São Paulo é o império do urgente. Todo mundo aqui tem muita pressa e não pode esperar. A gente vive numa espécie de universo paralelo, onde as horas voam com uma rapidez de fazer inveja a velocidade da luz.
Aqui, é comum a gente ouvir que o dia devia ter umas 32 horas. Talvez (veja bem: talvez) a gente teria tempo suficiente pra fazer pelo menos o básico. É uma paranóia. No trânsito, agimos como pilotos de Fórmula 1 (tirando o Rubinho?!): sempre correndo e querendo chegar antes que os outros. No restaurante, se esperamos mais do que dez segundos pelo garçom, uma ira toma conta do nosso ser e queremos logo processar o dono pelo mau atendimento.
Temos necessidades e elas devem ser solucionadas o mais rapidamente possível. Esperar não combina com a gente. Pelo contrário: deixa a gente muito nervoso. Porque não temos tempo, tão pouco, paciência.
Uma vez, conversando com um gerente de hotel em Natal (RN), ouvi uma coisa engraçada. Ele contava como os diferentes perfis dos turistas são motivo de chacota entre os funcionários.
A saudade, um sentimento tão legitimo quanto todos os nossos sentimentos, é mágica por nos possibilitar um movimento no tempo e no espaço. É mais do que sentir falta de algo ou de alguém. É um sentimento que nos toma de tal forma para nos transportar para perto de alguém ou algum lugar. Basta sentir o cheiro ou o gosto para que submerja das profundezas do inconsciente uma lembrança que nos envolve.
Quem durante uma viajem nunca olhou para algo que lembrasse de alguém, excedeu no número de fotos para poder ser fiel ao registrar um lugar ou na tentativa de congelar uma experiência, pensando em alguém. Quem nunca chorou ao ler uma carta ou cartão postal de emoção?
Pensamos, sentimos, escrevemos, produzimos e criamos ritos em tributos motivados a este sentimento que identificamos como saudades. Olhamos um livro sem lê-lo, abrimos um álbum de fotografia e nos fixamos em uma foto, seguramos um cartão de aniversário ou de natal por um tempo, preparamos um prato predileto ou organizamos aquela festa tradicional. Muitas vezes vestimos uma roupa fora de moda e que não nos serve mais, e mesmo assim não nos desfazemos dela por ela representar algo a mais. Vamos a igreja ou ao cemitério nos encontrar com alguém que não esta lá ou ficamos horas ouvindo canções de um cantor a quem nunca fomos apresentados mas que parece conhecer tantos nossos sentimento.
A moda nos traz registros marcados por um tempo e espaço, e podemos perceber as referências de determinada época nas criações atuais, como o retorno ao romântico, rippie chic, etc. A culinária, a poesia, as produções cinematográficas e os documentários também nos transportam fazendo transbordar tal sentimento. O que fazer quando alguém que amamos esta longe?