Artigos publicados na Tag ‘Reflexões’

Afinal, qual a função de um chefe de cozinha?

Publicado em 03 Jul 2009 at 4:16pm

Os hábitos alimentares têm sua origem na identidade e na cultura de um povo. São parte dos alicerces sociais. Ao viajarmos pelo mundo encontramos inúmeras peculiaridades alimentares em cada país e ainda curiosas diferenças nos estados do mesmo. Isto se dá provavelmente, não só pelas influências de colonização ou proximidade geográfica com outros países, mas também pela adequação dos alimentos ao clima, solo e demanda de cada região.

No Brasil, por exemplo, a culinária é fruto de uma mistura de ingredientes europeus, indígenas e africanos que foram sendo adaptados à realidade do país. A feijoada é um bom exemplo. Os escravos trazidos ao Brasil desde o fim do século 19 conceberam o prato nas senzalas a partir das sobras das carnes da casa-grande, mas foram os portugueses que juntaram o feijão preto a esta adaptação do cozido português, uma vez que a mistura de carnes e legumes era tabu na alimentação dos colonos.
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A liderança e o mundo da idéias. E quem as executa?

Publicado em 02 Jul 2009 at 6:14pm

Refletindo sobre um fenômeno nada novo que reúne uma função muito básica do ser humano – a idéia – me dei conta que fico muito incomodado com os excessos de quem as produz e as expectativas envolvidas no processo de suas produções.

O termo idéia pode, como em Platão, designar realidades objetivas, inteligíveis, eternas, imutáveis e transcendentes. Pode também ser definida sob a luz da psicanálise como toda a espécie de representação mental, pensamento, imagem, lembrança, opinião, projeto, intenção, invenção, imaginação, descoberta, ou simplesmente representação intelectual de um objeto.

Na filosofia, o ideal se refere a uma idéia e não a uma realidade empírica. A teoria das idéias, de Platão, é, por vezes, inapropriadamente chamada de idealismo. Na verdade, deve ser considerado um “realismo das idéias”, já que para Platão, as idéias constituem uma realidade autônoma – “o mundo inteligível” – existente por si mesma, independente de nosso conhecimento ou pensamento.

Sem precisar ser muito erudito ou acadêmico a idéia nos reporta a algo pensado, novo, criativo: – Tive uma idéia! Logo se constrói toda uma argumentação para dar sustentação aquela idéia que se transforma em uma opinião defendida e, consequentemente num projeto a ser  executado.

Somos sempre estimulados a ter idéias no sentido de demonstrar nossa criatividade e versatilidade na resolução de problemas. Embora não sejam muitos os que de fato nos apresentam uma idéia original. Podemos citar Darwin e a teoria da evolução; Lavoisier e a criação da química moderna e conservação da matéria; Adam Smith considerado o pai da economia moderna; Freud e a psicanálise; Einstein e a teoria da relatividade; Bill Gates e a Microsoft e Steve Jobs co-fundador e reinventor da Apple Inc.

Freud criador da Psicanálise

Não precisamos nem mesmo ler suas obras para compreender que cada um dos citados foram trabalhadores árduos, obsessivos em suas pesquisas e a partir de suas idéias realizaram feitos para toda humanidade. Tais feitos os tornaram grandes líderes cujos seguidores se estendem de gerações em gerações.
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São Paulo x Cruzeiro ou seria Sanduba de Pernil x Tropeiro na Marmita

Publicado em 30 Jun 2009 at 5:22pm

A comida e o futebol sempre traçaram estreitas ligações, haja vista nos termos: “engoliu um frango”, “levou um chocolate”, mas é nos arredores dos estádios que podemos observar que a relação é mais próxima do que imaginávamos.

Todos aqueles que já foram a um jogo, seja ele no Morumbi, Pacaembu, Maracanã ou Mineirão, já sentiram aquele “aroma de estádio” que paira em torno deste tão freqüente programa do brasileiro: assistir a uma partida.

Mas esta partida começa antes mesmo dos times entrarem em campo: o que vai ser? Um delicioso sanduba de pernil? Ou de calabresa, que muitas vezes nos estádios são substituídas pelo salsichão? Que tal o bom e velho hot dog? Ou até um feijão tropeiro na marmita (clássico do Mineirão)?


O sanduíche de pernil é tradicional nos arredores dos estádios de futebol em São Paulo
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Olhar o mundo a partir da moda e das passarelas da SPFW

Publicado em 24 Jun 2009 at 5:59pm

Olhar o mundo a partir da moda, uma das propostas do Fashion Bubbles, nos faz perceber as nuances da comunicação de toda a cadeia produtiva da moda e a dinâmica da nossa vida do ponto de vista sócio, político, econômico e cultural.

Não há dúvidas de que a crise financeira internacional influenciou todos os setores da moda, desde os produtores agrícolas que enfrentaram grandes dificuldades para financiar suas produções, até os comerciantes profundamente afetados pela redução abrupta no consumo. As marcas internacionais de luxo também foram afetadas  pela flutuação cambial e  políticas  fiscais de altos impostos e proteção de mercado, dando espaço para  que as marcas nacionais pudessem mostrar que são uma alternativa.

O mercado brasileiro, embora muito afetado pelos efeitos da crise, se mostrou resiliente e bem estabelecido. O mesmo não podemos dizer do mercado Argentino, onde a mudança do perfil dos turistas e consumidores locais motivaram grandes marcas a abandonar o país e outras a fecharem suas portas por não ser mais sustentável. Emporio Armani, após oito anos de presença na Argentina, decidiu abandonar o mercado e a Zara declara não ser mais efetivo os custos de importação de roupas do Uruguay, enfrentando sérios problemas em consequencia das políticas governamentais.

