuda. Mas, outras vezes, o que alivia é a certeza de que alguém está ouvindo e só!

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Sobre a colunista

Camila Custódio
Fonte: Divulgação

Camila Custódio é idealizadora do Consultório Emocional – @consultorioemocional nas redes sociais. Camila é Assistente Social, Terapeuta de Família e Casal, Terapeuta Relacional Sistêmica, Psicanalista e Coach. Além disso, é Especialista em Gestão da Emoção e Consultora em Desenvolvimento Humano.

Escreve sobre saúde emocional, relacionamento e empoderamento feminino para sites, revistas e blogs. Atende pacientes online de todo o Brasil e do exterior.