O registro mais antigo do uso de máscaras no Carnevale di Venezia data do ano de 1268 – é um antigo regulamento proibindo o “jogo dos ovos” (imagino que os mascarados jogavam ovos uns nos outros!).
A partir do século 14, várias outras leis foram promulgadas visando a deter o “declínio moral” dos venezianos, que aproveitavam o anonimato das máscaras para praticar todo tipo de ato imoral! Como jogar mascarado para fugir dos credores, usar armas e até mesmo entrar nos conventos vestidos de mulher para atacar as pobres freirinhas. A bandalheira era tão grande que em 1608 uma lei declarou o uso de máscaras uma ameaça à República Sereníssima!
Hoje a coisa está mais tranquila (imagino!) e os venezianos aproveitam os dias de carnaval para exibir as máscaras e fantasias mais exuberantes que se pode imaginar.
Visite o Flickr para ver fotos do Carnaval de Veneza tiradas por turistas de todo o mundo ou veja um slideshow.
Origem do Carnal de Veneza
Continue
Máquina de fiar, que acelerou a fabricação de tecidos no início da Revolução Industrial – Imagem do site iG Educação.
A manufatura das roupas, nas sociedades industriais do século XIX, desenvolveu-se de duas maneiras diferentes. Havia uma procura de costureiras por encomenda, de costuras delicadas e sob medida, que só podiam ser feitas à mão, e ao mesmo tempo, começava a produção em massa do vestuário industrializado padronizado, tanto nos modelos como nas medidas.
O aparecimento das fábricas de roupas reforçou a divisão entre as empresas que usavam maquinário e recrutavam mão de obra semiqualificada, e os velhos artesãos. No comércio tradicional dos alfaiates, cada peça de roupa era feita separadamente por um só trabalhador; isto era conhecido como método da peça única.
Os alfaiates haviam estado entre os primeiros artesãos independentes e tinham estabelecido as suas corporações nas cidades medievais. Eram organizações de patrões, que trabalhavam normalmente com as suas famílias, um ou dois trabalhadores experientes, contratados por dia, e alguns aprendizes.
Aqui, proponho uma breve reflexão sobre o mercado de moda de vanguarda, como propulsor do fenômeno da moda e gerador de um grande número de pequenos negócios que movimentam o setor do streetwear e seus estilos subversivos de moda.
Leia também: O que é a História da Moda – Parte 1/2.
I – APARÊNCIAS SUBVERSIVAS
Estudar a Moda está na moda. Vivemos um período da história da humanidade que exalta a sociedade de consumo, a cultura do desperdício e a contínua rotação de produto, o que da origem à corrida para evidenciar indivíduos singulares e as comunidades que os constituem, ou seja, ser diferente junto com seus iguais.
Para Dorfles, num período histórico no qual privilégios de casta, de condição e de classe pareciam se atenuar, surge a necessidade de distinção entre os vários segmentos que compõem a sociedade e os indivíduos que dela participam. Para ele é espantoso que (1989): enquanto assistimos a consolidação de conquistas derivadas das contestações juvenis, cujo objetivo é eliminar e infringir privilégios e tabus burgueses, verificamos que estas novas formas de revolta são levadas a se deixar dominar pela moda,… isto porque a cultura dos objetos se edifica sobre este fenômeno e este, por sua vez, é parte da cultura das aparências.
Tal fato tem sido visível em hábitos, costumes e particularmente no vestuário como forma de virtualidade revolucionária. Esta expressão é usada por Bruno du Rosselle (1980) para definir a maior qualidade da moda como fenômeno, ou seja, o gosto pelo novo como atitude revolucionária, sendo, portanto, possível de ser entendida como uma linguagem de vanguarda.
Imagem do Blog Missixty
Leis Suntuárias
Na era medieval os Éditos Suntuários serviam para impedir as classes pobres de se vestirem como os nobres, visando monopolizar o poder e difilcultar, para não dizer impedir, a mobilidade entre as classes sociais e principalmente enfatizar uma hirerquia das condições.
Sobre as Leis Suntuárias na História
“A partir de 200 a.C, surgem as primeiras leis suntuárias, trazendo leis que regulamentavam a vida das pessoas, restringindo, por exemplo, o número de convidados que se poderia ter em um banquete, ou a quantidade de ouro que podiam possuir. Essas regras visavam, sobretudo proteger os interesses hierárquicos da pirâmide social, visto que essas leis só valiam para aqueles que podiam ameaçar as classes altas.