A SPFW – São Paulo Fashion Week – este ano teve investimento recorde de USD 10 milhões e abriu suas atividades na quarta-feira dia 17 como se a crise financeira internacional não existisse ou tivesse chegado ao seu final. Seus principais patrocinadores (Natura, Tam, Melissa, Havaianas, etc.) ajudaram muito para que o evento em São Paulo – maior centro de negócios e vanguarda da América Latina – despistassem a crise. Entretanto, nas passarelas,  os estilistas traduziram como estamos vivendo e percebendo o mundo atual, com muita criatividade.

O mundo estava relaxado, colorido e o dinheiro circulava em grandes volumes e em altíssima velocidade. Na moda não era diferente – tudo podia do ponto de vista estético e de investimento: babados, listras, xadrez, bolas, sobreposição, cores variadas do preto/branco aos cítricos, muitos tecidos soltos relaxados e esvoaçantes representando a leveza de se ter dinheiro, glamour e estilo. Japonismo, anos 20, 30, 50 (new-look), 60 e anos 80. As passarelas não apresentavam desfiles, mas shows de toda a natureza e personalidades se passando por modelos.

Nos últimos desfiles, percebemos que  as cinturas foram apertadas e o caimento está mais comportado.  As cores sóbrias revelam o humor pós-crise e o toque de alfaiataria (paletós masculinos) em cores de “comodity” (sacos de café) apresentados por Reinaldo Lourenço e Cori e o linho artesanal e coletes sobrepostos por Maria Bonita, demonstram que é preciso voltar ao trabalho e recuperar toda uma trajetória que a moda brasileira percorreu para atingir a maioridade.

Não basta cobri o corpo e protegê-lo das intempéries do mundo, a proposta da moda é comunicação, status, tendência, criatividade e capacidade de gerar negócios e gerar trabalhos para muita gente que também tem o compromisso de fazer a economia girar.

Não basta olhar a partir da moda, é preciso apreender esta linguagem cultural e assim entender não só o momento, mas estar com o olhar atento para frente e assim poder se preparar para um futuro que pode ser recriado, mas grande parte dele já está descrito pelos visionários que contribuem muito, mas também impõem suas impressões no que comer, beber, vestir e até em como viver.

Por Carlos Alberto Silva

Evolução.com

Publicado em 17 Jun 2009 at 7:42pm

Vamos ver se você adivinha: um jovem estudante tem uma idéia ainda durante os anos de faculdade. Um professor vê na idéia viabilidade comercial e aconselha o garoto a patenteá-la, o que ele faz. O garoto sai da escola e monta sua pequena empresa “de garagem”. Em dois anos o negócio cresce e consegue investidores. E dali pra frente o crescimento é vertiginoso, transformando a empresa num negócio bilionário.

Steve Jobs com o MacIntosh? Bill Gates com o Windows? Os meninos do Google? Ou do Facebook? Pois deixe-me surpreender você: a história que contei é do estadunidense Clarence Spicer que inventou a tecnologia da junta universal que revolucionou os sistemas de transmissão de força dos automóveis e caminhões produzidos nos EUA. O ano? 1903… A pequena empresa fundada por Clarence transformou-se na gigante Dana, a multinacional na qual trabalhei por 26 anos.

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Você sobreviveu ao dia dos namorados?

Publicado em 15 Jun 2009 at 5:45pm

E, então, mais um Dia dos Namorados passou… Espero que os casais tenham sobrevivido. Sim, porque esse é um dia cheio de armadilhas que podem detonar ondas de amor e/ou ódio em muitos relacionamentos, né?

Acho fofa essa coisa de comemorar namoro, dar presente etc. Mas ter um dia específico pra isso é um perigo. Pra mim, meio que parece uma entrevista pra emprego: você está sendo avaliado. Em tudo: comportamento, gestos, palavras, roupa. Como é que a gente pode ser espontâneo numa situação dessas?

Se tem reserva no restaurante, precisa ser pontual pra não perder a mesa. Se chegou na hora, se sente pressionado pra comer logo – afinal, o povo da fila de espera está te encarando e te odiando. Até seus momentos mais íntimos com o ser amado precisam ser agendados, principalmente se você quer ir num motel. Uma amiga me contou que, certa vez, o povo da fila ficava buzinando pra apressar os casais que já estavam no quarto. Imagina! Mais brochante que isso, só ser pego pelos pais em pleno ato!

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Foi Mal

Publicado em 05 Jun 2009 at 9:59pm

Uns documentos importantes desaparecem. Foram enviados para mim por motoboy. Chegaram à portaria da empresa no final da tarde e… Ninguém sabe, ninguém viu. O comprovante de recebimento está lá, assinado. E o dono da assinatura me procura para dizer que recebeu e colocou na caixa de entrada. Dali pra frente não se responsabiliza mais.

- Não fui eu.

Busco o responsável pela área de trânsito de documentos que, todo solícito, se propõe a procurar. Algumas horas depois ele telefona sugerindo que eu tire segunda via… Ninguém sabe, ninguém viu. E argumenta:

- Seu Luciano, não fui eu.

Protestei, indignado. E recebi a resposta definitiva:

 - Foi mal…

Então o piscineiro faz seu trabalho semanal lá em casa. E vai embora largando um registro aberto. Inunda a casa de máquinas. O motor vai pro brejo. Protestei, e a resposta foi imediata:

 - Não fui eu.

Diante da impossibilidade de sustentar inocência, a frase definitiva:

- Foi mal…

No estacionamento, o manobrista me entrega o carro com um lindo risco na lateral.

 - Já estava assim. Não fui eu.

Chamo o gerente, que dá a resposta definitiva:

 - Foi mal…

Eu pensei em dar aqui um exemplo de companhia aérea, mas nem precisa, né?

- Foi mal. Foi mal. Foi mal…

 Pois é. Essa é a grande encrenca da prestação de serviços. Você só sabe se o serviço é bom depois que recebe. Não dá pra ver antes, pra cheirar, experimentar, saber que peso tem, de que tamanho é…

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Esnobismo e Moda: o gosto pela marca e a busca pelo amor

Publicado em 05 Jun 2009 at 5:04pm

Muito se fala sobre a importância do corpo vestido na socialização dos indivíduos e das motivações psicológicas que impulsionam o consumo de trajes moda.

As ciências humanas têm debruçado seus estudos sobre a importância das aparências como um elemento sinalizador para a aglutinação de pessoas, em torno de objetivos comuns. Esta visão está muito bem elaborada, em pensamentos como os de Hume, Simmel, Mafesolli, Baudrillard.

Sou uma historiadora de Moda e Vestuário e tenho usado o viés da história das aparências para mostrar e, demonstrar a função da moda como geradora de riquezas, e de demanda de mão de obra que a cultura das aparências proporciona nas sociedades modernas. Tal condição gera produtos e uma necessidade psicológica que induz ao consumo de bens.

Filósofo contemporâneo Alain de Botton

Aqui, através do pensamento de Alain de Botton, jovem filósofo contemporâneo, quero apontar a importância da aparência do traje modalizado, como um sinalizador comum para a inserção das pessoas que ocupam posições importantes na sociedade.

A moda como sinalizador comum para a inserção das pessoas que ocupam posições importantes na sociedade

Botton fala daqueles que ocupam posições sociais importantes como “alguém” e os seus opostos, como “ninguém”. O que este autor traz de novo para um tema que já está tão visitado, é a associação dos conceitos de “alguém” ao da conquista de status e amor, e o de “ninguém” ao estado de solidão e da posse de baixa auto-estima.

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Homenagem da Cristiane Porto para o Dia dos Namorados

Publicado em 05 Jun 2009 at 1:49pm

In my life
( Lennon / McCartney ) Sean Connery

Há lugares de que me lembro
Toda minha vida, apesar de alguns terem mudado
Alguns para sempre, não para melhor
Alguns se foram, e alguns permanecem

There are places I remember
All my life though some have changed
Some forever not for better
Some have gone and some remain

 

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A incessante busca pela excelência

Publicado em 03 Jun 2009 at 4:58pm

Filme o Último Samurai

Você nunca se sentiu em vão, buscando algo que sabe que nunca encontrará, mas ainda assim jamais ousou desistir?

“Observe esta flor, é perfeita! Podemos passar a vida inteira atrás de uma dessas e mesmo que nunca a encontremos, nossas vidas não terão sido em vão”. Com esta belíssima explanação, Mestre Katsumoto tenta, nas entrelinhas ensinar o capitão Nathan Algren, a personagem de Tom Cruise, no filme o Último Samurai, sobre a incessante busca da perfeição realizada por ele e sua classe de samurais, que muito embora possuíssem a percepção de que a perfeição,fosse teoricamente ilusória, mutante e inatingível, sentiam que valia a pena investir o tempo de uma vida para ir atrás de algo que não encontrarão, mas que ao menos, aproximar-se-ão.

É na busca pela essência da perfeição que encontramos a nós mesmos.

Fábio Euk.

É impossível de expressar com palavras, a sensação que se tem quando fazemos de tudo para atingirmos o inatingível, a sensação da busca nos faz dormir o sono dos anjos por tentar acordar todas as nossas possibilidades latentes.

Na outra ponta, como conseqüência da lapidação e aprimoramento que se sucede a uma boa incorporação da cultura yôgi na vida de um praticante, a exímia seleção de praticamente tudo (alimentação, comportamento, vestuário, atitudes etc) que envolve a existência do aprendiz o torna exigente com relação ao que o cerca e o faz buscar a excelência em tudo que realiza e, isso meu querido leitor, pode ser um pesado fardo a ser sustentado, se não compreendermos as invisíveis linhas que sustentam o entendimento do todo.

Explico: se tudo o que você faz para si e para os outros, seja no trabalho, relacionamentos e afins, possuir um alto grau de exigência e a tentativa do alcance da perfeição dos samurais, é natural que você espere isso dos outros em reciprocidade também e, é justamente neste ponto que jaz a dificuldade, caso não estejamos atentos. Trocando em miúdos, não devemos esperar reconhecimento ou reciprocidade das outras pessoas e nem mesmo a mesma atitude ou reação que seriam do nosso feitio, pois somos diferentes dentro de nossas igualdades ontológicas.

Por vezes, quando damos o nosso melhor, não aceitamos como contrapartida algo que ouse não se aproximar disto, como por exemplo, o amor que ofertamos aos nossos cônjuges: se não sentimos o retorno com mesma intensidade, esperneamos. O truque é oferecer porque sentimos vontade, queremos e gostamos, tendo a ciência de que nem sempre, ou melhor, quase nunca, seremos correspondidos com igual devoção. Simples assim!

Quando se tenta ir atrás de algo sublime e perfeito, lastreando nossos caminhos para que isso realmente aconteça, costumamos não aceitar nada que não seja semelhante por parte dos demais.

Filme o Último Samurai

No entanto, apesar disso, podemos esperar o mínimo “recomendável” daqueles que se relacionam conosco, de alguma forma. Quando se trata de família, amigos, parceiros amorosos, não é demais esperar respeito, confiança, zelo etc.

