Moda Anos 40 e a Identidade Brasileira na Moda

Da crise à recuperação econômica, os anos 40 viveram uma verdadeira explosão cultural. Conheça o estilo icônico que marcou a moda dos anos 40!

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Nos anos 40 a moda ganhou muito mais projeção no mundo e também no Brasil. Acima de tudo, a sua principal promotora foi a indústria do cinema. Afinal, entre atrizes chamativas e sensuais, Hollywood então trazia ao mundo um estilo de mulher brasileira que se consolidou no imaginário popular por décadas.

 

Qual era a Moda dos Anos 40?

 

Modelo posando com a moda dos anos 40
Modelo posando com a moda dos anos 40 em tempos de guerra, de 1943. Durante a Segunda Guerra Mundial, a restrição no consumo e a forte crise econômica trouxeram de volta um estilo mais simples e com menos adornos. Fonte: Wikimedia commons

 

Toda a década de 40 passou em crise. Se até 1945 a Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1939, seguia sendo uma realidade, os anos seguintes foram de recuperação dos efeitos do conflito.

Em meio à forte influência do universo militar, uma das principais características do período foi a adaptação de elementos masculinos às roupas femininas. Por exemplo, surgiam mais camisas, bolsos, ombros marcados, saias e vestidos em A, cintura alta e pernas mais soltas.

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Em outras palavras, as roupas eram então pensadas para serem mais neutras, duráveis, práticas e alegres, mas sem grandes extravagâncias. Por sua vez, a cintura seguia estando bem marcada. Como resultado, os acessórios ganharam mais protagonismo com, por exemplo, chapéus, laços, joias e cintos.

Além disso, a maquiagem seguia o padrão mais simples e discreto, sendo usada de maneira mais natural e complementada com um batom vermelho.

 

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Lana Turner nos anos 40
Lana Turner por Paul Hesse, em 1946. Ainda que não fossem tempos fáceis, as estrelas de Hollywood ganhavam cada vez mais destaque. Fonte: Wikimedia commons

 

 

Os Anos 40

 

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Os anos 40 não começaram da maneira mais tranquila. O conflito internacional bloqueou as importações de bens de consumo, forçando a que a indústria têxtil se consolidasse no Brasil.

Como resultado, durante a guerra o país apenas importou entre 10 e 20% dos tecidos consumidos no território.

 

Lauren Bacall em um piano com o Vice Presidente dos EUA Harry S. Truman
A atriz Lauren Bacall em um piano com o Vice Presidente dos EUA Harry S. Truman, em 1945. Crédito: Charles Cort Fonte: Wikimedia commons

 

Além disso, nesse período foi inaugurada uma era mais protecionista, através da adoção de uma política de restrição às importações. Essa nova realidade em parte significava uma vitória à indústria nacional. Afinal, ela ocasionava uma necessidade de investimento e produção para o mercado interno.

Assim, lojas pioneiras como o Mappin, que trabalhavam basicamente com importações voltados à elite local, se viram obrigadas a se adaptar aos novos ventos:

“Podia-se sentir, na referência ao rigor com que a loja selecionava os produtos nacionais, alguma desconfiança, ainda, com relação à qualidade dos artigos produzidos no Brasil” (Alvim, 1985, p. 131).

 

A alta-costura nos anos 40

 

Modelo com o "Bar Jacket" da coleção "New Look" de Dior, em 1947.
Modelo com o “Bar Jacket” da coleção “New Look” de Dior, em 1947. Crédito: Associations Willy Maywald. Fonte: Vogue.

 

A moda francesa seguia sendo a principal referência de moda para o Brasil. Entre os principais nomes do período estavam, para além de Coco Chanel , os de Jeanne Lanvin e o jovem Cristóbal Balenciaga. Entretanto, o nome que mais ganhou projeção no período foi sem dúvida o de Christian Dior.

No fim da década, Dior causou uma verdadeira reviravolta com o lançamento do seu “New Look”, que deu abertura para uma explosão de glamour na década seguinte. O estilo não era de todo novo, mas sim um versão “exagerada” da moda dos anos 30.

Seja como for, o “New Look” serviu de  grande inspiração para toda uma moda de luxo que se disseminou desde Paris para o mundo.

Como resultado, o período entre o final dos anos 40 e os anos 50 abrigaram alguns dos modelos mais icônicos de todos os tempos, bem como alguns dos estilistas mais consagradas na história da moda mundial.

 

 

A Moda dos Anos 40 no Brasil

 

À época, a grande dificuldade passou a ser convencer a alta sociedade brasileira a consumir os produtos nacionais. Havia um grande investimento nesse sentido, contudo, a elite nacional tendia a desvalorizar aquilo que se produzia no país em detrimento dos produtos importados.