Também no Cristianismo, o luxo era considerado pecado, visto que os prazeres sensoriais levavam ao sexo.
Ainda no período da Idade Média, iniciada em 476 d.C, as leis suntuárias permaneciam, agora já espalhadas pela Europa, restringindo o uso de determinados objetos, com a clara intenção de preservar a alta hierarquia.” (Do blog Sara Bolseira)
Leia também Um Histórico da Moda.
A camisa branca é uma peça central do estilo americano, tanto quanto o blue jeans. Mulheres pelo mundo todo usam camisas brancas, é verdade, mas é o porte dessa peça que a torna tão essencialmente americana.
A camisa branca fala de uma energia de mangas arregaçadas, de uma atitude direta que não tem tempo para detalhes complicados nem frescuras que não sejam funcionais. Sua cor nada prática lhe dá um ar aristocrático, enquanto o fato de ser acessível e estar à mão a torna uma favorita do povo. Representa o melhor dos mundos para os consumidores de todas as faixas de renda – e o que pode ser mais americano do que isso?
O pretinho básico é um conceito atraente, que tem arrastado gerações de mulheres para essa peça do guarda-roupa feminino. Todo mundo quando ouve essa expressão sabe do que se trata: um vestido que é simples o suficiente para aparecer sem esforço, mas elegante o bastante para que a mulher que o usa fique marcada como uma pessoa de bom gosto.
Com essa ambigüidade ele se torna uma das peças mais atraentes e indispensáveis para o público feminino. Ora sedutor ou sóbrio, ora ousado ou modesto, chique ou jovial, é uma das grandes armas em qualquer guarda-roupa.
É tentador atribuir o primeiro pretinho a Chanel, uma vez que ele representa tudo o que a estilista simboliza: modernidade, linhas praticamente aerodinâmicas e uma sensualidade tranqüila e confiante que nem mesmo os vários acessórios poderiam lhe conferir.
O preto é uma cor carregada de simbolismo – expressões como “coração negro”, “magia negra” e “chantagem” sugerem conotações obscuras. O preto é a cor do pecado e do sobrenatural. Mas é também a cor do ascetismo, usada pelos piedosos e pelos eruditos: padres, freiras, estudiosos, eremitas e advogados, todos eles, tradicionalmente, protegem-se enfarruscados em suas profundezas.
A exposição “Mulheres Reais – Modas e Modos no Rio de Dom João VI” revela, até o dia 6 de julho, a moda – a indumentária e seus usos, como uma importante manifestação cultural e social do Rio de Janeiro, quando a cidade era capital do império português. A mostra, inaugurada em 27 de maio, é tecida por uma narrativa lúdica do cotidiano do universo feminino. Os trajes e acessórios estão sendo expostos em 900m² cobertos com tecido no cenário privilegiado da Casa França-Brasil – primeira alfândega do Rio projetada por Grandjean de Montigny, integrante da Missão Artística Francesa acolhida por D. João VI, que promoveu profundas transformações culturais, políticas e econômicas na cidade do Rio de Janeiro e no país. “Mulheres Reais – Modas e Modos no Rio de Dom João VI” é uma ação cultural relevante inserida nas comemorações dos 200 anos da chegada da corte portuguesa, promovidas pela Prefeitura do Rio.
Trajes e acessórios autênticos do Museu Nacional do Traje de Lisboa, do Museo del Traje de Madrid e do Wien Museum – Mode Depot de Viena, e jóias de escravas do acervo do Museu Costa Pinto de Salvador integram o conteúdo museológico e representativo da exposição, ressaltando a nobreza e a dignidade de negras e brancas de dois séculos atrás, compondo, juntamente com os figurinos e recriações, um quadro que permite descobrir as mulheres reais, através de lentes que transcendem o estereótipo e a anedota, e captam a riqueza das mulheres da época. Continue
O linho, quem diria, está de volta!
A fibra que foi descoberta há mais de 8.000 a.C, conforme registros históricos, teve seu uso constatado até em construções de moradias pré-históricas.
Não se tem a data exata de quando a fibra do linho começou a ser tecido pelo homem, mas há registros que comprovam o seu cultivo desde 2.500 a.C., pelos egípcios – as múmias egípcias eram enroladas em tecido de puro linho e tinha o significado de luz e pureza – a tumba do faraó Ramessés II; morto em 1.213 a.C; foi descoberta em 1.881 d. C, e o linho que envolvia a múmia estava em perfeito estado de conservação – após 3.000 anos. Além da sua existência, isso comprova a resistência da fibra em relação a ação do tempo.Há também, menções sobre o tecido no Antigo Testamento – “a túnica de Cristo era de linho sem costuras”.