De prestadores de serviços como professores de Yôga, arquitetos, marceneiros, engenheiros, diretores de arte, corretores, da companhia de gás, luz, das lojas que nos atendem diariamente… não deve-se esperar perfeição, como citado acima, mas o tradicional que foi estudado por eles e para o que foram preparados ou se predispuseram a fazer, em outras palavras, o que fazem todos os dias. Porém, lhe imploro: se você conhece algum prestador de serviço do qual podemos esperar as qualidades acima e, isso se estende a todas as etapas de um bom trabalho executado: excelência, cumprimento do estabelecido em contrato (tipo do trabalho, prazo, preços), comprometimento mínimo, bom atendimento, pós-venda, mínimo de qualidade, ou seja, o básico que não farão do prestador um virtuose em sua área, mas alguém que será recomendado a posteriori, por favor, me indique!

E que fique claro que isso independe de classe social, tipo do serviço prestado ou formação cultural. Há, neste ponto, uma curiosidade, muitos daqueles que tiveram oportunidade de formação acadêmica, ficam presos àquilo que aprenderam à época de seus estudos, aplicam e ensinam aquele material pelo resto de suas carreiras, quando, na maioria das profissões, tudo e todos vão se reciclando com o passar dos tempos.

Arrisco dizer que é por estas e outras que quase não temos nutricionistas que entendem claramente uma opção vegetariana, pois os demais engessaram o escopo do curso da faculdade na qual se formaram, por vezes, há décadas e não atualizaram-se com as “novas” descobertas, limitando-se ao obsoleto e saudoso diploma pendurado nas já descascadas tintas das paredes das lembranças.

Portanto, se você é como eu, um buscador da excelência em tudo que faz, não espere isso de todos que cruzem o seu caminho, mas exija sim, o “aceitável”, pois do contrário, não há evolução e assim, ficaremos sem uma das grandes dádivas que foi oferecida ao homem.

Fábio Euksuzian
Diretor da Uni-Yôga Vila Olímpia
Presidente da Associação dos Profissionais de Yôga da Vila Olímpia
www.universoyoga.org.br
(11) 3845-5933

fabio.euk@uni-yoga.org

Cupido e Psiquê e o Dia dos Namorados

Publicado em 02 Jun 2009 at 9:18pm

Eros e Psique, escultura de Antônio Canova, no Museu do Louvre, em Paris

O dia dos namorados nos remete a tantos questionamentos que nos afetam do bolso (consumo), ao coração (o par perfeito).  Já fui testemunha de muita gente (sovina) que rompeu relacionamento às vésperas de datas como esta e dizem não saber o porquê de tal decisão.

Outras pessoas reafirmam que vivem melhor sozinhas e dizem não querer mais perder tempo namorando, entretanto ao serem tocadas pelas propagandas, vitrines e eventos com motivos desta data, que já é comemorada mais de uma vez por alguns – Valentine´s Day e Dia dos Namorados – se cobram por não ter alguém para amar, celebrar ou dividir suas vidas.

Cupido e Psiquê

Para pensar o tema – dia dos namorados – eu fui buscar na mitologia uma história interessante de amor: Cupido e Psiquê, na qual identificamos os encontros e desencontros das vidas amorosas.

Psique era a mais bonita das três belas filhas do rei. Todos os dias, ela recebia cortejos de pessoas para admirar sua beleza que era tamanha, que muitos a comparavam com a beleza da deusa Vênus, como se tivesse decidido viver entre os humanos.

Esta comparação parecia ser uma homenagem a deusa, entretanto seus templos estavam vazios, por causa da atenção dedicada a Psiquê.

Vênus decidiu vingar-se daquela mortal insolente e por não tolerar tal afronta, pediu a seu filho Cupido (arqueiro divino) que investisse uma de suas setas em Psiquê para torná-la um ser monstruoso, e que sua infelicidade fosse maior do que a mulher mais desgraçada do mundo. (Quem se atreveria a querer Vênus como sogra?)

Cupido, sendo muito obediente a sua mãe foi ao encontro de Psiquê, se aproximou invisível de sua presa e prestes a lhe apunhalar uma seta no peito, ficou encantado com a beleza da jovem e, atrapalhando-se, acabou por ferir-se com a própria flecha.

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As deusas gregas e suas inspirações na arte e na moda

Publicado em 19 May 2009 at 4:37pm

Prada

A Grécia continua a nos inspirar muito. Na literatura, filosofia, arte, mitologia, jogos olímpicos e no culto ao corpo. Na moda, estamos vivendo um momento de consolidação da tecnologia, criação e diversidade de estilos. Há sempre um movimento e um contra-movimento que impulsionam as novas tendências.

Temos sido testemunhas que as passarelas, vitrines, revistas de moda, lugares glamorosos e calçadas dos centros fashion de todo o mundo apresentam um mix de estilos, cores, formas que confundem a todos que querem identificar a nova ordem na moda. Cores escuras, branco e preto de um lado e cores cítricas de outro; listrado, xadrez, bolas e figuras geométricas; laços, babados, drapeados e rendas; da cintura anos 50 (new look) até as cores e estilos dos anos 80. Ao me deparar com todas estas informações, nas coleções das principais marcas apresentadas em NY, concluí que vivemos um resumo da pujança da moda. Sinto como se tivéssemos no auge, no momento máximo de investimento financeiro, tecnológico, de estilo e criatividade.

