Golpe Militar de 1964: relembre os eventos do golpe militar no Brasil

Golpe Militar de 1964: relembre os eventos do golpe militar no Brasil

Mais do que nunca, são tempos para reflexão. Ainda que hoje seja conhecido como o Dia da Mentira (1º de Abril), esse também é o momento para refletir sobre um dos episódios mais obscuros da história do Brasil: o Golpe Militar de 1964.

Assim, tendo sido o resultado de um conjunto de eventos que tiveram lugar entre o dia 31 de março e 2 de abril de 1964, relembre quais foram os acontecimentos cruciais desse importante capítulo da nossa história.

 

Mobilização para o Golpe Militar de 1964

 

Jango e Maria Thereza na Central do Brasil. Fonte: Wikimedia Commons.

 

A conspiração dos militares para destituir o governo legitimamente eleito de João Goulart (1919-1976) teve início na madrugada do dia 31 de março.

Os militares contavam com o apoio do governo americano e de alas conservadoras da sociedade brasileira, então interessados em tirar do poder o presidente que propunha trazer Reformas de Base para o Brasil.

Afinal, no dia 13 de março de 1964, Jango havia promovido o Comício da Central do Brasil, onde defendeu, entre outros temas, a reforma agrária e a nacionalização das refinarias de petróleo.

Desde então, a agitação dos militares foi se intensificando.

 

A consumação do Golpe Militar de 1964

 

Um tanque do exército em frente ao palácio da Guanabara no Rio de Janeiro, no dia 08/04/1964. Crédito: Arquivo/Estadão Conteúdo/AE. Fonte: Portal G1.

 

Existe uma controvérsia sobre quando afinal se consumou o golpe. Para os militares, foi no dia 31 de março; mas para a oposição e muitos estudiosos, no 1º de abril; ainda para outros, seria mesmo o dia 2 de abril.

Seja como for, foi no dia 1º de abril que o movimento em direção ao golpe cresceu. Não por menos, Jango teve que deixar o Rio de Janeiro ao redor do meio-dia – ele então foi para o Rio Grande do Sul, sua terra natal, sendo logo seguido pela sua mulher, Maria Thereza Goulart, e seus filhos.

No dia 2 de abril, Auro Moura Andrade, o então presidente do Congresso Nacional, oficializou a deposição de João Goulart da Presidência da República.

Desde então, o golpe militar se instaurou de vez dando início a uma época de profundas mudanças na organização política, econômica e social do país.

 

O AI-5

 

 

Página 01 do Ato Institucional Número Cinco (AI-5), de 13 de dezembro de 1968. Crédito: Arquivo Nacional. Fonte: Wikimedia commons.

 

Em uma época em que se discute muito sobre as Fake News e o negacionismo (inclusive por parte do atual governo), é importante destacar algumas das partes mais nefastas dessa história de retrocesso.

Dentre elas, um dos pontos determinantes da Ditadura Militar foi a publicação em 1968 do Ato Institucional nº 5, o AI-5. Então sob o comando do general Costa e Silva, o AI-5 foi a expressão mais dura do regime.

Tendo vigorado até o final de 1978, o AI-5 trouxe os pilares de sustentação dos militares no poder: o autoritarismo, a censura, a suspensão dos direitos políticos de cidadãos, o sufocamento da oposição e a perseguição política.

Como resultado, os exílios forçados, as prisões, a tortura e a morte de opositores dos militares se tornaram uma prática comum.

 

Artistas protestam contra a Ditadura Militar – Tônia Carreiro, Eva Wilma, Odete Lara, Norma Bengell e Cacilda Becker. Crédito: Arquivo Nacional. Fonte: Wikimedia commons.

 

Zuzu Angel

 

Zuzu Angel em Nova York, 1972. Crédito: Arquivo Nacional. Fonte: Wikimedia commons.

 

Entre as suas muitas vítimas está, por exemplo, a famosa estilista de moda Zuzu Angel (1921-1976). Tendo feito forte oposição ao governo após o assassinato do seu filho, Stuart Angel (1946-1971), Zuzu acabou por morrer em um suspeito acidente de carro.

Finalmente, em 2019, Hildegard Angel conseguiu emitir as certidões de óbito tanto de sua mãe como de seu irmão, atestando que se tratou de: “morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro”.

Dentro dos mais recentes acontecimentos no Brasil, está claro que há muito o que ser discutido e feito sobre a memória dos danos do Golpe Militar de 1964 e o regime que o seguiu.

 

Por Mariana Boscariol.

 

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