Artigos publicados na Tag ‘história da moda brasileira’

Revista Cruzeiro e o resgate da memória brasileira do século XX

Publicado em 15 Sep 2008 at 5:26pm

O Cruzeiro foi a principal revista ilustrada brasileira do século XX. Começou a ser publicada em 10 de novembro de 1928 pelos Diários Associados de Assis Chateaubriand.

Foi importante na introdução de novos meios gráficos e visuais na imprensa brasileira, citando entre suas inovações o fotojornalismo e a inauguração das duplas repórter-fotógrafo, a mais famosa sendo formada por David Nasser e Jean Manzon que, nos anos 40 e 50, fizeram reportagens de grande repercussão.

O site Memória Viva, especializado em biografias de pessoas famosas da recente História do Brasil, inaugurou uma nova fase de existência com o lançamento da edição on line da revista O Cruzeiro. Continue

A diferença entre Desfiles Conceituais e Desfiles Comerciais

Publicado em 16 Jul 2008 at 11:17pm

Algumas pessoas quando assistem a desfiles de moda não entendem como um estilista pôde criar algo tão “ridículo”… Será que alguém vai sair pelas ruas usando “aquilo” ?! Calma minha gente, não é bem assim que funciona.

Os desfiles geralmente são conceituais. As tendências apresentadas nas passarelas – cabelos, maquiagens, calçados, acessórios e roupas – não devem ser seguidas a risca. Se você for às lojas, certamente encontrará peças comerciais que são feitas para serem usadas.

Mas… se você vir algo muito interessante e tiver coragem pra encarar, qual o problema, não é? Vai que “aquilo” combinou com o seu style. Nesse caso, só me cabe desejar boa sorte!

Os Desfiles Conceituais tem sua origem na Arte Conceitual que considera a idéia, isto é, o conceito por trás de uma obra artística, como sendo superior ao próprio resultado final. A aceitação desse conceito é tão importante que o resultado final dessa obra, algumas vezes, poderá até ser dispensado.

Continue

Mulheres Rock and Roll: Zuzu Angel – Parte 2 / 2

Publicado em 07 May 2008 at 5:17pm

Por Fernando Janson

Rock é atitude, é forma de encarar a vida, é coragem e força. Com isso em mente, vou falar sobre duas mulheres que admiro muito e que têm estado na minha cabeça há bastante tempo e, especialmente, nestes últimos dias. A primeira Frida Kahlo.

A segunda é ousada, criativa, inovadora, anti-militarista, talentosa, corajosa, envolvente, charmosa e alegre.

Quem é essa mulher? Essa é Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, (Curvelo, 5 de junho de 1921 — Rio de Janeiro, 14 de abril de 1976).

Começou sua carreira como costureira e, mais tarde, tornou-se designer, transformando panos de colchão, fitas de gorgurão, rendas do norte, pedras preciosas, estampados de pássaros e papagaios e babados em saias, chales e vestidos, criando uma moda brasileira capaz de encantar o mundo.

Continue

A Beleza da Seda 100% Brasileira

Publicado em 06 May 2008 at 12:18pm

A seda indiscutivelmente encanta a humanidade há milhares de anos. Segundo, o livro Fio a Fio, (Gilda Chataignier, 2006) uma lenda Chinesa, conta que a seda surgiu entre os anos 2.500-2600 a.C, quando uma princesa descobriu um casulo caído de uma amoreira na sua xícara de chá e se encantou com o fio muito brilhante e fino que surgia deste casulo. Logo, este fato foi levado a estudo e também muito bem protegido. A China guardava o segredo da linda descoberta a sete chaves.

Já em 139 a.C., a maior rota de comércio mundial foi aberta desde a China Oriental até o Mediterrâneo, chamada depois de rota da seda. Seus segredos e beleza começaram a se difundir.