Prada

Neste momento, uma grande solução é voltar para as origens da cultural ocidental e se inspirar não mais nos humanos, mas nos deuses. A estilista francesa Madame Grès (1903 – 1993) teve sempre sua inspiração nas deusas gregas e sua produção da década de 50 poderia se confundir com algumas peças encontradas no contemporâneo. A Prada, que sempre mostrou sua superioridade através da originalidade nas coleções, como se estivesse na contramão das tendências, apostou nas inspirações das deusas gregas e foi seguida por outros grandes estilistas apresentados na matéria da Leo que fala sobre a homenagem ao clássico.

Madame Grès (1903 – 1993)

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Memória – a não extinção de experiências passadas

Publicado em 05 May 2009 at 4:31pm

O aforismo acima corresponde a uma citação do sábio Srí Maharaj Patáñjali, provavelmente datada do século III a.C. e publicada no Yôga Sútra, opúsculo de sua autoria composto por 195 sútras, aforismos carregados de significados herméticos que condensados em poucas palavras tornam-se blindados aos olhos de um leigo, e por isso mesmo, se faz necessário um mínimo de bagagem metafísica para a compreensão desta ancestral linguagem cifrada.

A sentença do título faz parte do primeiro capítulo da obra, que explica o caminho para se atingir a iluminação, no Yôga chamado de samádhi. O sútra VI descreve os cinco tipos de instabilidade, sendo um deles, o conhecimento baseado na memória. Quando li este livro pela primeira vez, há cerca de uma década, confesso que não entendi porque a memória seria um obstáculo instável à evolução do ser humano, visto que sem ela provavelmente não estaríamos aqui, afinal, em um passado remoto, nossos ancestrais aprenderam pela observação e memorizaram lições de sobrevivência, como por exemplo: fazer fogo, construir cabanas, plantar e, praticamente tudo que envolvia e envolve o desenvolvimento de uma civilização. Vejamos as crianças: não são espelhos dos pais porque memorizam tudo o que eles fazem? Assim como os meus alunos são reflexos de mim, pois assimilam gestos, ações e atitudes do professor. Por exemplo, se nós não tivéssemos memória, como estaria eu escrevendo este artigo?

Conto aqui uma história que presenciei em um Festival Internacional de Yôga, reforçando a retórica da importância da memória: um grupo de alunos e instrutores estava encaminhando-se para alguma vivencia que estaria prestes a acontecer. Ao passar pelo estacionamento, vimos um passarinho aproximar-se do espelho retrovisor de um carro. Ao avistar seu próprio reflexo, achou que se tratava de outro pássaro a querer invadir seu território e a partir de então, iniciou uma guerra contra o espelho. Por vezes se chocava contra ele e em outras, bicava-o insistentemente. Obviamente se machucou e tão logo percebeu que não era outro pássaro, deu meia volta no ar como se fosse embora, mas, em seguida, novamente se viu no espelho, repetindo todo o processo. Mestre DeRose que acompanhou aquela pitoresca cena que não durou mais que alguns segundos, disse aos que estavam presentes: “Assim somos nós, presos dentro de nossos paradigmas”, bem, dizem por aí que passarinho possui memória de três segundos…

No entanto, a dualidade que existe em praticamente tudo, também está presente na memória como ferramenta de evolução. Ela é fator gerador de outro obstáculo apontado por Patáñjali no capítulo II (trilha da prática), sútra III: o excessivo apego à vida. Em minha opinião, este apego não esconde somente o temor da morte, mas também o receio de perder as sensações de todas as experiências vividas dentro da viagem a que chamamos de vida. Por meio da memória, nos apegamos àquilo que já não existe mais, mas tão somente nas vagas brumas nostálgicas de nossas carcomidas lembranças. Será que é por isso que hoje temos o sucesso das linhas retrôs em variados tipos de publicidade, relançamentos de filmes, peças de teatro que um dia foram boas, o assustador popularismo do botox e tudo o mais que nos fará tentar vivenciar algo que as primaveras levaram?

Já tentou reatar um namoro anos depois, quando já não mais sentia grande coisa pelo outro, mas porque em algum dia do já amarelado tempo de sua memória, aquilo foi muito bom e lhe proporcionou prazer pelos momentos felizes vividos juntos? Pois é como reconstruir um vaso quebrado, nunca mais será o mesmo! Creio que seja por isso que quando envelhecemos vamos perdendo a memória, talvez seja uma forma da natureza nos poupar o sofrimento da lembrança; uma forma de nos desapegarmos daquilo que um dia fomos e nunca mais seremos. A memória nos traga para túneis tingidos de sépia que nos conduzem a passeios no trem das saudades, por vezes felizes, outros nem tanto, mas sempre saudades.

“Hoje joguei tanta coisa fora, cartas e fotografias, gente que foi embora…”, foi com este refrão dos velhos Paralamas na cabeça que recentemente fiz minha mudança de residência em Sampa. Ah, nossa castigada memória emocional ainda nos faz palpitar o coração. Quantas coisas temos que deixar para trás a descansar em algum acinzentado banco de praça, até serem desintegradas lentamente pelas ventanias das novas gerações. Caetano diria que saudades até que é bom, melhor que caminhar vazio… e eu digo sempre, que devemos aprender com o passado, sem se apegar a ele, aplicar o que aprendemos nos fundos do presente e prepararmo-nos para a colheita de um futuro próspero.