O Linum Usitatissimum (nome científico) é uma planta herbácea que chega a atingir um metro de altura. É composto basicamente de uma substância fibrosa da qual são extraídas as fibras longas para a fabricação de tecidos e da superfície lenhosa.
Muito mais forte e resistente que a fibra de algodão, o linho tem alto poder absorção e tingimento, porém baixo poder de resiliência – amassa com facilidade.
Por Alexandre Gijon
Estamparia Localizada
Processo de estamparia de pequenas partes localizadas em peças de roupa.
Aplicada em sua maioria na frente de camisetas, porém não se restringe somente a essa área. Pode ser localizada em pernas de calças, costas de blusas, casacos ou qualquer parte onde se deseja aplicar uma estampa.
Leia também: Tipos de tinta e efeitos para Silk-Screen (Parte 2/3) e Estamparia Corrida – Parte 3/3.
Processos:
As roupas não são apenas vestimentas que protegem o corpo ou adereços e adornos que nos embeleza. As roupas, como todos os objetos usados no cotidiano pelos homens, são partes da nossa existência diária, traduzem estados de espírito e identidades pessoais.
Elas preenchem o mundo de sentido e significado e nos ajudam a construir diversas narrativas e expressões sobre nós mesmos: sobre quem somos ou como queremos ser vistos, a nos diferenciar ou criar identificações, a ocupar posições ou oposições dentro do grupo.
A roupa nos constrói e tem um poder sobre nós. Ela é um elemento forte da nossa cultura material. Ela nos ajuda a construir universos de sentido e significação, representações e símbolos visuais sobre aspectos de nosso self e de nossa identidade pessoal e social. Nas nossas relações com o mundo, com os outros homens e com os objetos que nos cercam construímos nossa cultura e quem somos.
Entre as tendências mais marcantes desta temporada, está a era vitoriana como influenciadora direta da moda dos últimos tempos. Tem sido cada vez mais comum encontrarmos nas roupas de agora traços da moda daquele período (séc XIX). Nos desfiles europeus, nas coleções para o Outono/Inverno, houveram muitas alusões ao passado, especialmente à época do reinado da rainha Vitória (1837-1901). É a moda repleta de volumes, forma balão, mangas fofas, muitos babados, rendas e gola alta. Além, é claro, das tonalidades escuras e a clássica sobriedade do preto.
O início do período vitoriano (1837- 1860) é marcado pelo extremo recato das mulheres, que tinham seus movimentos restritos pelas pesadas vestes, mangas coladas e crinolina. A aparência das damas era de vulnerabilidade, as roupas eram desenhadas para fazerem as mulheres parecerem fracas e impotente, como de fato elas eram. As cores eram claras. O espartilho, que fazia mal à coluna e deformava, inclusive os órgãos internos, as debilitava ainda mais, impedindo-as de respirar profundamente. Além de elegante, o espartilho era considerado uma necessidade médica à constituição feminina, usado, inclusive, em versões juvenis a partir dos três ou quatro anos.
As criações da alta-costura «não eram uma arte, mas sim uma maneira de acompanhar a arte de viver, e uma elite social com uma concepção que já não existe, pois já não faz mais sentido que um costureiro, a partir da sua torre de marfim, continue decidindo ou impondo se as saias devem ser curtas ou compridas. As mulheres de hoje querem ser livres, sem que nada nem ninguém lhes imponha formas de vestir ou de comportamento»
«A verdadeira criação na moda, não é recriar uma fantasia de juventude ou o vestido das nossas avós. Só existe verdadeiramente moda com o diálogo entre esta e as ruas, entre todas as mulheres e o costureiro», algo que hoje em dia nem sempre existe nas colecções dos grandes desfiles.
As mulheres não vestem as criações que são apresentadas nas passerelles, a moda hoje é cada vez mais Zara, mas continua, contudo, com o cunho e o legado de YSL.