 

Villa Lobos e mulher com a moda dos anos 40
Bidú Sayão e Villa Lobos, em 1945. Crédito: Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã. Fonte: Wikimedia commons

 

Acima de tudo, foi nessa década que começou a existir uma moda de fato mais brasileira, mas essa ainda se tratava de uma adaptação mais conscienciosa do que era ditado por Paris.

Um dos exemplos de maior destaque do período foi a Casa Canadá, que então ocupava um lugar de destaque na moda brasileira.

Nesse meio tempo, devido à dificuldade de importação que se instalou no país, a butique carioca passou a produzir peças e tecidos exclusivos copiados dos modelos europeus.

 

De acordo com Durand:

“Embora não se propusesse a fundar a alta costura nacional, a Casa Canadá realizou um trabalho de importação de moda mais elaborado e pioneiro. Ele envolvia organização de desfiles, um ateliê de costura fina encarregado das coleções e desfiles, das encomendas exclusivas de um pequeno estoque para os pedidos do prêt-à-porter. Compreendia também um esforço de divulgação, envolvendo um serviço de imprensa e apresentações nos Estados mais importantes” (Durand, 1988 p. 72).

 

Canadá de Luxe

 

Como vimos na moda dos anos 30, a Casa Canadá surgiu para se consolidar como a principal referência da moda de luxo no Brasil. O sucesso do empreendimento levado adiante pelas irmãs Mena Fiala e Cândida Guzan foi tanto que as duas decidiram criar um genuíno salão de moda, uma maison aos moldes franceses.

 

Modelos a posar durante um desfile na Casa Canadá.
Modelos a posar durante um desfile na Casa Canadá. Fonte: Blog Greta Cauê

 

Dessa forma, em 1944 a Casa Canadá inaugurou a Canadá de Luxe. O novo espaço causou furor entre as mulheres da elite nacional e veio para marcar época, lançando tendências que mudariam de vez o setor da moda brasileiro.

Desde então, vendo o potencial do mercado, Mena decidiu investir na confecção de reproduções de modelos dos grandes estilistas.

Assim, elas passaram não apenas a oferecer as peças originais trazidas da França, como também cópias fiéis dos grandes estilistas estrangeiros. As peças eram então confeccionadas na Casa Canadá, em exclusividade.

 

A adaptação da moda dos anos 40

 

Modelo posando na Casa Canadá.
Modelo posando na Casa Canadá. Fonte: missmemorabilia

 

“A Canadá sempre foi uma loja destinada às grandes fortunas. Os clientes podiam passar uma tarde inteira na Canadá. Você podia entrar e pedir para que lhe passassem uma pele, um vestido, haviam modelos fixas que ficavam o dia inteiro à disposição. Enquanto você assistia ao desfile, tomava um café, um chá; tudo sem a obrigação de comprar, é claro”, contou Lucianita de Carvalho, filha de Mena Fiala.

Para Cristina Seixas (2015), esse trabalho implicava o estudo atento da roupa. Em outras palavras, Mena desconstruía as peças importadas, para que pudesse entender a sua confecção e reproduzir da maneira mais fiel e esmerada possível. Esse trabalho atento levou a Casa Canadá ao seu auge nos anos 50.

 

  • Saiba mais em: A Casa Canadá: história do centro pioneiro da alta-costura no Brasil. Além de Quem foi Mena Fiala? A história da promotora dos desfiles de manequins no Brasil.

 

Hollywood e a Moda dos Anos 40

 

A atriz Rita Hayworth posando em um sofá
Rita Hayworth posando para o filme Gilda em 1946. Crédito: Bobo Coburn. Fonte: Wikimedia commons

 

Com o apogeu de Holywood, o cinema norte–americano mantinha a sua posição de lançador de modas e modos.

Nessa época, Linda Darnell, Lana Turner, Heddy Lamar, Ingrid Bergmann, Rita Hayworth, Lauren Bacall, Verônica Lake e outras artistas da época eram a principal fonte de inspiração para as mulheres do Brasil.

 

Lana Turner nos anos 40
A atriz Lana Turner em 1943.  Fonte: Wikimedia commons

 

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Com um jeito atrevido, determinado e ousado, esse novo ideal de mulher não passava despercebido. Afinal, com uma sensualidade cada vez mais a flor da pele, o estilo das divas do cinema eram extremamente elegante e chamativo.

Entretanto, foi nessa mesma época que surgiu em Hollywood um ícone próprio do nosso país, a “pequena notável” Carmen Miranda. Com um estilo inconfundível, desde então a artista gravou o nome do Brasil em uma moda que marcou a imagem do país no mundo.

 

Carmen Miranda e a Moda dos Anos 40

 

Carmen Miranda.
Carmen Miranda. Acima de tudo, o look de baiana da artista se consolidou como referência à moda do Brasil no mundo. Fonte: The Sun.

