Jane Fonda em Barbarella (1968)
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Onde tudo começou e a mulher real – Parte 2/4.
Do Ciborgue ao Virtual / Parte 4-4
Por Goretti Pedroso
Para representar este período de liberação feminina, o filme Barbarella (1968), de Roger Vadin explora de modo inegável esta transformação expressiva da condição da mulher na sociedade, onde se questiona a sua guerra pessoal e a sua conquista social travando batalhas, onde o sexo atua como uma infalível arma contra o inimigo.
O filme vem ao encontro das expectativas da época, pois a mulher está inserida em um movimento feminista, onde o patriarcado começa a perder sua sustentação. Este movimento libertador questionava a situação social da mulher, a virgindade, o aborto e o casamento.
Barbarella – 1968 com Jane Fonda
A entrada da mulher no mercado de trabalho, conquista sedimentada após as duas guerras mundiais, ganha força com o acesso à cultura principalmente por ter presença e participação, inclusive com direito a voto enquanto cidadã. O direcionamento e o poder masculino já começam a ficar abalados. Há necessidade de novo redimensionamento nas atitudes e relações interpessoais; passa-se à busca de paridade e igualdade nas relações e direitos.
Chegamos finalmente à sociedade pós-industrial, onde o homem se tornou protagonista, como explica Domenico De Masi em O Ócio Criativo, pois as máquinas já eram operadas por outras máquinas; valores sociais e morais antes valorizados como o racionalismo, a competitividade, a alta produção, a eficiência e a ambição por bens materiais dão lugar ao progresso tecnológico; intensa presença dos mass media, valorizando e abrindo espaço para bens imateriais, que poderiam ser traduzidos por valores, serviços, estética, o livre pensar, maior criatividade e melhor utilização do tempo.
As mulheres, já mais emancipadas, com seus direitos preservados e donas de uma independência quase em arrependimento, por ter perdido alguns dos luxos e prazeres que a posição anterior a toda esta revolução feminina lhes conferia, dispõem dos meios de comunicação como aliado e tornam-se cada vez mais fortes, auto-suficientes, mas mecanizadas e conseqüentemente mais solitárias.
Os editores de moda da Vogue francesa sentenciam: “Smokings, alta costura, cores anos 80… clássicos, você disse Clássicos?!”
Estão nas revistas, capas e editoriais, estão nas bocas e ouvidos de pessoas de todas as idades e de todos os lugares. Estão nos ensinamentos da vovó e nos conselhos dos fashionistas: o clássico nunca sai de moda.
Se no dicionário a palavra “classe” surge quase que simultaneamente com “clássico”, não parece ser mera coincidência, pelo menos não no universo da moda.
A revista francesa de moda mais importante do mundo tem na capa Christy Turlington, e em um editorial fabuloso sobre os eternos clássicos da moda. Porque Christy? Assim como Prada e Chanel escolheram Linda Evangelista e Claudia Schiffer para estrelarem suas novas campanhas: modelos clássicas, que jamais saem de moda e são sinônimos de classe, garantidos desde sempre.
Lançado desde o século XIX, o escarpim é um sapato fechado, com salto baixo ou médio e uma linha que se afina em direção ao bico.
Derivado da palavra scarpa que em italiano significa sapato, e assim sendo no diminutivo scarpino, ele é muito usado desde o seu lançamento, embora a cada década a moda dite o tipo e a altura do salto.
O responsável pela novidade (salto agulha + bico fino) nos anos 50, foi o estilista Roger Vivier, que durante dez anos (1953-1963) trabalhou como desenhista na Maison Dior. Vivier concebeu alguns dos sapatos de maior influência e originalidade da época. Transformou mules do século XVIII em sapatos toalete, em sapatilhas e em botas para o dia.
“As legítimas” estão em páginas duplas nas revistas, em preciosos segundos na televisão e expostas em outdoors pelas ruas do Brasil atual. Os chinelos Havaianas estão ainda nos pés de inúmeros brasileiros: elas conquistaram há tempos os humildes e ásperos pés de pedreiros, empregadas domésticas, “pé-rapados” e afins e alcançaram as “finas” e bem-cuidadas patas de cerâmica de manequins das boutiques, para agradar os mais exigentes pés do Brasil e do mundo.
A trajetória das Havaianas se inicia em 1908, como simples alpargatas. Passa para o status de sandálias top em algumas décadas e culmina em coleções assinadas por renomados estilistas e cartunistas. Há peças confeccionadas com cristais e diamantes, para a clientela mais afortunada e conta, também, com modelos coloridíssimos que inovam a cada temporada.
