Identidade Brasileira na Moda – A roupas dos Anos 40 e os fatos mais marcantes da década

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Na década de 40 acontece o apogeu de Hollywood e Carmem Miranda, como um dos marcos desse período. Com ela surgiu a primeira fantasia genuinamente brasileira, criada por Alceu Pena: a baiana.(Gontijo).

Carmem Miranda fez sucesso no Brasil e nos Estados Unidos, divulgando a cultura latino-americana. Foi a primeira brasileira a lançar modas, inclusive nos EUA – o “Miranda look” que foi adaptado e usado nas ruas. Ainda hoje muitos estilistas buscam nela inspiração.

 

 

Em 40/45, acontece a Segunda Guerra Mundial, que bloqueou as importações de bens de consumo, consolidando a indústria têxtil e de confecções no Brasil. Durante a guerra só se importou de 10 a 20% dos tecidos consumidos no país.

 

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Mappin em 1937

Nesse período foi inaugurada uma era de intervencionismo, através da adoção de uma política de restrição às importações. Vitória da indústria nacional. Lojas como o Mappin (primeira loja de departamentos de São Paulo inicialmente direcionada para a elite), baseadas nas importações viram-se obrigadas a se adaptar aos novos rumos:

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”Podia-se sentir, na referência ao rigor com que a loja selecionava os produtos nacionais, alguma desconfiança, ainda, com relação à qualidade dos artigos produzidos no Brasil”.( Alvim, 1985, p. 131)., sobretudo por parte da elite acostumada a desvalorizar o produto interno em prol dos importados.”

A moda nos anos 40. Carmem Miranda, o New Look de Dior lançado em 1947 e croquis dos anos 40

 

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Quanto à moda, é nesta década que começa a existir moda brasileira. Ou pelo menos, uma adaptação mais conscienciosa do que era ditado por Paris. Casas de luxo, como a Casa Canadá (que ocupou o lugar de maior destaque na moda brasileira naquele período), devido à dificuldade de importação imposta nessa época, começa a produzir modelos e tecidos exclusivos para a elite econômica, totalmente copiados dos modelos europeus. De acordo com Durand:

“Embora não se propusesse a fundar a alta costura nacional, a Casa Canadá realizou um trabalho de importação de moda mais elaborado e pioneiro. Ele envolvia organização de desfiles, um ateliê de costura fina encarregado das coleções e desfiles, das encomendas exclusivas de um pequeno estoque para os pedidos do prêt-à-porter. Compreendia também um esforço de divulgação, envolvendo um serviço de imprensa e apresentações nos Estados mais importantes.”(Durand, 1988 p. 72)

 

(Este é um trecho do relatório final da pesquisa Moda e Identidade Brasileira, feito por Denise Pitta de Almeida, 2003, Faculdade de Moda da UNIP. )

 

Women’s Fashion – 1940s

D. Mena Fiala e a Casa Canadá

 

Mena Fiala, Cândida Gluzman e Casa CanadáLeia mais aqui e aqui

 

Mena Fiala, descendente de italianos, nasceu em Petrópolis, onde aprendeu com as irmãs Falconi a arte de fazer chapéus. Por volta de 1929, mudou-se para o Rio de Janeiro e conheceu Jacob Feliks, fundador da Casa Canadá, com quem passou a colaborar.

A Casa Canadá funcionou na Rua Gonçalves Dias até 1934. Quando houve a inauguração da sua grande loja, na Rua Sete de Setembro, Mena e Cândida foram convidadas para dirigir a seção de roupas por atacado. Cândida ia cinco vezes por ano a Paris e trazia modelos de estilistas como Balenciaga, Dior e Jacques Faith.
“Elas desmontavam as peças que vinham de fora e estudavam, buscando entender a modelagem, como aquela peça era feita” – explica Cristina Seixas, estilista e jornalista, que desenvolveu uma tese sobre a Casa Canadá. Criando e interpretando com base na inspiração dos modelos europeus, impulsionaram a implantação e o desenvolvimento da indústria do vestuário.
Canadá de Luxe

A procura era crescente e a importação tornava-se complicada. Para atender às clientes, foi aberta, em 1944, a Canadá de Luxe, a primeira grande casa de alta costura do Brasil. No dia 17 de julho do mesmo ano, acontecia o primeiro desfile com manequins, treinadas pelas irmãs. Inaugurava-se a tradição dos desfiles de moda como apresentação de tendências à imprensa e ao público consumidor. Mena e Cândida também foram responsáveis pelo primeiro prêt-à-porter do país.