Mas se a memória causa este sofrimento, o que fazer? Ser um desmemoriado? Mais uma vez, temos que aprender a canalizar a situação em nosso favor, ou seja, emancipação da escravidão mental. Recentemente, estava com um grande amigo que perdera a mãe e a irmã de Câncer em um ridículo intervalo de quatro anos, em um café de calçada qualquer da cidade de São Paulo, e ele, ainda meio atônito, balbuciou: viver é um ato de heroísmo! Achei aquilo muito bonito e completei: cara, já se deu conta de que nossas vidas se resumem agora a este exato e absoluto instante? Tudo o que fomos, vivenciamos, sentimos, experimentamos, conhecemos, não fazem a mínima importância nesta fração congelada do tempo. Nossas vidas são exatamente isso que neste momento enxergamos e sentimos, eu e você; nunca houve o amanhã ou o ontem. Tudo o que chamamos de passado e projeções de futuro se assemelham a desconexos flashs de um alternativo filme B, meio sem pé nem cabeça, encontrados na mais profunda penumbra do sótão de uma casa com sete janelas. Ele consentiu com um leve movimento de cabeça.

Por intermédio da memória, ficamos presos em nossos próprios paradigmas e atrelados a um passado que por vezes temos a esquisita impressão que não aconteceu, como dizia Cazuza em sua sutil e letal poesia: parece que, aquele amor que tive e senti um dia, quando o reencontro, nunca existiu.

Mas nem tudo são espinhos, eis um dos lados bons da memória: aqueles que ignoram a ética e destroem a confiança neles depositada pelo anseio do tilintar dos trinta dinheiros, haverão de se lembrar de que se é falha a lei dos homens, não o é a dos juízes do karma absoluto, afinal, não somos só nós que temos memória.

Por Fábio Euksuzian

Fábio Euksuzian
Diretor da Uni-Yôga Vila Olímpia
Presidente da Associação dos Profissionais de Yôga da Vila Olímpia
www.universoyoga.org.br
(11) 3845-5933

fabio.euk@uni-yoga.org


Bubbles in the City – Um mico e um livro

Publicado em 17 Apr 2009 at 2:28pm

Gen-te! Tão dizendo que o jornalismo está em extinção! Sim, porque, com a intêrrrrnéti, “qualquer um” pode escrever e divulgar o que bem quiser, levando “informação” a zilhões de pessoas. Me senti um mico-leão dourado!!!

Tem gente a favor de que o acesso aos conteúdos on line passe a ser pago. Outro povo acha isso meio absurdo e defende a idéia de que ninguém vai querer pagar pelo que já tem de graça – ou pelo que pode ter de graça em outro lugar (site, literalmente!).

Enquanto isso, eu fico aqui bem na minha, escrevendo no Fashion Bubbles. Sou do tipo que assina jornal – não saio de casa sem ler o Quiroga (me dá azar, ô!). O Toco diz que sou a única pessoa que ele conhece que ainda compra CD. Tudo bem: ele é o único sócio de produtora de vídeo que faz bico de jardineiro que eu conheço. Então, “tamu quites”.
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Luciano Pires no Fashion Bubbles

Publicado em 16 Apr 2009 at 8:09pm

O Fashion Bubbles é fruto do desejo de compartilhar conteúdo de qualidade. Acreditamos que mais que a tecnologia, vivemos a revolução do conhecimento, processo que está sendo intensificado pela internet.

Dentro desse contexto, o site tem muito o que comemorar. É que agora o Luciano Pires também faz parte de nosso time de colaboradores.

O Luciano está em sintonia com o site e tem muito para dividir conosco, ele é um escritor reconhecido, perito em questionar e colocar nossos neurônios para funcionar através de suas apimentadíssimas crônicas, palestras e livros.

Conheça também o portal Café Brasil com enquetes, fórum, artigos, vídeos, rádio e uma variedade de conteúdo focado nas questões da educação e da luta contra o emburrecimento do Brasil.

E para começar, um prelúdio sobre os desequilíbrios da visão macro.

A GOTA



Mário tem uma gota em seu escritório. No escritório, Mário tem uma gota. Uma gotinha d’água, simples e discreta. Caindo do aparelho de ar condicionado sobre o sofá. Já faz uma semana.  Ploc… Ploc… Ploc…

É sua companheira. Mário botou um copo para que a água não estrague o sofá ou o carpete.

Pouco tempo atrás, a secretária de Mário chamaria um técnico de ar condicionado, que arrumaria o problema e pronto. Mas isso era num tempo em que as pessoas tomavam decisões, tinham autonomia e responsabilidades. Um tempo que não existe mais.

Enquanto isso, a gotinha vai pingando.

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Toque de Classe

Publicado em 23 Mar 2009 at 5:48pm


Ache outros vídeos como este em My Fashion Bubbles

Por Mônica Lidizzia

O Designer de “objet”, Finch trabalha com agências, fotógrafos, produtores de moda e de cinema.
Parte de sua coleção aparece nesses “cliques”.
Deles, podemos não só usufruir da estética, como também da dialética.
Ensaiar sobre o elo (ou a abismo) entre a imagem e o pensamento.
Do que é compreendido pela íris e/ou pelo cérebro como… belo.
Será a volúpia (ou a inocência) revelada através da tela (ela mais oculta ou descortina)?
Será (ele, o belo) o conjunto (harmônico ou caótico) de cores, texturas e formas?
Aquilo que brilha ou o que não reluz?
O que é mesmo a moda?
Tradução material da beleza “per se”?
A altura do salto do sapato, a largura da “pata” da calça, o lugar da cintura, o tamanho do “bra”, o tom do cabelo que combina com a estação, as estampas, a monocromia, a alfaiataria, a “desconstrução”, o “shape” do corpo, as tatuagens nele…
Do que é feita a moda?
Da arte criativa ou do que é disponibilizado pela mídia?
Ou da composição da imagem, algo chamado de atitude?
Atitude… termo que carrega uma significância discutível, quase inexplicável, mas amplamente reconhecível, simplesmente através do … olhar!
Seria mesmo, essa tal de “atitude”, atemporal?
Resposta 1. Não, depende diretamente do momento. É, com toda a pompa e glória, o que se nos descortina, o contemporâneo.
Resposta 2: Sim. Chanel (1883-1971), por exemplo, tinha… “personalidade”.
Tornou-se, no jargão da moda, um clássico.
O conceito de estilo situa-se além fronteira da definição de “moda”: requer um toque de classe.
Como estes retratos primorosos, exemplos de sutil sedução.