 

Antes de mais nada, na década de 40 se deu o apogeu de Carmem Miranda em Hollywood. Esse foi um dos principais marcos da moda desse período, pois o estilo consagrado pela artista portuguesa de alma brasileira foi por muito tempo associado ao nosso país.

Com ela surgiu, por exemplo, a primeira fantasia genuinamente brasileira. Antes de mais nada, a “baiana” encarnada por Miranda foi uma criação de por Alceu Penna, um dos maiores ilustradores brasileiros de moda de todos os tempos.

 

Carmen Miranda no filme "Copacabana", em 1947.
Carmen Miranda no filme “Copacabana”, em 1947. Fonte: Wikimedia commons.

 

Carmem Miranda fez sucesso no Brasil e nos Estados Unidos, divulgando a cultura latino-americana em uma mistura que ficou na cabeça de muitas pessoas ao redor do mundo.

Bom, as suas roupas e interpretação foram também alvo de muitas críticas. A razão? Muitos diziam que a artista acabava por “vender” uma imagem forçada e falsa do que era a cultura brasileira.

Seja como for, ela foi a primeira brasileira a lançar moda dentro e fora do país, principalmente nos EUA. A imagem de Carmen Miranda segue tão viva que ainda hoje muitos estilistas buscam nela inspiração.

 

O estilo Pin-up

 

Ilustração pin-up "I don't go far in any direction", de 1950.
Ilustração pin-up “I don’t go far in any direction”, de 1950. Crédito: Harry Ekman. Fonte: The Pin-up Files

 

O estilo pin-up se tornou um dos primeiros e maiores fenômenos da imagem produzida em massa no início do século XX. Apesar de o termo ter sido registrado pela primeira vez em inglês em 1941, a sua prática pode ser rastreada ao menos até a década de 1890.

Mas, o que significa pin-up? O termo faz referência ao fato de que essas ilustrações e imagens de mulheres eram penduradas na parede ou em outro suporte (do inglês “to pin up “/  “pinned-up”).

Por fim, o estilo só se projetou de vez nos anos 40, sendo uma das grandes influências para a moda do período. Seja em ilustrações ou incorporadas pelas grandes estrelas do cinema, a mulher pin-up se consolidou como uma das mais atraentes de todos os tempos.

 

Retrato de Betty Grable de 1945 em estilo pin-up.
Retrato de Betty Grable de 1945 em estilo pin-up. As grandes artistas de hollywood eram, antes de mais nada, uma das maiores influências para o lançamento de tendências de moda. Crédito: Frank Powolny / 20th Century Fox studio. Fonte: Wikimedia commons.

 

 

Alceu Penna e as Pin-ups do Brasil

 

O ilustrador Alceu Penna, que se diz haver ajudado a construir a imagem de Carmen Miranda, foi o principal representante do estilo pin-up no Brasil. Com  a publicação da sua famosa coluna “As Garotas” a partir de 1938, Alceu ilustrou um estilo de mulher brasileira mais leve, sensual e descontraído.

Além disso, as suas pin-up traziam uma moda dos anos 40 adaptada ao calor do Rio de Janeiro. Desse modo, entre os seus desenhos, publicados sem nenhuma interrupção até 1964, apareciam muitas mulheres vestidas para a praia.

 

Ilustração de Alceu Penna para a revista "O Cruzeiro", de 1944.
História da Moda Praia no Brasil – Ilustração de Alceu Penna para a revista “O Cruzeiro”, de 1944. Acima de tudo, em uma época ainda conservadora, a ilustração de pin-ups permitia uma ousadia ímpar à moda feminina. Fonte: Facebook Alceu Penna.

 

Acima de tudo, o seu trabalho com a coluna “As Garotas” ajudou a revolucionar a moda no país. Afinal, o setor no Brasil estava em total renovação, e o trabalho de Alceu Penna dialogava diretamente com outras empresas e personalidades então em alta no país.

Assim, ele foi uma das grandes personalidades a atuar no mercado fashion no Brasil, e o seu trabalho foi uma grande ponte para o avanço que se viveu nas décadas seguintes.

 

Por Denise Pitta.

Editado e atualizado por Mariana Boscariol.

 

*Este é um trecho do relatório final da pesquisa Moda e Identidade Brasileira, feito por Denise Pitta de Almeida em 2003 à Faculdade de Moda da UNIP.

 

 

Mappin em 1937

 

Women’s Fashion – 1940s

 

Mena Fiala, Cândida Gluzman e Casa Canadá


Propagandas brasileiras dos anos 40 – Revista O Cruzeiro

Revista O Cruzeiro em 1946

Revista O Cruzeiro

A história da moda nos anos 40

 

Carmen Miranda

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