Uma das sedas mais cobiçadas da Antiguidade era a de Bizâncio, houve fatos até de espionagem! Comerciantes estrangeiros escondiam casulos do bicho-da-seda em bengalas ocas e levavam para o Ocidente.

Continue

A moda em 500 anos de Brasil

Publicado em 01 Oct 2007 at 2:54pm

O calor beirava os 40 graus. As ruas eram ‘‘pavimentadas’’ com lama e pedregulho. De um lado, as índias passeavam com suas ‘‘vergonhas’’ à mostra. Do outro, senhoras de fino trato desfilavam com seus pesadíssimos e acalorados vestidos europeus. Isso foi há muito tempo, 500 anos atrás, quando o Brasil, recém-descoberto, descobria também a moda.

A história do vestuário nacional confunde-se com a própria memória da vida privada do país. Afinal, as roupas fazem parte dos costumes e da cultura, e o estilo é o reflexo de uma época. (…)

O passeio pela história da moda no país revela aspectos interessantes sobre o cotidiano desde a colônia até os dias de hoje. Enquanto algumas peças parecem incrivelmente atuais, outras indicam hábitos comuns durante épocas, mas que atualmente provocam estranheza. Por exemplo: na segunda metade do século 17, as mulheres colavam no rosto pedaços de tecido embolados para que parecessem… verrugas! Mas, como tudo na moda é reciclado, também há trajes históricos que continuam em voga. O estilo hippie dos anos 60, os twin-sets da década de 70 e até mesmo alguns vestidos do século 16 podem ser visto até hoje nas vitrines.

Continue

Maria Teresa Goulart, primeira dama do Brasil e da moda brasileira – II

Publicado em 25 Sep 2007 at 4:29pm

Maria Teresa Goulart, mulher de João Goulart (1963): ex-primeira-dama era vestida por Dener.

No Brasil apenas a indústria da alimentação é mais abrangente e gera mais empregos que a do vestuário. Entretanto, tudo que pertence à moda é visto com preconceito, coisa menor e acima de tudo, frívola, embora ninguém possa viver sem roupa… Bem, os índios podem, será que é por isso que têm o privilégio de receber do governo federal tão extensas áreas de terras, as reservas indígenas?!

Os alunos dos cursos de moda se ressentem até da falta de bibliografia suficiente sobre a moda brasileira.

A única pessoa em um nicho de poder que teve a compreensão da importância e da qualidade da nossa moda tupiniquim foi Maria Teresa Goulart, esposa do Presidente João Goulart, o Jango, no início da década de 1960. Ao optar pela então nascente alta costura brasileira, na sua condição de primeira dama, ela estava dando o seu aval ao costureiro Dener, e, por extensão, a todos os demais.

Continue

Raica veste Dener para editorial de moda

Publicado em 17 Sep 2007 at 4:16pm

A top Raica de Oliveira posou para um editorial de moda em homenagem ao estilista Dener, vestindo criações do brasileiro famoso nas décadas de 1960 e 70. As fotos foram publicadas na edição de setembro da revista “Joyce Pascowitch”.

Leia matéria completa no site Uol Estilo. E veja todas fotos aqui.

Continue

Maria Teresa Goulart, primeira dama do país e da moda brasileira

Publicado em 19 Jul 2007 at 10:24pm

Portugal descobriu o Brasil em 1500 e passou depois a colonizá-lo: essa colonização nada mais foi que a introdução, aqui, onde os índios ainda viviam na idade da pedra, da construção, usos, utensílios, ferramentas, produção e também da moda de vestir européia, em contraponto à moda dos índios, que andavam nus, com o corpo pintado.

Nada é de se estranhar, portanto, que mais de quatro séculos e meio e muitas fábricas depois, o carro, por exemplo, já fosse produto da indústria nacional, mas a moda, para ser reconhecida como tal, teria que vir do estrangeiro: é que o carro e outros bens materiais, pertencentes ao mundo concreto, eram mais fáceis de ser assimilados do que a moda, bem imaterial, subjetivo, que pertence ao imaginário.

