Tipos de terapia – Psicóloga explica diferentes abordagens e como encontrar a sua

A psicologia oferece diferentes caminhos para lidarmos de maneira saudável com os desafios da vida. A psicoterapeuta Cléo Medeiros fala sobre os diferentes tipos de terapia e como encontrar um bom profissional.

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 Atualmente,  existem diversos tipos de terapia disponíveis para quem quer aprender a lidar com as emoções e desafios da vida.

Sendo assim, precisamos entender o que muda de um para o outro. Dessa forma, podemos escolher a que melhor nos atenderá.

Para isso, conversamos com a psicóloga Cléo Busanello de Medeiros, pesquisadora do Núcleo de Estudos em Psicanálise e Infâncias da Universidade do Rio Grande do Sul (NEPIs/UFRGS). A especialista explica as diferenças entre os variados tipos de terapia e dá dicas para que você encontre o seu terapeuta ideal.

 

Que tipos de terapia existem?

 

Primeiramente, Cléo Medeiros aponta que nem todos os tipos de terapia são parte da psicoterapia. “A etimologia da palavra terapia é “cuidado”. Sendo assim, é um termo bastante abrangente que caracteriza tratamentos diferentes. Logo, temos a fisioterapia, laserterapia, eletroconvulsoterapia, hormonioterapia, terapia ocupacional, etc.” explica.

De acordo com a profissional, a  psicoterapia é uma prática mais comumente vinculada ao psicólogo ou psiquiatra. Esse profissional poderá utilizar abordagens e teorias variados em sua prática.

Sendo assim, alguns tipos de terapia são mais breves, focais, trabalhando questões pontuais da vida do paciente. Logo, essas abordagens são empregadas por tempo limitado e com mais direção.

“Existem, por outro lado, processos terapêuticos que trabalham muito mais a partir do acolhimento da demanda e dos seus desdobramentos, independente do tempo que esse processo levará. Por exemplo, as psicoterapias psicanalíticas e humanistas.” conta Cléo  Medeiros.

“Há uma infinidade de teorias dentro da Psicologia. Cada profissional, pautado pelo código de ética do psicólogo, trabalha a partir do seu entendimento.” ensina a psicóloga.

 

Principais tipos de terapia

 

Primeiramente, Cléo Medeiros pontua que podemos distinguir as psicoterapias individuais das de casal, família e grupo.

Dentro das individuais, são muitas as teorias e abordagens. Logo, compreender uma por uma pode ser desafiador. Assim, a profissional ensina algumas bases para que possamos entender diferenças mais gerais.

No entanto, alerta para a complexidade da questão. “Essa é apenas uma aproximação inicial, que visa simplificar e acessibilizar estes conhecimentos para todos aqueles que buscam iniciar uma psicoterapia e não sabem por onde começar ou quem buscar”.

 

Psicanálise

 

A psicanálise é um tratamento focado na associação livre. Ou seja, o paciente fala livremente durante a sessão, sem direcionamento específico. A psicoterapeuta explica que esse fluxo livre de consciência pode trazer à tona as raízes das questões que nos afetam, traçando paralelos entre passado e presente.

Nesse tipo de terapia se pode lançar mão do uso do famoso divã. De acordo com Cléo Medeiros, a intenção é diminuir incidência do olhar do psicanalista sobre o paciente, que por vezes pode causar inibição e sensações de vergonha e julgamento no sujeito, dificultando que o mesmo discuta questões delicadas ou constrangedoras em sessão. 

Além disso, é importante salientar que  a psicanálise possui diversas leituras: freudiana, kleiniana, lacaniana e mais. Dessa forma, a abordagem psicanalítica pode variar de um profissional para o outro.

 

TCC – Terapia Cognitivo-Comportamental

 

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As Terapias Cognitivo-Comportamentais são um tipo de terapia em que o psicólogo e o cliente trabalham como uma equipe para identificar e resolver dificuldades. “Dentro das teorias cognitivas, o trabalho pode se dar de modo mais focado no problema que traz o paciente para atendimento.” conta Cléo Medeiros.

Assim, ela explica que podemos usar protocolos, exercícios mentais e psicoeducação. Essa é uma técnica que ensina o paciente sobre sua questão. Por exemplo, um diagnóstico de ansiedade. Dessa forma, aprende-se a lidar com as dificuldades de forma mais consciente e proativa.