Por Mônica Lidizzia

Mônica Lidizzia é economista pós-graduada em Adm.Financeira que decidiu estudar a moda por diletantismo, e … encantou-se pelo assunto! Cursou “Trends Forecastings” e “Consultoria de Estilo”. Descobriu que, mais do que consumo, moda é comportamento, resultado do inconsciente coletivo. É pesquisadora de tendências. Atualmente, escreve também nos sites “Auto- Serra” e “My Fashion Bubbles”. E AMA bicho desde pequenininha!

Conheça o dbstudio, o  blog da Mônica Lidizzia.

Liderança e Hierarquia

Publicado em 23 Mar 2009 at 5:25pm

Por Fábio Euksuzian

Faço parte, juntamente com outros diretores de escolas credenciadas, do Conselho da Uni-Yôga, maior instituição de Yôga técnico do mundo. Recentemente, uma destas reuniões aconteceu em um belo restaurante situado no bairro dos Jardins em São Paulo; quase ao final do encontro, já nos descontos das sobremesas, um comentário sobre uma situação ocorrida em alguma escola, abriu terreno para uma saudável divergência de opiniões e pontos de vista sobre a velha, mas nem por isso menos necessária e quase sempre controversa, relação entre a prática e a teoria do conceito de hierarquia, pedra essencial de grande parte das filosofias orientais.

Alguns caprichados minutos foram usados para que pudéssemos “esgrimar” vernáculos para obtenção de um consenso sobre o tema, o que obviamente não foi possível, visto que contávamos com dez cabeças pensantes sulcadas com as mais diferentes formas de vislumbrar a filosofia que professamos (Yôga antigo). Deixamos o restaurante sem voto majoritário e como infelizmente e quase sempre, o trânsito de São Paulo nos dá tempo de sobra para as mais variadas reflexões; pensei, filosofei e meditei com meus botões durante o trajeto de volta, pois não entendia como algo tão intrinsicamente ligado ao Yôga pudesse gerar dúvidas nas mentes de seus próprios professores.  Algumas lombadas e semáforos adiante, tudo se esclareceu! Percebi que estávamos debatendo assuntos diferentes, mas que naturalmente são costumeiramente confundidos, pois é tênue a linha imaginária que os separa. Estamos falando de liderança e hierarquia.

Em minha opinião, liderança é um direito conquistado, geralmente gerado sem intenção do feito; brota de forma pura e absoluta, ou então, em situações de extrema necessidade.  Há pessoas que nascem com o dom da liderança, outras a desenvolvem.  Por sua vez, hierarquia é um direito de fato, normalmente conquistado por méritos, antiguidade ou até em alguns casos, herdada.

Como nosso assunto era Yôga, sabemos que dentro do rigoroso conceito hierárquico oriental, o neófito não questiona aquele que está acima, simplesmente obedece. Encontra-se isso nas artes marciais, no Yôga, na outrora poderosa instituição dos samurais e mesmo dentro de conglomerados comerciais do Japão, China, Índia etc. O antigo sistema de castas indiano é um bom exemplo de como a hierarquia é utilizada pelos povos acima citados. Elaborado por volta do século X a.C. e que hoje, de acordo com a legislação local deveria estar extinto, é dividido em quatro castas: soberanos, guerreiros, mercadores e os que vulgarmente dizendo, fazem de tudo. Uma vez sendo hereditário de castas superiores, o indiano terá seu grau hierárquico preservado, sem ter realmente nada feito para conquistá-la. O hindu, em sua maioria, entende que o fato da pessoa ter nascido naquela divisão respectiva possui origens kármicas, em outras palavras, ele tem de passar por aquilo, como um pagamento de  quitação atrasada.

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TENDÊNCIA na Pós-modernidade

Publicado em 18 Mar 2009 at 8:39pm

Por Ângela Rodrigues

Tenho pensado e escrito muito sobre a pós-modernidade porque penso que estamos passando por um momento de reumanização e ressignificação que contempla vários aspectos de nossa existência individual e social e isso muito me interessa.

Moda, decoração, gastronomia, comportamento são, a meu ver, algumas das áreas que nos ajudam a decodificar muito mais que apenas práticas sociais e estéticas. Design de interiores e decoração de ambientes privados, democratização de requintes antes elitizados e o encontro do indivíduo com uma moralidade em construção são micro-realidades a partir das quais podemos decodificar tendências, e, a partir delas,  termos uma visão mais apurada de aspectos importantes da contemporaneidade.

Ninguém discute a importância que as grandes narrativas tiveram na elucidação de aspectos importantes da existência humana e extra-humana nas mais variadas áreas. Galileu, Darwin, Marx, Freud, para citarmos apenas as que colocaram o homem no seu devido lugar, cunharam conceitos, estruturaram teorias, ideologias basilares para a compreensão inclusive dos eternos paradoxos sócio-econômico-culturais da sociedade. Mas penso que não podemos eternizá-los como referências de análise em detrimento de  novas formas de abordagens capazes de darem conta de novidades impensadas em momentos anteriores.