Foi a renúncia de Jânio Quadros à presidência da república, em 1961, que deu ao Brasil uma primeira dama jovem e linda: Maria Teresa, aos 23 anos, esposa do vice-presidente João Goulart, então empossado na presidência. Continue

Identidade Brasileira na Moda – Anos 20

Publicado em 23 Jan 2006 at 9:27am

Década de 20

Com a riqueza dos produtores de café, seus filhos puderam estudar na Europa, entrando em contato com as correntes modernistas em pleno fervor intelectual e artístico. Esses jovens foram influenciados a questionar a arte e os valores da época, apregoando um primeiro movimento nacionalista no país, que valorizava a cultura autóctone e refletia sobre o que seria uma identidade brasileira. O ápice desse movimento resultou na Semana de Arte Moderna realizada no ano de 1922, data em que o país comemorava o Centenário da Independência.

Em 1928, o escritor modernista Oswald de Andrade publicou o Manifesto Antropofágico, inspirado no quadro Abaporu (antropófago em indígena) da pintora Tarsila do Amaral , também modernista. Oswald apregoava no manifesto que era preciso devorar a estética européia e transformá-la numa arte brasileira. (Proença, 2001)

Apesar dos movimentos culturais em busca das raízes brasileiras, a moda segue o que dita a França, a despeito do clima e das diferenças de estação. Como exemplo temos a própria Tarcila do Amaral que casa usando um vestido do estilista francês Paul Poiret.


No âmbito da moda surge a melindrosa, criada pelo caricaturista J. Carlos. Símbolo da mulher brasileira da época, já indicava um rumo para a sensualidade, traço que figura entre os principais da moda brasileira atual.

Em 1927 foi realizado no Mappin Stores (loja direcionada para a elite paulistana que se destacava por vender basicamente mercadorias importadas) o primeiro desfile de moda numa loja da cidade, passando seus desfiles a ser reprisados duas vezes ao ano, uma no inverno e outra no verão. (Zuleika Alvim)

Em 1929 acontece o crash da bolsa de Nova York, o que ocasiona a quebra do império do café no Brasil. Entretanto, para a moda, o final dessa década reserva um acontecimento marcante: surge o primeiro nome da moda nacional – Mena Fiala, nascida em Petrópolis e criadora talentosa de vestidos de noiva, que se consolidou no Rio de Janeiro ao longo da década de 30.

(Este é um trecho do relatório final da pesquisa Moda e Identidade Brasileira, feito por Denise Pitta de Almeida, 2003, Faculdade de Moda da UNIP. )

Em relação ao material dos anos 20, vocês podem entrar no site Moda Almanaque que tem muita coisa interessante: http://almanaque.folha.uol.com.br/anos20.htmE no site Vintage Textile :
http://vintagetextile.com/gallery_1930s_50s.htm
Tem uma galeria com roupas originais de várias épocas.http://almanaque.folha.uol.com.br/anos20.htmLeia Mais:

  

 

 

 

Identidade brasileira na moda – Anos 1910

Publicado em 13 Jan 2006 at 9:32am

Qual distância existe entre moda e identidade? Distâncias? Não, ao invés de distâncias existem pontes, reflexos, e a moda é como o espelho de Narciso onde a identidade aparece refletida.

Quando eu ainda estava na faculdade, fiz uma pesquisa de iniciação ciêntífica cujo tema era formação da identidade brasileira na moda. Foi uma experiência bastante enriquecedora, por isso colocarei aqui as partes mais interessantes…

Um breve histórico dos fatores que desembocaram em uma identidade brasileira expressa através do vestuário e da moda.

Até 1910 – Primeira parte

A identidade brasileira na moda encontra sua consolidação ao longo dos dois últimos séculos, haja visto o pouco que se pode falar a respeito da atividade cultural durante o Brasil colônia, onde a moda era originalmente européia.

As primeiras iniciativas de construção de uma indústria têxtil no Brasil foram frustradas com medidas contrárias impostas pela família real portuguesa:

“ o Brasil Colônia tentou fabricar seus tecidos elegantes, mas um famoso alvará de D. Maria I mandou destruir os teares do Brasil e, com eles, a indústria brasileira que nascia . Em nosso país, só se admitiam teares para a indústria das fazendas grossas de algodão , das que serviam para o uso e vestuário dos negros.Veja o que diz o historiador Luiz Edmundo:
‘São extintos, quebrados a martelo todos os teares do país no ano de 1781, sendo que se proíbe aos governadores o recebimento, em audiência, de pessoas vestindo roupas feitas com tecidos não fabricados ou exportados da metrópole, Ordem régia de 5 de julho de 1802. (…) Até os sapateiros não podem trabalhar em couro que não venha mandado da longínqua Metrópole, Carta-Régia de 20 de fevereiro de1690.’”( Joffily, 1999, p.12)

Em 1841, ocorre um fato importante na história da moda brasileira – quando na coroação de D. Pedro II, este leva em torno do pescoço uma murça de plumas de tucanos.

“ A só um tempo, era feito rei e cacique, rei como na Europa, de cetro e coroa, e cacique de penas como pelos imensos e insondados brasis.” (Schwarcz).

Fato simbólico para a construção de uma identidade brasileira, uma vez que implica na legitimação das “coisas da terra”, entretanto, os reflexos dessa legitimação demoram a acontecer no vestuário.

Inicialmente a influência da moda brasileira é totalmente européia, mais especificamente francesa – expressa em características da Belle Époque.

Até 1910 – Segunda parte

De acordo com o pesquisador José Carlos Durand, após o início do séc. XIX, já há uma produção incipiente de peças no Brasil, baseado na matéria-prima importada, embora não houvesse nenhuma adaptação ao clima tropical, conservando-se as características típicas européias. Por volta de 1830, os franceses abrem uma série de lojas no Rio de Janeiro, a Rua do Ouvidor, onde era elegante falar francês em vez de português, constituiu um importante centro, oferecendo às senhoras da elite tecidos, figurinos e mesmo toaletes completas vindos de Paris.

Entretanto, ainda não havia sequer a adaptação da roupa às características tropicais do Brasil. “Nas ruas do centro da cidade viam-se homens de fraque e polainas e mulheres também vestidas formalmente.” (Gontijo, 1972, p. 4)

Nesta primeira fase a moda no Brasil se faz por meio de livreiros franceses que importavam revistas de moda, ilustradas com litogravuras, trazendo instruções sobre cortes e medidas. Chegando, a partir de 1874, a haver uma edição brasileira da La Saison, chamada A Estação. (Edgard Luiz de Barros, 1993, p.21).

O século XX inicia-se com um período de progresso técnico, resultante da criação de novas fábricas surgidas principalmente da aplicação do dinheiro do café. Inicia-se a era da máquina e o desejo do progresso expresso na industrialização. Outros fatores importantes são a urbanização e a grande massa de imigrantes que contribuíram ainda mais para o crescimento do Brasil.
Neste período também a indústria têxtil renasce, como descreve a historiadora Silvana Gontijo:

“Durante a Primeira Guerra Mundial, os países europeus e EUA diminuíram muito sua exportações para o Brasil, dando oportunidade a que o setor têxtil tomasse grande impulso. Em 1919, nossa indústria já supria três quartos da demanda interna.”(Gontijo, 1972)

Leia Mais:

(Este é um trecho do relatório final da pesquisa Moda e Identidade Brasileira, feito por Denise Pitta de Almeida, 2003, Faculdade de Moda da UNIP.)

Anúncio

Mais Artigos

News Archive

July 2009
Mon Tue Wed Thu Fri Sat Sun
« Jun    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Veja as estatísticas