“A Canadá sempre foi uma loja destinada às grandes fortunas. Os clientes podiam passar uma tarde inteira na Canadá. Você podia entrar e pedir para que lhe passassem uma pele, um vestido, haviam modelos fixas que ficavam o dia inteiro à disposição. Enquanto você assistia ao desfile, tomava um café, um chá; tudo sem a obrigação de comprar, é claro.” – conta Lucianita de Carvalho, filha de Mena Fiala.

A Casa Canadá fecha as portas. Em 1967, o prédio onde funcionava a Canadá foi desapropriado e a loja fechou as portas. Mena e Cândida continuaram dirigindo desfiles até 1972. ( Leia matéria completa em A Moda Passa o Estilo Fica )

 

  • Saiba mais em: A Casa Canadá: história do centro pioneiro da alta-costura no Brasil. Além de Quem foi Mena Fiala? A história da promotora dos desfiles de manequins no Brasil.

 

Mena Fiala

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Considerada a decana da moda no Brasil e atuando no meio por mais de setenta anos, Mena Fiala tornou-se um dos seus nomes mais expressivos. Destacando-se como exigente profissional, tinha entre suas principais características, a vontade de encontrar novos caminhos e opções para o desenvolvimento da moda brasileira, além de se preocupar sempre em qualificar e valorizar a mão de obra nacional. ( Leia mais no  Moda Brasil )

Saiba mais sobre o Mappin

Por Emerson Alecrim


De acordo com este artigo de Abramo Nicola Battilana, o Mappin nasceu com o nome Mappin Stores, em 1913, pelas mãos astuciosas dos irmãos ingleses Walter John Mappin e Herbert Joseph Mappin. Na época, contava com 11 departamentos, 40 funcionários e estava localizado na rua XV de Novembro. Seis anos mais tarde, a loja passou a ocupar um prédio na Praça do Patriarca, já contando com 34 departamentos e mais de 200 empregados.

 

Em 1939 – olhe só, a época em que meus avós curtiam a juventude – o Mappin se mudou para o que se tornaria a sua loja mais famosa: o prédio João Brícola, próximo ao conhecidíssimo Viaduto do Chá e em frente ao Teatro Municipal de São Paulo. Essa era a loja que eu mais gostava de ir, pois era enorme! Em um andar havia só brinquedos, em outro, somente roupas, e assim por diante.

No início, o Mappin foi um lugar bastante requintado, vendia apenas produtos importados e oferecia serviços como salão de chá e barbearia à população mais nobre de São Paulo. Esse cenário mudou quando o empresário do café Alberto Alves Filho assumiu a operação da empresa, no início da década de 1950, devido às dificuldades que os antigos controladores tinham em se adaptar à nova realidade econômica do estado. Foi essa mudança que fez com que o Mappin passasse a comercializar produtos nacionais e atrair uma clientela com menos recursos financeiros.

(Leia esta matéria completa no blog Ponto de Vista)

Propagandas brasileiras dos anos 40 – Revista O Cruzeiro

Revista O Cruzeiro em 1946

Revista O Cruzeiro

A história da moda nos anos 40

 

 

 

Carmen Miranda

Via blog

Carmen Miranda, pseudônimo de Maria do Carmo Miranda da Cunha, (Marco de Canaveses, 9 de fevereiro de 1909 — Beverly Hills, 5 de agosto de 1955) foi uma cantora e atriz luso-brasileira. Sua carreira artística transcorreu no Brasil e Estados Unidos entre as décadas de 1930 a 1950. Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema e na televisão. Chegou a receber o maior salário até então pago a uma mulher nos Estados Unidos. Seu estilo eclético faz com que seja considerada precursora do tropicalismo, movimento cultural brasileiro surgido no final da década de 1960. ( Via blog Meus, seus, nossos direitos )

Em relação ao material dos anos 40, vocês podem entrar no site Moda Almanaque que tem muita coisa interessante:

http://almanaque.folha.uol.com.br/anos40.htm

E no site Vintage Textile :
http://vintagetextile.com/gallery_1930s_50s.htm

Tem uma galeria com roupas originais de várias épocas.

Leia Mais:

Por Denise Pitta

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