Antes, é preciso considerar que data de antes de Cristo o primeiro sapato da história criado tão-só para afastar os pés do solo repleto de micróbios. Nesse início do uso de sapatos – na verdade, de seus primos pré-históricos –, há uma “disciplina” do andar, um habitus de natureza social designado pelo filósofo Marcel Mauss como uma das “técnicas corporais”. A frase célebre de Mauss, “o corpo é o primeiro e mais natural instrumento do homem”, evidencie o modo como os homens, sociedade por sociedade, história por história, sabem e se servem de seus corpos. Logo, comportamentos como o caminhar são específicos em cada época e em cada sociedade.
“Moro num País tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas que beleza”! A canção de Sérgio Mendez, consagrada na voz de Jorge Ben, representa muito do que se considera atualmente nossa “brasilidade”.
O ritmo dançante de “País tropical” pode nos presentear com uma viagem mental rumo a um lugar paradisíaco, de clima quente de férias de verão, delicioso em companhia de coquetéis coloridos feitos de frutas exóticas, adornados com miniaturas de guarda-chuvas. Nessa miragem, ilustrada nas publicidades da linha “Trópicos de Melissa” lançada no verão de 2006-2007, figuravam as sandálias desenhadas pelos estilistas Adriana Barra e Alexandre Herchcovitch. Além dessa imagem, a atriz e garota-propaganda Camila Pitanga protagonizou ainda publicidades em que posava em bancas de feira, rodeada por frutas da estação.
A coleção fazia referências explícitas à concepção de “brasilidade” da marca, associando-a a tropicalidade latino-americana e às riquezas naturais do Brasil. Os modelos de plástico foram, inclusive, batizados com nomes de temperos, tais como: Melissa Spice e Melissa Cinnamon – respectivamente pimenta e canela. Frutas tropicais também foram inspirações, como vimos na Melissa Manga e na Pitanga + Adriana Barra. Já o estilista Alexandre Herchcovitch assinou o modelo de maior sucesso na temporada: o Scarfun Summer.
Nos anos 20, após a Primeira Guerra Mundial, a indústria de aviões, que primava pela construção de aeronaves modernas e capazes de alcançar altitudes impressionantes para a época, crescia de forma constante. Os pilotos eram prejudicados pela claridade excessiva do sol sobre as nuvens e sofriam distorções visuais.
A força aérea dos Estados Unidos encomendou a Baush & Lomb (empresa ótica americana fundada em 1849), lentes especiais para combater os danos criados pelos raios UV. Foram cerca de dez anos de pesquisas, mas finalmente foram criadas as lentes verdes de cristal especial capaz de refletir e bloquear um alto nível de luz solar, além de proteger contra os raios ultravioletas e infravermelhos.
O que seria a coisa mais difícil para uma marca se consolidar? Seria a injeção de capital para manter as máquinas de costuras furando repetidamente aquele pedaço de pano, que vai virar sensação da próxima estação ou as tecelagens a pino, produzindo centenas de quilômetros de novas estampas. Será que os funcionários recebendo bem e em dia, que por conseguinte, produziriam mais, ou ter todo organograma da empresa funcionando do jeito que deveria?
Talvez tudo isso junto, mas o primordial possa ser o nome da marca. Já se perguntaram como é que os nomes dos grandes estilistas e ou das grandes maisons de luxo como a Lacoste surgiram? No caso da Lacoste, diríamos que foi uma “rebatida” de sorte. Sim, pois a marca surgiu dentro das quadras de saibro.
O tenista francês René Lacoste( 1905-1996), foi o principal responsável pela primeira vitória francesa na Taça Davis e colecionou títulos nos famosos torneios de Roland Garros, Wimbledon e Forrest Hills. Recebeu o apelido de “Le Crocodile” por causa da sua agressividade nas quadras.
Quando se aposentou em 1933, criou uma camisa de tênis branca, de mangas curtas, com gola e botões que iam até o pescoço e com o emblema de um crocodilo, que era usada juntamente com um blazer azul-marinho, também desenhado por ele. O uniforme inusitado apareceu pela primeira vez no Torneio Aberto dos Estados Unidos, tendo sucesso imediato entre os tenistas. Desde os anos 70, o crocodilo Lacoste estendeu-se a inúmeras peças, tanto no vestuário feminino como no masculino, além de acessórios ,calçados e perfumes.
All Star é um modelo de tênis fabricado pela marca Converse que surgiu em meados de 1917, porem sua popularização só ocorreu alguns anos depois, quando em 1923, foi criado o modelo All Star Chuck Taylor. Ele surgiu de uma parceria com o jogador americano de basquete Chuck Taylor. E foi desenvolvido exclusivamente para a prática do basquete, pois na época não existiam calçados especializados para a prática deste esporte.
