Vivienne Westwood – As Grandes Estilistas da Moda Europeia – Parte 5/5

Conheça com mais detalhes a vida de Vivienne Westwood, a estilista britânica que continua sendo sinônimo de ousadia e empoderamento feminino.

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Dando sequência à série sobre as grandes figuras femininas da moda europeia, nesse artigo exploraremos a vida e obra de Vivienne Westwood (1941): a grande estilista inglesa que trouxe a ousadia do punk britânico à moda.

 

Quem é Vivienne Westwood?

 

Vivienne Westwood.
Vivienne Westwood. Fonte: Blog Vivienne Westwood.

 

Vivienne Isabel Swire nasceu no Glossop, no Derbyshire, no dia 8 de abril de 1941. Ela vinha de uma família da “working class” britânica, a classe trabalhadora operária. Ou seja, na Inglaterra da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que vivia uma crise financeira, isso significava poucos recursos e muitos sacrifícios.

Em 1958, Vivienne se mudou com sua família para Harrow, Middlesex. Na nova região, a jovem fez um curso de joalheria e ourivesaria na Universidade de Westminster, então conhecida como Escola de Arte Harrow.

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Depois de ter aceitado um emprego em uma fábrica e estudado em uma faculdade de formação de professores, ela se tornou professora de escola primária. Mas, além disso, durante este período ela já criava as suas próprias joias, as quais então vendia em uma banca na Portobello Road.

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Pouco depois, em 1962, ela conheceu Derek Westwood, que era aprendiz da fábrica Hoover, em Harrow. Os dois se casaram no mesmo ano, tendo um filho logo no ano seguinte, chamado Benjamin (Ben) Westwood.

 

Vivienne Westwood em 1977.
Vivienne Westwood em 1977. Crédito: MIRRORPIX. Fonte: Getty Images.

 

Contudo, o casamento com Derek não durou muito tempo, já que pouco depois ela se envolveu com Malcolm McLaren. Vivienne Westwood e McLaren então se mudaram para Clapham, onde tiveram um filho, Joseph Corré, em 1967.

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Vivienne seguiu dando aulas até 1971, mas continuou a criar roupas a partir de projetos de McLaren.

Nesse meio tempo, McLaren se tornou o gerente da banda punk Sex Pistols. Westwood e Maclaren começaram a chamar a atenção com as suas criações a partir do momento em que a banda, que fazia sucesso dentro e fora do Reino Unido, passou a usar os seus desenhos.

 

Uma moda de mulheres para mulheres

 

Vivienne Westwood.
Vivienne Westwood. Crédito: MIRRORPIX. Fonte: Getty Images.

 

Acima de tudo, aqui nos centramos em analisar a moda criada por mulheres na Europa durante o século XX. Mulheres que criaram tendências e ajudaram a mudar a forma de ser mulher na sociedade ocidental, grupo do qual Vivienne Westwood é um ícone.

Com isso, não pretendemos desprezar, por exemplo, a importância da criação japonesa ou mesmo da norte-americana no cenário da moda internacional.

A nossa intenção é, antes de mais nada, mostrar a relevância da presença feminina num mundo que é conhecido quase que exclusivamente pelo domínio dos grandes costureiros e suas maisons – como, por exemplo, Christian Dior, Cristóbal Balenciaga e Yves Saint-Laurent.

 

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O Início da Carreira de Vivienne Westwood

“É uma guerra pela própria existência da raça humana. E a do planeta. A arma mais importante que temos é a opinião pública: vá às galerias de arte, comece a entender o mundo em que você vive. Você é um lutador da liberdade assim que começar a fazer isso”. (Vivienne Westwood).

Assim, em 1971, junto com Malcom McLaren ela criou a loja Let it Rock na King’s Road – rua de Londres de onde decolavam as novidades extravagantes da moda da época.

A loja, que em 1974 mudou de nome para Sex – além de posteriormente outros nomes – tinha como público aqueles que mostravam afinidades com os integrantes da banda Sex Pistols. Ou seja, gente jovem querendo fugir do convencional e, se possível, chocar.

 

Westwood e Maclaren em 1970.
Westwood e Maclaren em 1970. Crédito: MIRRORPIX. Fonte: Getty Images.

 

Entre os artigos mais marcantes nas produções de Vivienne Westwood estava o couro preto, as estampas de animais e o tecido de rede com rasgos, que eram presos com alfinetes-de-ama.

O estilo punk então em efervescência encontrou ali a sua perfeita representação. Afinal, os modelos inspirados no vinil, no fetichismo e no sadomasoquismo viram a luz do dia com Westwood.

Além disso, nessa altura as mulheres também experimentavam uma liberdade até então desconhecida. As mulheres punks desenvolveram uma imagem muito própria, a partir de uma nova estética e de uma linguagem sem inibições, que buscava ir além das pressões sociais e dos códigos de vestimenta.

 

Retrato de Vivienne Westwood.
Retrato de Vivienne Westwood. Crédito: Ki Price. Fonte: British Fashion Council / Google Arts and Culture-

 

 

O Estilo Punk Britânico

 

Entre as peças encontradas em sua boutique estavam camisetas estampadas com frases eróticas, como, por exemplo, “ele lhe agarrou os seios e encostou-a contra a parede”. Além disso, eram comum um material de protesto à injustiças ou questões econômicas, políticas e sociais.

Entretanto, no início dos anos 80, Vivienne Westwood desistiu dos alfinetes-de-ama e mostrou uma moda mais romântica, sempre explorando referências históricas. Afinal, o declínio dos Sex Pistols e a absorção do Punk de maneira massificada deixaram Westwood desencantada.

 

A loja World's End de Vivienne Westwood.
A loja World’s End de Vivienne Westwood. Fonte: British Fashion Council / Google Arts and Culture.

 

Como resultado, em 1980 a loja foi remodelada e renomeada como World´s End, o nome que ainda mantêm.

Assim, ela chegou ao final da década lançando o barroquismo e o body suit em Lycra, sem se preocupar tanto com os consumidores jovens. Desse modo, durante este período, Vivienne Westwood mudou a sua atenção do punk para releituras do estilo britânico e paródias da alta sociedade.

 

Vivienne Westwood, coleção Harris Tweed, 1987.
Vivienne Westwood, coleção Harris Tweed, 1987. Fonte: Getty Images.

 

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Criações de Vivianne Westwood

 

“Do lado inglês temos a alfaiataria e um charme fácil, do lado francês essa solidez do design e da proporção que vêm de nunca estar satisfeito porque algo sempre pode ser feito para torná-lo melhor, mais refinado”. (Vivienne Westwood).

Coleção Anglomania 93.
Coleção Anglomania 93. Fonte: Vivienne Westwood.

 

Vivienne acredita que a moda é uma combinação e troca de ideias entre a França e a Inglaterra. Não por menos as suas coleções sempre buscam reavivar referências à moda dos dois países. Claro, isso com um toque extremamente ousado e nada conservador.

Invenções como a crinolina descartável, também chamada “minicri”, uma versão mais curta e irreverente do vestido tradicional no século XVII, o sapato de cunha, o “bustier”, a roupa interior como roupa exterior, os saltos com uma plataforma de 20 centímetros, e o twin set com pérolas para o homem provocaram, ano após ano, muita consternação, para depois aparecerem em coleções de outros estilistas.

Com o tempo, as criações irreverentes da estilista acabaram influenciando até mesmo o prêt-à-porter, como foi o caso do estilo que levou o nome de pauperismo, e que era exatamente o que seu nome sugeria.

 

Coleção outono-inverno 21/22 de Vivienne Westwood.
Coleção outono-inverno 21/22 de Vivienne Westwood. Fonte: Vivienne Westwood.

 

 

Atualidade

 

Andreas Kronthaler para Vivienne Westwood, outono-inverno 2021.
Andreas Kronthaler para Vivienne Westwood, outono-inverno 2021. Fonte: Vivienne Westwood.

 

Ainda que sempre tenha fugido do convencional, a estilista exerceu uma influência sobre a moda que é maior do que muitas pessoas supõem.

Nesse sentido, o guru dos meios de comunicação social John Fairchild, editor da publicação norte-americana Women’s Wear Daily, considera Westwood um dos seis talentos mais criativos do século. Entre outros motivos, por ser visionária ao abandonar as modas antes de estas acabarem por se tornar banais.

Em pleno século 21, Vivienne Westwood continua fiel ao tipo de moda que criou: exagerada, sem ajustes tradicionais, surpreendente e anárquica, combinando técnicas e materiais tradicionais com a modernidade e uma franca ironia.

 

Vivienne Westwood em um desfile.
Vivienne Westwood em um desfile. Fonte: Facebook Vivienne Westwood.

 

A título de curiosidade, em 1992, quando lhe foi atribuída a Ordem do Império Britânico, Westwood apresentou-se na cerimônia real do Buckingham Palace sem roupa íntima. O feito foi desaprovado pela rainha, líder de uma comunidade conservadora.

A estilista continua a fazer parcerias com marcas mais comerciais e acessíveis. Dentre elas, no Brasil temos a linha Vivienne Westwood lançada pela Melissa.

 

 

A Militante Vivienne Westwood

 

“Através de cada caminhada da vida as pessoas estão mudando os seus valores e o seu comportamento. Isto continua a construir a Revolução. A luta não é mais entre as classes ou entre ricos e pobres, mas entre os idiotas e os eco-conscientes”. (Vivienne Westwood).

 

Vivienne Westwood com camiseta da campana "Save the Artic".
Vivienne Westwood com camiseta da campanha “Save the Artic”. Fonte: Vivienne Westwood.

 

Aos 80 anos de idade, recém completados no último dia 8 de abril, a estilista segue produzindo com a mesma ousadia de sempre e ainda encontra muita energia para militar sem pausa como ativista ambiental.

A crise climática é de fato um dos seus maiores interesses atuais, sobre o qual costuma se pronunciar no que considera ser o seu diário on-line pessoal.

 

 

Por Queila Ferraz.

Revisado e editado por Mariana Boscariol.

 

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