Alguns já se precipitaram em afirmar que tendência é um termo inapropriado para dar conta da contemporaneidade. Nada mais equivocado ou no mínimo, discutível.

O termo tendência pode ser interpretado sob duas perspectivas: uma reducionista e a meu ver equivocada que se refere ao curtíssimo prazo, a sazonalidades, e a aspectos comuns no que tange à moda entendida aqui como o novo que se manifesta no vestuário, na decoração e em grande parte de nossas produções estético-funcionais.

Entendido dessa forma reduz-se o conceito a quase nada e, um dos principais estratagemas para se captar as expectativas de uma época se perde por visões que tendem a confundir tendência com interesses mercadológicos e sugestões tendenciosas de “criadores” de necessidades planejadas.

Em seu sentido mais amplo, conceituo tendência como o espírito do tempo (assim como Dário Caldas), como algo que transcende a realidade instituída e se cristaliza em necessidades e desejos ressignificados pelas novas produções sociais.

Entendo tendência como o amálgama de micros desejos e necessidades consubstanciadas em um macro que se pulveriza nas mais diversas manifestações humanas.

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Vítimas do próprio mal! Ressentimento

Publicado em 17 Mar 2009 at 3:41pm

Por Carlos Alberto Alves e Silva

Não podemos negar o quanto a relação com o outro nos afeta. As relações humanas são marcadas consciente e inconscientemente, entretanto muitas vezes não nos damos conta o que determinados sentimentos nos provocam e nossa postura diante deles. Shakespeare teve o dom de nomear e expressar nossos sentimentos com muita destreza em suas 38 peças, 154 sonetos, 2 poemas e várias poesias e não me parece que o tempo tenha modificado nossos sentimentos da forma com que ele descreveu no século XVI. Nossos sentimentos se mostram sempre ambivalentes: Amor, Ódio, Compaixão, Agressividade, Entusiasmo, Timidez, Alegria, Tristeza, Altruísmo, Ambição, Generosidade, Avareza, Humildade, Vaidade, Inveja….

Mesmo diante de todos estes sentimentos e muitos outros que considero serem a maior expressão da natureza humana, o Ressentimento é algo que tem me chamado muito a atenção, na clínica e  nas minhas relações. Ressentimento não é sinônimo de raiva, arrependimento ou vingança, mas a impossibilidade de se esquecer ou superar um agravo.

Maria Rita Kehl, em seu livro – Ressentimento (Editora Casa do Psicólogo) escreve logo na introdução que “ressentir-se significa atribuir a um outro a responsabilidade pelo que nos faz sofrer. Um outro a quem delegamos, em um momento anterior, o poder de decidir por nós, de modo a poder culpá-lo do que venha a fracassar”. Neste caso, o ressentido estabelece uma servidão inconsciente, se demite subjetivamente e não se implica como sujeito do desejo.

Maria Rita Kehl e seu livro – Ressentimento

A pessoa ressentida, ao se sentir ofendida, agredida, submetida ao outro, não se manifesta no ato, mas mantém a cena viva remoendo (ruminando) a ofensa repetitivamente. Maria Rita Kehl menciona que o “ressentido não é alguém incapaz de se esquecer ou de perdoar; é um que não quer se esquecer, ou que quer não se esquecer, não perdoar, não deixar barato o mal que o vitimou”.

É muito interessante o quanto a nossa psique nos rege e que não podemos garantir que uma criança se desenvolva subjetivamente de uma ou outra maneira mesmo que a mãe (pais) tome todas as medidas nos primeiros momentos da vida. O bebê, a criança e posteriormente o adulto podem ter vivido experiências subjetivas que o fizeram assimilar de maneira muito particular. Desta forma, muitas vezes quando fazemos o possível para proporcionar amor, apoio, ajudar  psicológica, financeira e emocionalmente ou de qualquer outra natureza pensando estar fazendo o melhor ao outro, na experiência de quem recebe tudo isso pode ser assimilado não com gratidão, mas sim, como uma dívida que deve ser paga. Cada ajuda adicional no decorrer da vida o faz sentir pior e mais endividado (mais empobrecido). É como se cada ato de afeto e ajuda faça com que aquele que recebe fique mais pobre, desta forma ao invés de demonstrar espontaneamente a gratidão, este se volta contra aquele que oferece algo com muita violência.

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Perdendo tudo, o que resta?

Publicado em 06 Mar 2009 at 5:55pm

Um milhão, um bilhão ou um trilhão é exatamente a mesma coisa para alguém que não tem nem dez por cento disso para perder. Para estas pessoas a crise financeira é apenas algo que “dizem” que existe, mas que não se sabe exatamente o que é.

As histórias de perdas e ganhos sempre existiram e nas mais variadas formas. Ganha-se por trabalho, competência, sorte, talento, acaso, herança… Perde-se também de muitas maneiras, desastres naturais, com um banco que quebra, um sócio inescrupuloso que lesa a empresa, uma crise… Nem sempre a ética está envolvida nos ganhos e ganhar independe dela. Já as perdas estão intimamente relacionadas à falta desta mesma ética e, invariavelmente da falta de legitimidade, não há como escapar disso.

A relação que compõe o ganho é sempre associada ao talento. Já a relação das perdas, qualquer coisa que se use para explicar, é apenas uma justificativa, uma explicação que, no fim, vai dizer que aquilo que se ganhou, não era para ser seu. Esta afirmação levará a uma reflexão de legitimidade: onde será que eu errei? Não fiz por onde merecer? Entretanto, quando o ganho é merecido, por sua natureza de recompensa, muitas vezes acaba não levando à reflexão do que se fez para merecê-lo…

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