Os sociólogos americanos nas primeiras décadas do século XX já discutiam sobre a teoria do contágio e se preocupavam em entender como se dava o processo de transmissão de atitudes e idéias dentro de um grupo. Acreditavam que o indivíduo, em algumas circunstâncias, influenciado pelo grupo, se comportava de uma forma bastante diferente do que se estivesse agindo sozinho.
Observava-se isso, principalmente, nas situações coletivas em que o indivíduo, pela força do grande número, tomava atitudes ou comportamentos repentinos e impulsivos, seja em grandes shows, em meio a passeatas, durante jogos ou grandes festas. O indivíduo estaria liberto de certos valores racionais e interditos morais e mais propenso a agir emocionalmente e se expressar de forma muito diversa do que faria se estivesse agindo sem a influência da massa ou em alguma circunstância de grande comoção coletiva.
Na verdade em qualquer sociedade humana, em diferentes graus, os indivíduos são influenciados pelas forças externas, objetivas e coercitivas do grupo social. Quanto maior a coesão entre os indivíduos, maior a possibilidade que seu comportamento seja adaptativo ao grupo que pertence.
Os 40(ões) são de fato um segmento de mercado e um grupo social definido. Este grupo possui peculiaridades, é fruto de uma mudança de comportamento da sociedade e certamente é interessante para o mercado em geral, com destaque para os mercados de cosméticos, moda, cirurgia plástica e perfumaria.
O que notamos é que a partir dos anos 2000, a expectativa de vida aumentou tendo em vista os avanços da medicina, a renda mundial também cresceu, as pessoas começaram a contar com dietas mais saudáveis, todos estes fatores contribuíram para aumentar a população com idade mais avançada.
Segundo pesquisa da Nielsen – de 2007 – os indivíduos com 40 anos agora são os novos “trintões”. As cirurgias plásticas estão alterando não só o aspecto das pessoas, mas também seu comportamento. A pesquisa aponta que 60% dos norte-americanos fazem plásticas e são os maiores consumidores de tratamentos anti-idade do planeta.
Em escala global, 60% dos entrevistados acham que ter 40 anos agora é como ter 30 antigamente. Nossos 40 anos estão sendo celebrados como a década em que podemos ficar confortáveis e confiantes, tanto em termos pessoais quanto financeiros. Porém, não queremos aparentar 40 anos e sim 30!
Tarsila do Amaral – ‘Operários’-1933
O nosso país, como não é novidade para ninguém, tem uma grande desigualdade social na distribuição da renda. O que chama atenção é a participação da classe de baixa renda no mercado de consumo chegando a representar 65% dos lares brasileiros. O incrível é que esta população que engloba as classes C D e E, movimenta aproximadamente 512 bilhões de Reais por ano.
Nos últimos anos, programas do governo como Bolsa Família conseguiram tirar famílias da linha abaixo da pobreza, mas não conseguiu diminuir o número da população de baixa renda, este ingrediente aliado ao crédito facilitado é a receita ideal para o boom deste mercado. Hoje, já existem muitas empresas com produtos e esforços de comunicação direcionados somente a este segmento.
Segundo o site holandês de tendências de consumo, o Trendwatching, em seu mais novo briefing de informações, a economia dos dias atuais é habitada por experiências e consumidores bem informados, os quais possuem uma longa lista de desejos e altas expectativas em relação aos produtos e serviços.
Suas expectativas são baseadas em anos de auto-treinamento na sociedade do hiperconsumo*, nas fontes de informações amplamente disponíveis, nos chamados curadores de informação, como os blogs, as salas de interesses específicos na rede global, que ajudam este consumidor a rastrear, escolher e desejar produtos e serviços que ofereçam o “Best of the best”.
*Vamos fazer um parêntese para uma breve definição de hiperconsumo.
Segundo, o filósofo e sociólogo francês Gilles Lipovetsky, em seu livro
A Felicidade Paradoxal – Ensaio sobre a Sociedade do Hiperconsumo, Cia das Letras – 2007, estamos vivendo hoje o terceiro estágio do capitalismo, marcado pela oferta permanente de produtos em escala e intensidade jamais observadas. “O Bem Estar tornou-se o novo Deus, sendo o Consumo o seu Templo…”.
O autor, na obra acima, aponta o paradoxo da sociedade contemporânea: se de um lado o consumo funciona como uma terapia que ajuda a afastar as frustrações diárias, por outro lado, torna-se o causador da ansiedade humana num mercado onde o objetivo primordial é a incessante oferta e procura por novidades. Por exemplo, o hiperconsumidor tem acesso ao ter, mas aspira a ser; os mais diversos prazeres sensoriais estão ao seu alcance, mas é preciso preservar a saúde, evitar os excessos, jantar no mais novo restaurante da cidade porque todos seus amigos já conhecem.
Onde vamos chegar? Deixo a pergunta….