Em suma, as Terapias Cognitivo-Comportamentais tentam investigar e corrigir pensamentos distorcidos. Assim, o paciente pode obter alívio de sintomas desgastantes e se relacionar consigo e com os outros de forma mais saudável.

 

Terapia Não-individuais

 

Cléo Medeiros explica que, dentro das terapias não-individuais, a mais conhecida é a terapia sistêmica. Essa modalidade pode trabalhar as questões de um casal ou família. Assim, observam-se os diferentes sistemas nos quais o paciente se encontra.

“Em uma terapia familiar por exemplo, o psicólogo focará ora no sistema conjugal, ora no sistema parental, ora no sistema fraternal. Ou em quaisquer outras modalidades de relações que se coloquem naquela família em questão.” ensina a profissional.

Além disso, a profissional conta que existem também terapias em grupo. Nelas, usam-se diferentes abordagens, sendo o psicodrama uma das mais comuns.

“O psicodrama possui todo um funcionamento próprio que não é simples de resumir. Mas de maneira geral, busca trabalhar a partir da teatralidade as questões interiores de algum dos indivíduos do grupo, tendo o amparo do resto nesta dramatização.”

 

 

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Imagem: Reprodução / Pexels

 

Quem deve fazer terapia?

 

Para Cléo Medeiros, a famosa frase “todo mundo deveria fazer terapia” não é necessariamente verdadeira. “Entendo a premissa, essa ideia de autocuidado, saúde mental e de que um processo terapêutico é benéfico para quem o busca. Mas confesso que discordo. Terapia não é uma panaceia, um remédio que cura tudo. Por vezes é um trabalho difícil, de confronto com as nossas certezas e experiências dolorosas.”

Assim, a especialista explica que, ainda que a intenção seja promover o bem estar do paciente, o processo pode ser bastante desafiador.

Para ela, a frase deveria ser “todos que têm perguntas sobre si mesmos e seus sofrimentos deveriam fazer terapia”.

Sendo assim, Cléo acredita que quem deve fazer terapia é quem quer. “Não há limite de idade, não há motivo certo ou errado, não há jeito melhor ou pior de se tratar, o importante é buscar um profissional psicólogo caso assim surja o desejo.” O importante mesmo é estar disposto!

Veja também nosso especial de Ansiedade – Como evitar? Com causas, sintomas e tratamentos. Além de O que é Ayurveda? Tudo sobre o sistema de saúde mais antigo do mundo.

Como saber que tipo de terapia é adequado para você?

 

A especialista enfatiza que nem todos os tipos de terapia são interessantes para todos os pacientes. Sendo assim, recomenda que consideremos algumas questões práticas. Por exemplo, se buscamos um processo mais breve e focal, ou sem limite de tempo.

Além disso, é interessante pensar se gostaríamos de trabalhar de forma mais livre ou em alguma questão muito pontual e específica, como uma fobia. “Vale a pena conversar com o próprio psicólogo sobre isto, se for uma questão que te desperta dúvida, e procurar entender a maneira com que ele/a trabalha.”

 

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Imagem: Reprodução / Pexels

Como encontrar um bom psicólogo?

 

De acordo com Cléo Medeiros, esse pode ser um ponto mais crucial do que os tipos de terapia. “Mais importante do que escolher a psicoterapia de linha X ou Y é encontrar um profissional. Ele deve nos acolher e fazer com que nos sintamos escutados e respeitados.” explica.

Sendo assim, Cléo enfatiza a necessidade de ficarmos atentos ao nosso próprio desconforto. “Talvez com este profissional você não se sinta tão à vontade, mas com aquele outro sim. É impossível saber antes de começar. Além disso, não necessariamente uma primeira experiência ruim vai significar que você não deve fazer terapia”.