Posteriormente o calçado, começou a ser difundido por bandas como The Ramones, banda de punk rock do fim dos anos 70 e por artistas pop e pela mídia televisiva em meados da década de 80.
Levi Strauss, nasceu na Baviera francesa e chegou aos Estados Unidos em junho de 1847, em plena era do ouro. Foi trabalhar para os seus irmãos mais velhos, vendendo tecidos e objetos domésticos em Kentucky. Dois anos depois, partiu para a Corrida do Ouro, na Califórnia. Começou a confeccionar calças para os mineiros com um tecido de lona marrom; usado pra fazer barracas e cobrir carroças; já que eles precisavam de tecidos bem resistentes.
Em 1850, contratou um alfaiate e transformou a sua lona em macacões, que foram vendidos rapidamente. Mais tarde abriu uma pequena confecção de calças em San Francisco. E quando Levi trocou a lona pelo “tecido de Nimes”, mais resistente e durável, tingiu-o com índigo que foi batizado pelos americanos de denim (corruptela da expressão – de Nimes), passaram a chamar a calça de Levi’s blue denim ou blue jeans.
Na década de 1860, o alfaiate Jacob Davis associou-se a Levi para patentear um modelo com rebites de cobre nos pontos de maior tensão, á fim de reforçar os bolsos que se rasgavam facilmente. O número 501 marcava o lote de tecido das primeiras calças jeans de que o mundo teve notícia. Por isso, o modelo foi chamado de Levi’s 501. Strauss morreu em 1902, mas a empresa continua sendo administrada pela família.
Ainda nos anos 1930, uma mulher de calças podia ser presa por se passar por travesti. Mesmo nos anos 1950, embora as calças-toureiro bem justas fossem populares como roupa informal, seu uso não era considerado aceitável no trabalho ou em ocasiões mais formais.
Em seu ótimo livro sobre o desenvolvimento da roupa moderna, Sex and Suits ( Sexo e as Roupas: a Evolução do Traje Moderno), Anne Hollander descreve a relação entre estilos de vestir masculino e feminino como essencialmente idealista: “As roupas masculinas e femininas ilustram como as pessoas desejam que sejam as relações entre os sexos”. Numa época em que os papéis dos sexos são impermeáveis, homens e mulheres se vestem de modo muito diferente. O cavalheiro vitoriano de sobrecasaca nunca seria confundido com sua mulher de cintura de vespa e sua saia em forma de sino.
Entretanto, cem anos depois, quando o movimento de liberação da mulher estava alcançando um nível de massa crítico, o estilo unissex estava no auge e costureiros como Pierre Cardin e André Courrèges criavam ternos tanto para ele quanto para ela. Rudi Gernreich, sempre um incentivador da moda envelope, deu um passo à frente ao fazer com que modelos masculinos e femininos vestidos identicamente raspassem as cabeças.
A camisa branca é uma peça central do estilo americano, tanto quanto o blue jeans. Mulheres pelo mundo todo usam camisas brancas, é verdade, mas é o porte dessa peça que a torna tão essencialmente americana.
A camisa branca fala de uma energia de mangas arregaçadas, de uma atitude direta que não tem tempo para detalhes complicados nem frescuras que não sejam funcionais. Sua cor nada prática lhe dá um ar aristocrático, enquanto o fato de ser acessível e estar à mão a torna uma favorita do povo. Representa o melhor dos mundos para os consumidores de todas as faixas de renda – e o que pode ser mais americano do que isso?
O pretinho básico é um conceito atraente, que tem arrastado gerações de mulheres para essa peça do guarda-roupa feminino. Todo mundo quando ouve essa expressão sabe do que se trata: um vestido que é simples o suficiente para aparecer sem esforço, mas elegante o bastante para que a mulher que o usa fique marcada como uma pessoa de bom gosto.
Com essa ambigüidade ele se torna uma das peças mais atraentes e indispensáveis para o público feminino. Ora sedutor ou sóbrio, ora ousado ou modesto, chique ou jovial, é uma das grandes armas em qualquer guarda-roupa.
É tentador atribuir o primeiro pretinho a Chanel, uma vez que ele representa tudo o que a estilista simboliza: modernidade, linhas praticamente aerodinâmicas e uma sensualidade tranqüila e confiante que nem mesmo os vários acessórios poderiam lhe conferir.
O preto é uma cor carregada de simbolismo – expressões como “coração negro”, “magia negra” e “chantagem” sugerem conotações obscuras. O preto é a cor do pecado e do sobrenatural. Mas é também a cor do ascetismo, usada pelos piedosos e pelos eruditos: padres, freiras, estudiosos, eremitas e advogados, todos eles, tradicionalmente, protegem-se enfarruscados em suas profundezas.