«Muito da moda vestida pelas mulheres de todo o mundo, deve muito a Saint-Laurent, pois este desempenhou um papel determinante no que é a moda hoje em dia. Primeiro foi Channel quem libertou a mulher, anos depois YSL deu-lhes o mesmo poder que tinham os homens, fazendo-as vestir smokings e fatos». Foi desta forma que Bergé descreveu a cumplicidade entre o criador francês e as mulheres.
Leia matéria completa no Portugal Têxtil.
No site Paperdoll Review você encontra um rico material de história da moda. São belas ilustrações com acessórios de época, moda infantil, trajes históricos, divas do cinema e até a Lady Dy.
Cabelos e chapéus usados nos anos 20
Associada aos primórdios da Revolução Industrial, com a introdução de máquinas e linhas de produção, a indústria têxtil deu o primeiro grande salto no terreno das fibras sintéticas durante a II Guerra Mundial.
A partir de resíduos de petróleo, o pesquisador americano Wallace Carothers inventou a poliamida, a fibra de náilon. No início, os propósitos eram apenas bélicos. Substituir a seda (caríssima) na fabricação de pára-quedas. Terminada a guerra, o fio de laboratório foi parar no armário dos civis. Particularmente nas pernas das civis, sob a forma das revolucionárias, para a época, meias de náilon.
As roupas baratearam. Ganharam durabilidade. Não amassavam. Podiam ser jogadas na máquina de lavar e estavam prontas para o uso. Popularizado nos Estados Unidos, o tecido sintético viveu um apogeu seguido de rápida decadência. As roupas feitas de náilon eram ásperas e pesadas demais. O suor do corpo empapava e empesteava as fibras artificiais, que viraram sinônimo de artigo barato, cafona.
Na mistura de fibras de algodão com náilon, o conjunto de calça e jaqueta ganha estrutura sem perder a maciez. O vestido luminoso (à dir.), levíssimo, mantém a transparência sem esquentar demais
Fotos: Luis Gomes
No início dos anos 80, a redenção começou a se esboçar com o aperfeiçoamento das microfibras. A indústria caminhava em direção a sua segunda grande transformação, com base em duas descobertas e uma invenção. As descobertas: quanto mais finos os fios, maior a facilidade com que o ar quente do corpo circula para o meio externo. “Impede-se, assim, que a transpiração se acumule no tecido”, explica Maria José Orione, engenheira têxtil da confeção Zoomp. Também se constatou que quanto mais fino o fio, maior a maciez do pano. Restava apenas inventar máquinas capazes de produzir a fibra.
Cortejada pelos estilistas, pelas casas de costura e pelos anunciantes, a imprensa americana continua a ser a mais forte no universo globalizado da moda, onde as celebridades marcam o ritmo e onde um vestido fotografado numa cerimónia dos Oscars vale mais do que toda uma colecção bem sucedida.
«Hollywood e a indústria da moda tremem», escrevia esta semana o influente Women’s Wear Daily, lido não só por milhões de mulheres, mas sobretudo pelos profissionais da comunicação que perseguem os exclusivos sobre as fusões – aquisições, transferências de talentos ou os lançamentos de perfumes.
Leia matéria completa no site Portugal Têxtil.
O Vintage Costume é um site incrível com reproduções de trajes históricos de vários períodos. Há reproduções da roupa, acessórios e cabelos, tanto do masculino, como do feminino, nos períodos Medieval, Renascimento, Rococó, Barroco e outros.
Seguem mostras de alguns períodos:
Saiba mais sobre o Traje Romântico no site Fashion-Era , leia mais sobre o Período Romântico e veja chapéus dessa época aqui.
Leia todos os artigos da série Trajes Históricos:
Modelo original e um modelo atual inspirado no traje histórico.
Leia todos os artigos da série Trajes Históricos:
Para quem gosta de ilustração, o Site Reyes y Piratas é simplesmente maravilhoso, ele reúne o trabalho de vários ilustradores sobre diferentes temas. É uma delícia navegar por cores e formas que registram muito do nosso imaginário, principalmente quando se fala de história e fantasias.
Também é interessante para quem trabalha com figurinos e busca inspiração.
A parte de trajes históricos está perfeita. Merece até um artigo comentando cada um dos estilos, que prometo logo publicar.
No Reyes y Piratas você encontrará ilustrações das grandes mulheres e deusas que marcaram a história, ilustrações de aviões, personagens da Disney, mangás, guerreiros e guerreiros chineses, Napoleão Bonaparte, ílustrações japonesas - que são maravilhosas e muito mais.
Leia todos os artigos da série Trajes Históricos: