Relacionamentos abusivos: identificando e compreendendo

Relacionamentos abusivos: identificando e compreendendo

Vivemos em uma sociedade que nos ensina a romantizar as relações tóxicas e o relacionamento abusivo, mascarando atitudes, comportamentos e sentimentos nocivos com o nome de amor.

Com certa frequência temos visto figuras públicas trazendo à tona a realidade vivida em seus relacionamentos quando identificam o abuso e uma coisa sempre fica evidente em suas falas “eu acreditava que isso era amor…” o caso mais recente e em evidência foi o de Duda Reis e Nego do Borel e atualmente Karol Conká.

Mas por que será que isso acontece? Se repete mesmo com tanta informação circulando por ai e acessível para qualquer pessoa?

É preciso propor a reflexão sobre relacionamentos para identificar e desmistificar crenças e conceitos.

 

 

A cultura é responsável pela disseminação desse conceito de relacionamento?

 

 

Foto: Freepik

 

 

As crenças que carregamos em nome desse amor romântico vêm disfarçadas da esperança de que esse comportamento irá mudar, ou pior, que o nosso amor pelo outro fará que com que ele mude, reforçando a crença que através desse amor somos capazes de reabilitar aquele ser, tornando-o um parceiro melhor.

Renegamos o histórico de comportamento, todas as evidências e também os conselhos dos amigos e familiares, acreditando que com a gente será diferente. Afinal, é a nossa história de amor, o nosso romance, a nossa chance, e merecemos um final feliz, assim como nos livros, séries, músicas e filmes perpetuados na nossa cultura.

E por falar em cultura, ela é a grande responsável pela disseminação desse conceito de relacionamento abusivo travestido de amor romântico; já que eles são um sucesso – praticamente inegável, embora inconsciente.

Desde a saga Crepúsculo (voltada ao público adolescente), o casal sensação Chuck e Blair de Gossip Girl, a trilogia de Cinquenta Tons de Cinza, para os adultos com a sua idolatria pelo poderoso Sr. Grey e a frágil Anastácia.

Nem mesmo os personagens da (maravilhosa!) série Greys Anatomy, Meredith Grey e Derek Shepherd, que inspiraram tantas frases e votos de casamentos ficaram isentos de viver por várias temporadas o relacionamento abusivo mais uma vez disfarçado – no inconsciente – de amor.

 

 

 

 

Toda relação abusiva é tóxica, mas nem toda relação tóxica é abusiva

 

 

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Toda relação abusiva é tóxica, mas nem toda relação tóxica é abusiva. O relacionamento abusivo pode ser enquadrado como algum tipo de crime, já que frequentemente evolui para a agressão física.

Mas se você não consegue perceber a diferença, não se culpe. É mais difícil do que parece, já que a diferença entre relacionamento tóxico e abusivo é tênue. Porém ambos fazem mal para a saúde física e emocional dos envolvidos e se não tratados seu impacto pode ser sentido também no desempenho acadêmico, profissional e familiar, fragilizando a autoestima, roubando a energia e vitalidade, perdendo sua autenticidade e levando ao isolamento.

 

 

 

 

Fases do relacionamento abusivo

 

 

 

 

O relacionamento abusivo tem fases que chamamos de ciclo da violência: a pessoa abusiva tende a ser incrível, depois passa a ter explosões de raiva, ciúme, controla seu comportamento, monitora seu telefone e suas redes sociais e acredita que foi o outro que provocou essas atitudes e passa a agredi-la verbal e fisicamente.

A melhor forma de entender a diferença entre relacionamento saudável, tóxico e abusivo é observar como as pessoas reagem em cada situação, como por exemplo no caso do ciúme – que por muito tempo foi visto como demonstração de interesse pelo outro e agora já se sabe que ciúme é manifestação de insegurança.

Em um relacionamento saudável o ciúme é tratado como uma emoção comum; a pessoa que sente consegue fazer autocritica e conversar sobre o assunto com calma e transparência para amenizar esse sentimento.

Na relação tóxica, a pessoa acredita que o ciúme demonstra o quanto ela ama e valoriza o outro e usa dessa justificativa para controlar sutilmente a vida do parceiro.

Na relação abusiva, a pessoa é possessiva, distorce situações e duvida constantemente do parceiro. Assim, pode proibir determinados comportamentos do outro, ter crises de raiva e se tornar verbal e fisicamente agressiva.

Esse é somente um dos exemplos onde os comportamentos podem ser observados de forma mais explícita, mas não raro relacionamentos abusivos se transformam em dependência emocional: um transtorno psicológico que ainda é visto como prova de amor.

 

 

 

 

Sinais de um relacionamento abusivo

 

 

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Pessoas vítimas de relacionamentos abusivos com frequência se tornam dependentes emocionais dos seus parceiros. Essa dependência faz com que muitos permaneçam nesses relacionamentos entendendo que apesar da violência, ela é uma forma de atender a necessidade de ser amado.

A pessoa com autoestima fragilizada não tem forças para sair desse labirinto emocional; assim, entrega sua vida e sua felicidade nas mãos de seu parceiro, independente de como ele se comporte.

A pessoa que está enfrentando esse tipo de situação em um relacionamento não deve ser julgada ou criticada, mas amparada por seus amigos e familiares.

Saliento também que a ajuda de um profissional é fundamental nesse processo de fragilidade. Pois assim, a pessoa pode receber o suporte e conseguir o empoderamento emocional necessário para sair desse relacionamento, ressignificar suas emoções e estar preparada para um relacionamento saudável no futuro.

 

 

Medo: um sinal claro de que há um relacionamento abusivo

 

 

 

 

 

O medo é talvez o sinal mais óbvio de que estamos enfrentando abusos. Às vezes é um medo severo e óbvio: a pessoa fica muito tensa na presença do outro e constantemente pensa em “punições” ou nas consequências que o ato de antagonizar aquela pessoa pode ter.

 

 

Controle excessivo sobre tudo que você faz

 

 

Em um relacionamento abusivo, um deles tem que dar aos outros contas constantes de tudo o que está fazendo e até mesmo o que está pensando ou sentindo. Você sente que não tem liberdade para se mover ou agir sem primeiro consultar ou informar a outra pessoa. Por exemplo, a Karol Conká durante o reality insinua que o Arcrebiano não pode falar com a Juliette.

 

Ameaça e compulsão estão presentes no relacionamento abusivo

 

 

Em um relacionamento abusivo, a pessoa acaba forçando o outro a fazer algo que ele não quer. Isso pode ser feito por meio de agressão direta ou por meio de ameaças e coerções mais sutis.

Nesse caso, é muito claro de onde vem seu poder. Se isso for devido à dependência econômica, ameaças imediatas ou ocultas se concentrarão lá.

 

 

Você não pode mais conversar com alguns amigos

 

 

O isolamento é um sinal de que você está em um relacionamento emocionalmente abusivo. É terrível que sua sanidade esteja sendo tirada de seus amigos porque seu parceiro não os “aceita”.

 

Extremo ciúme no relacionamento abusivo

 

 

Um pouco de ciúmes é perfeitamente normal. Você se preocupa com seu parceiro e nunca quer que outra pessoa o atraia. Porém, se há ciúmes extremo, isso é um abuso.

 

Ficar preso em um relacionamento abusivo pode ser muito difícil se você nem sabe que é um abuso. Com essas dicas, você pode descobrir o relacionamento emocional abusivo e encerrá-lo o mais rápido possível.

 

 

Por Camila Custódio do Consultório Emocional  editado por

 

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