 

5 formas de encontrar um bom psicólogo

 

  • Pedindo indicações para pessoas de sua confiança: essa é uma boa forma de ter acesso a profissionais que sua rede de apoio já testou e aprovou.
  • Pesquisando os profissionais da sua cidade ou região no seu plano de saúde: os planos de saúde disponibilizam listagens de profissionais associados. Assim, você já vai direto a um especialista que aceita o seu convênio.
  • Pelo SUS: dependendo do município,  na sua unidade de saúde de referência é possível organizar um encaminhamento ou pelo menos informar-se sobre a rede de saúde mental da região.
  • Buscando clínicas escola: muitas universidades montam clínicas de psicoterapia para que os estudantes dos últimos anos do curso de Psicologia possam praticar. Nesses locais, o atendimento oferecido pelos estudantes é gratuito. Ainda assim, o acompanhamento dos professores garante a qualidade do serviço prestado.
  • Organizações e coletivos pela saúde mental: esses são grupos que facilitam a conexão entre pacientes e psicólogos que atendem por valores flexíveis. Algumas vezes estão ligados a hospitais e clínicas e em outras são independentes.
  • Em são Paulo você tem o CEP – O Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP) é uma organização que viabiliza os estudos e o desenvolvimento de projetos em psicanálise, de maneira a adequar instrumentos teóricos e técnicos às necessidades da comunidade. Lá você pode pedir a indicação de um profissional perto da sua casa. (+55(11)3774-1055)
  • Ainda em São Paulo você encontra também o Instituto Humanae –Instituto de Psicologia e Cultura (Facebook): “Existem bilhões de pessoas no planeta e muitos tipos de personalidades diferentes algumas são introvertidas outras extrovertidas algumas se guiam pela lógica e outras pelos sentimentos. Em um mundo com tanta diversidade como aprendemos a lidar com aqueles que são diferentes? E como aprendemos a entender e aceitar quem nós somos?” (CARL GUSTAV JUNG)
  • Já a terapeuta Camila Custódio, do Consultório Emocional também faz atendimentos por Skype.

 

Em conclusão, existem muitas formas de encontrar um tipo de terapia ideal para você e que caiba no seu bolso.

Para a especialista, a importância disso é popularizar o tratamento da saúde mental. “Um tratamento psicológico não precisa ser caro ou elitizado e já há algumas iniciativas para tornar o acesso a ele mais democrático e universal. Revisitando a frase mítica do início,  todo mundo deveria poder fazer terapia.” diz Cléo Medeiros.

 

E se um tipo de terapia não der certo?

 

Uma má experiência com um dos tipos de terapia pode ser muito desmotivadora. No entanto, lembre-se de que existem outras abordagens e profissionais no mercado.

Assim, ao ter uma experiência negativa com um terapeuta, não desanime. Como mencionado por Cléo Medeiros, uma experiência ruim não quer dizer que a terapia não é para você.

 

Atenção às más práticas

 

Além disso, atente ao que tornou sua experiência negativa. A profissional faz um alerta para às más praticas dentro da profissão. “Não é raro escutar relatos de condutas problemáticas de psicólogos em atendimentos terapêuticos.” explica.

Nesses casos, Cléo Medeiros explica que deve-se contatar o canal para denúncias nos sites dos Conselhos Regionais de Psicologia de cada estado. “A denúncia é anônima e o profissional será investigado, podendo sofrer diferentes sanções dependendo da gravidade da situação.”

A psicóloga explica que o código de ética que rege a profissão possui regras claras. “Ele estabelece o direito do paciente ao sigilo; veda ao psicólogo a prática ou conivência com quaisquer atos de negligência, violência, discriminação, exploração, crueldade ou opressão e também veda a indução de convicções políticas, morais, filosóficas, ideológicas, etc no exercício profissional (vide a “cura gay”).”

Para ela, um bom psicólogo cumprirá com o código de ética e proporcionará um ambiente seguro e sigiloso de escuta e respeito, sem censura ou julgamento.

Além da terapia, Cléo refere que se você sente que esta em um momento crítico e precisa de uma ajuda mais urgente, é importante procurar uma emergência psiquiátrica na sua cidade ou contatar o Centro de Valorização da Vida.

O CVV é um serviço 24h que oferece apoio emocional e prevenção ao suicídio.  O centro pode ser acessado em ligação gratuita e sigilosa para o número 188, chat 24h no site cvv.org.br e e-mail.

 

Fonte:

Cléo Busanello de Medeiros, psicóloga graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, pesquisadora do Núcleo de Estudos em Psicanálise e Infâncias (NEPIs/UFRGS).

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